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Economia

Mãos limpas para as finanças européias

Jean-Claude Trichet é o nome favorizado para assumir a presidência do Banco Central Europeu no segundo semestre. Mas antes, terá que provar sua inocência no maior escândalo bancário da França do pós-guerra.

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Processo contra Trichet começou hoje na França

Jean-Claude Trichet dirige desde 1993 o BC francês. Em 1998, perdeu a presidência do Banco Central Europeu (BCE) para o holandês Wim Duisenberg. No entanto, um acerto nos bastidores determinou que o holandês não cumpriria até o fim seu mandato, sendo substituído por Trichet. De fato, Duisenberg anunciou que gostaria de retirar-se em 9 de julho, quando completa 68 anos. Só que há uma enorme pedra no caminho de Trichet até Frankfurt, onde está a sede do BCE: ele precisa vencer o processo por corrupção que se inicia contra ele e outros na França, nesta segunda-feira (06).

O caso do Crédit Lyonnais já data de quase dez anos, assumindo proporções de maior escândalo financeiro da história da França desde a Segunda Guerra Mundial. As acusações contra o político e economista francês referem-se à época em que foi chefe do Tesouro Nacional e, portanto, responsável pelas empresas públicas, dentre as quais o Crédit Lyonnais. Sobre ele paira a suspeita de acobertar a manipulação dos balancetes, a fim de encobrir prejuízos de três bilhões de euros da instituição, e assim ludibriar os mercados financeiros.

Antes de ser privatizado, o Crédit Lyonnais recebeu uma injeção de mais de 15 bilhões de euros dos cofres públicos. Uma CPI isentou Trichet de culpa, em 1994. Embora rebata todas as acusações, em abril de 2000 foi aberto inquérito contra ele e oito outros banqueiros e economistas. Calcula-se que o processo dure cerca de seis semanas. O governo francês anunciou que manterá a candidatura de Trichet ao BCE, mesmo que o processo se estenda além do previsto.

Perfil de rigor e lealdade

Jean-Claude Trichet nasceu em 1942 em Lyon. Na qualidade de chefe do Departamento do Tesouro, de 1987 a 1993, ele esteve a serviço de cinco primeiros-ministros da França, antes de assumir a presidência do Banco Central. Aqui, seu principal mérito foi libertar a moeda francesa das influências políticas. A estabilidade monetária – quer se trate do franco, quer do euro – é, aliás, uma prioridade absoluta para ele; um credo que também lhe valeu numerosos adversários. A trajetória do economista assumiu gabarito internacional desde que ele encabeçou – na qualidade de presidente do Clube de Paris – a renegociação das dívidas dos países do Terceiro Mundo e do antigo bloco comunista para com os bancos ocidentais.

O aluno-modelo, formado em Engenharia e Economia em faculdades francesas de elite, corre com freqüência o perigo de isolar-se em seus pontos de vista demasiado puristas. Entre seus colegas, Trichet goza de alta reputação, enquanto a opinião pública tende a vê-lo como um burocrata contumaz, que prefere combater a inflação a lutar contra o desemprego. Agora, antes de atravessar as portas do Banco Central Europeu, em Frankfurt, ele tem um grande desafio pela frente: provar que tem as mãos absolutamente limpas. Pois este é o mínimo que a Europa pode esperar de quem irá zelar pela estabilidade da moeda européia.