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Cultura

"Mão no coração": xenófobos por natureza

O ex-chanceler federal Helmut Schmidt lançou livro onde apresenta a xenofobia e o racismo na Alemanha como um problema sem solução

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Raiva e impotência perigosa: passeata do NPD, em janeiro de 2001

Hand aufs Herz (Mão no coração) coloca lenha na fogueira do longo debate sobre a lei de imigração na Alemanha. Seu autor é Helmut Schmidt, chefe do governo alemão de 1974 a 1982 e membro do Partido Social Democrático (SPD), da atual coalizão governamental.

Defendendo um ponto de vista com grande potencial polêmico, o político da velha guarda afirma que a Alemanha concedeu demasiados asilos, numa tentativa de purgar seu passado nazista: "Partindo de convicções idealistas, formadas pelas experiências do Terceiro Reich, deixamos entrar estrangeiros demais".

A conclusão é pessimista: "Agora há sete milhões de estrangeiros não integrados, e os poucos que desejam integração não estão sendo ajudados". Como era de se esperar, tais declarações desencadearam debate acirrado, num país onde o tema imigração é extremamente delicado, devido à alta taxa de desemprego e aos freqüentes atos de violência motivados por racismo e xenofobia.

Vítimas do milagre alemão – Grande parte dos estrangeiros imigrou nas décadas de 1950 e 1960, na qualidade de "trabalhadores convidados", acabando por ficar em caráter permanente. "Agora nos encontramos numa sociedade multicultural de fato e não sabemos o que fazer dela. (...) Nós, alemães, somos incapazes de assimilar os sete milhões de estrangeiros", conclui o ex-premiê.

A oposição reagiu indignada. Segundo Wolfgang Bosbach, da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), é "absurdo extrapolar incidentes isolados para acusar os alemães de serem xenófobos". Prova do contrário seria a presteza da Alemanha, nas décadas passadas, de acolher estrangeiros, que Bosbach considera muito maior do que a de outros países europeus.

Já Max Stadler, do Partido Liberal Democrático, crê que, "em geral, alemães e estrangeiros convivem bastante bem. Para ele, os atos de violência racista também seriam manifestações isoladas de tensão entre "alguns" alemães e imigrantes. Por isso, a "generalização" de Schmidt seria "inexata".

Mais de 6000 atentados racistas – O recente lançamento do controvertido livro de Schmidt coincide com a divulgação, pelo Ministério do Interior, de um estudo examinando mais de seis mil atentados de fundo racista nos últimos anos. Este define o perfil médio do extremista de direita alemão como: homem, entre 15 e 24 anos de idade e com baixo nível escolar. Os atos são freqüentemente cometidos em grupos e em estado de embriaguez.

O principal reduto neonazista na Alemanha é o Partido Nacionalista (NPD), que conta com 6500 membros. Suas manifestações regulares são uma acintosa demonstração do potencial fascista. O governo de Berlim vem tentando proibi-lo, sob a acusação de incitar o racismo e envolvimento direto numa série de atentados em 2001.

Aprovação dos leitores – Ao mesmo tempo em que tem escandalizado os políticos, com Hand aufs Herz, Helmut Schmidt parece estar conquistando um bom número de leitores. Em carta ao jornal de imprensa marrom Bild, um deles elogia: "Finalmente um político teve a coragem de admitir o que os alemães receiam dizer, para não serem taxados de racistas".

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