Mão biônica controlada pelo cérebro funciona bem após um ano | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 12.07.2011
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Ciência e Saúde

Mão biônica controlada pelo cérebro funciona bem após um ano

Cientistas austríacos desenvolveram mão biônica ativada por sinais cerebrais. Primeiro homem a usá-la diz que pode fazer coisas que não podia há um ano, como andar de bicicleta e comer com garfo e faca.

Patrick Mayrhofer testa sua nova mão

Patrick Mayrhofer testa sua nova mão

Há décadas a humanidade especula sobre a possibilidade de otimizar ou substituir partes do corpo através de próteses biônicas. Implantes da cóclea – o caracol do ouvido interno – e marca-passos já se tornaram rotina. Agora, a companhia austríaca Bionic Reconstructions vem desenvolvendo uma técnica, que implica a realização de amputações voluntárias, para substituir mãos seriamente danificadas por mãos biônicas controladas diretamente pelo cérebro.

Patrick Mayrhofer, de 23 anos, possui uma dessas próteses com características de cyborg. Três anos atrás, ele sofreu um severo choque elétrico num acidente de trabalho. Seu braço esquerdo foi salvo, mas nem mesmo após nove operações a equipe liderada pelo Dr. Oskar Aszmann conseguiu preservar a funcionalidade de sua mão.

"Michelangelo", a mão

Saudações biônicas

Saudações biônicas

Entretanto a empresa alemã Otto Bock Healthcare criou uma mão biônica para Mayrhofer, que Aszmann implantou um ano atrás. O apêndice, apelidado "Michelangelo", tem uma estrutura metálica, com juntas cor de cromo e dedos delgados de plástico branco.

"A mão é conectada ao corpo através de um soquete, dentro do qual encontram-se eletrodos que ficam em contato direto com a pele", descreve Janos Kalmar, um dos principais pesquisadores da Otto Bock Healthcare.

Através da pele, esses eletrodos recebem sinais neuroelétricos do cérebro. Esse fato distingue "Michelangelo" das próteses comuns. Pois, mesmo quando uma mão não existe mais, o cérebro continua enviando comandos para movê-la, os quais são transmitidos ao longo do braço pelas fibras nervosas.

"Com a ajuda dos eletrodos captamos esses impulsos musculares e pequenas voltagens na pele. E com esses dois elementos é possível abrir e fechar a mão", explica Kalmar.

Decisão dramática

Após ver como a mão mecânica funcionava, Mayrhofer concordou em tornar-se uma das primeiras pessoas a testar o implante biônico, que só deverá ser lançado comercialmente no fim de 2011. Mas, primeiro, ele teve que convencer sua família que não era uma loucura deixar amputar a mão.

"Eles disseram: 'Oh, meu Deus, o que é que você está fazendo?'", recorda. "Mas fiz vídeos com a companhia e os mostrei para minha família. Aí eles disseram: 'Nossa, que incrível! Você vai para Viena e três horas mais tarde é capaz de segurar um copo – coisa que há anos não podia fazer com sua mão!".

Do ponto de vista do Dr. Aszmann, a amputação foi a parte mais fácil. Mais importante, observa, foi criar a nova rede neurológica capaz de gerar um sinal elétrico forte o suficiente para ativar a prótese, o que ele chama de "reconstituição biônica". E lembra que toda mão cirurgicamente reconstituída requer uma longa fase de reabilitação motora.

Mercado de futuro

Prótese desenvolvida por cientistas austríacos

Prótese desenvolvida por cientistas austríacos

Após meses de prática, quando Mayrhofer pensa em mover sua mão de uma determinada forma, o apêndice biônico obedece. Com a ajuda dele, o rapaz agora é capaz de andar de bicicleta, escalar rochas e comer com garfo e faca.

De acordo com Aszmann, trata-se do primeiro paciente na Europa a se submeter a tal procedimento, mas não o último. Em abril passado, o médico anexou uma mão biônica a uma pessoa que, há pelo menos dez anos, não era mais capaz de movimentar o próprio membro.

O governo austríaco concedeu ao hospital de Aszmann 3 milhões de euros para a criação de um centro de reconstituição biônica, a ser inaugurado em setembro próximo. Segundo o cirurgião, o cálculo é que uma pessoa por semana seja candidata à implantação do órgão biônico.

"Podemos realocar nervos, ligar novos músculos, alterar o contexto esqueletal, de forma que, no fim, o paciente tenha condições ótimas para um aparelho prostético", promete o especialista.

Autor: Sruthi Pinnameneni (av)
Revisão: Carlos Albuquerque

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