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Alemanha

Mãe de talibã turco na Alemanha protesta nos EUA

Familiares e advogados de prisioneiros em Guantánamo protestam, nos EUA, contra o tratamento desumano e ilegal dispensado pelos EUA a estes supostos talibãs. Entre eles destaca-se a mãe de um turco nascido na Alemanha.

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Rabiye Kurnaz exige justiça para o filho

A mãe do suposto talibã turco, Murat Kurnaz, nascido e criado na Alemanha, encontrava-se entre os familiares dos prisioneiros dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo que protestaram, em Washington, nesta segunda-feira (8), contra a falta de tratamento jurídico para seus filhos e irmãos. A mãe do jovem de 22 anos preso há dois anos sem acusação formal, Rabbye Kurnaz, integrou o grupo de advogados, ativistas dos direitos humanos e proeminentes europeus e norte-americanos que foi à Casa Branca entregar ao presidente George W. Bush uma carta de protesto e cobrança de justiça.

Justiça significaria, inicialmente, uma acusação formal por um tribunal de padrão internacional e um mínimo de assistência para os quase 660 prisioneiros mantidos na base militar americana na costa sul de Cuba, sob acusação de terrorismo. Até agora, só dois deles foram acusados por um tribunal militar. Os demais, classificados como combatentes irregulares, permanecem em Guantánamo completamente isolados dos mundo, sem uma acusação formal, assistência jurídica ou mesmo consular.

Murat Kurnaz

Murat Kurnaz ,

Prisioneiros da Europa - Como os demais familiares desses prisioneiros, a mãe do jovem que deixou a Alemanha em outubro de 2001 rumo ao Paquistão sentou-se na escadaria da Corte Suprema norte-americana, cercada pelo seu advogado alemão, a atriz britânica Vanessa Radegrave e ativistas norte-americanos dos direitos humanos. Mais tarde eles marcharam para a Casa Branca juntamente com um grupo de familiares de prisioneiros da Europa em Guantánamo para entregar a carta de protesto ao presidente Bush.

O motivo de Rabbye Kurnaz é claro: há dois anos que ela não tem mais contato com o filho. Como todos os demais companheiros de prisão, ele está incomunicável em Guantánamo. Ela quer que "pelo menos seja aberto um processo" contra ele. "Eu quero justiça, eu quero ver o meu filho", exige.

"Eles devem ser acusados" - "Nós exigimos que os prisioneiros em Guantánamo tenham processos justos. Quer dizer que, se existir provas, eles devem ser acusados, mas por um tribunal que corresponda ao padrão internacional e não por comissões militares", acrescentou o advogado Richard Docke contratado pela mãe de Murat. Padrão internacional no caso significa direito de defesa para os prisioneiros e acesso de seus advogados aos autos dos processos de seus respectivos clientes em um tribunal independente. Significa também a possibilidade de solicitar revisão de uma eventual sentença, como esclareceu Dock.

O advogado de Kurnaz e sua família não sabem em que circunstâncias o rapaz foi preso por soldados norte-americanos perto do aeroporto de Karachi. Supõe-se que o turco de 22 anos, nascido em Bremen, deixou esta cidade no norte alemão para freqüentar uma escola de Alcorão no Paquistão. Rabbye Kurnaz viu o filho pela última vez em outubro de 2001, quando ele interrompeu o seu curso de construção naval e sumiu com rumo desconhecido. A primeira notícia que a família Kurnaz recebeu foi uma carta proveniente de Guantánamo através da Cruz Vermelha Internacional.

Situação desumana e ilegal - O advogado de Kurnaz e ativistas dos direitos humanos destacaram em Washington que não querem julgar se os prisioneiros de Guantánamo são culpados ou inocentes, "mas só o fato de eles estarem lá há mais de dois anos sem perspectiva, sem saber quando e se voltarão para casa, é absolutamente desumano e ilegal". Eles manifestaram a esperança de que a Suprema Corte dos EUA decida em breve sobre que tribunais norte-americanos podem julgar os prisioneiros de Guantánamo. Uma decisão favorável poderia então por fim ao sofrimento de muitos prisioneiros na costa sul de Cuba, segundo Docke.

O governo do presidente Bush considera que trata humanamente esses supostos talibãs, como determina a Convenção de Genebra para prisioneiros de guerra. Mas os EUA se reservam o direito de interrogá-los até um tribunal militar norte-americano decidir sobre a sua extradição ou libertação.

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