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Mundo

Mãe de jornalista americano sequestrado faz apelo ao "Estado Islâmico"

Em vídeo, mãe pede misericórdia e pela vida do filho, visto pela última vez na Síria. Jihadistas ameaçaram matá-lo no vídeo que mostra decapitação do também jornalista americano James Foley.

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Shirley Sotloff, no vídeo direcionado ao "Estado Islâmico"

A mãe de um jornalista americano sequestrado na Síria suplicou pela vida de seu filho num vídeo direcionado ao chamado "Estado Islâmico" (EI). O apelo transmitido pela TV nesta quarta-feira (27/08) foi feito depois que os jihadistas ameaçaram matar o repórter, caso os EUA não suspendessem os ataques aéreos contra o grupo no Iraque. A ameaça de morte foi feita no mesmo vídeo que mostrou a decapitação do também jornalista americano James Foley, divulgado na semana passada.

Em seu apelo emocional, Shirley Sotloff, mãe do jornalista tomado como refém, afirma que seu filho Steven, de 31 anos, é "um jornalista inocente" e que não deve pagar pelas ações do governo dos Estados Unidos no Oriente Médio. "Como mãe, peço misericórdia e que meu filho não seja punido por questões sobre as quais ele não tem controle."

"Eu sempre ouvi que o senhor, o califa, pode conceder misericórdia. Eu lhe peço, por favor, para libertar o meu filho. Peço que use sua autoridade para poupar a vida dele", diz a mãe, dirigindo-se diretamente a Abu Bakr al-Baghdadi, líder do "Estado Islâmico". O vídeo foi ao ar pela primeira vez na emissora Al-Arabiya e, em seguida, foi replicado na internet.

Steven Sotloff US Journalist

Steven Sotloff foi visto pela última vez na Síria, em agosto de 2013

Steven Sotloff havia desaparecido em agosto de 2013 enquanto cobria acontecimentos na Síria, como freelancer para as revistas Time e Foreign Policy. Seu sequestro só ganhou destaque na mídia na semana passada, quando apareceu no vídeo que mostrava a decapitação do colega James Foley. Na gravação, um homem mascarado corta a cabeça de Foley, e, então exibe Sotloff, avisando que ele terá o mesmo destino que seu colega, caso o presidente americano, Barack Obama, não interrompa os ataques conta o grupo.

O apelo de Shirley Sotloff provocou reações em Washington. "Como fica evidente no vídeo, ela está obviamente desesperada pela segurança e bem-estar de seu filho, o que é compreensível, e é por isso que nossos pensamentos e orações estão com a família da senhora Sotloff neste momento tão difícil e desafiador", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

O porta-voz disse não saber se o presidente chegou a ver o vídeo, mas afirmou que o governo está "extremamente engajado" na libertação de todos os americanos que são mantidos atualmente reféns no Oriente Médio.

Enquanto isso, novas imagens de execuções em massa conduzidas pelos jihadistas foram divulgadas. As fotos mostram a tomada de uma base aérea estratégica na Síria no último domingo, e mostram o fuzilamento de sete homens, alguns vestindo o que parece ser o uniforme militar sírio, por militantes com os rostos cobertos.

Os métodos violentos usados pelo EI para aterrorizar oponentes levaram uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) a acusar o grupo de praticar crimes contra a humanidade na Síria. "Isso é uma continuação – e uma expansão geográfica – do ataque sistemático e generalizado contra civis", afirmou a comissão, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. Segundo o diplomata, uma das descobertas mais chocantes foi a existência de imensos campos de treinamentos onde garotos, alguns com apenas 14 anos, eram recrutados para lutar ao lado de adultos do EI.

IP/ap/afp