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Economia

Luxo: filão de sobrevivência para fabricantes de porcelana

As históricas manufaturas de porcelana da Alemanha estão ameaçadas pela produção em massa. A não ser que capitalizem qualidades artesanais que lhes concedam a aura da exclusividade.

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Tradição tem seu preço

A lâmpada de trabalho devidamente ajustada, o desenho que lhe serve de modelo diante dos olhos, Irina Haberland pinta borboletas e morangos com pinceladas ágeis na superfície de uma tigela. As tintas que ela utiliza foram misturadas segundo uma receita secreta. Somente um especialista seria capaz de reconhecer à primeira vista se a decoração foi pintada no século 21 ou no século 18. A primeira e mais antiga manufatura de porcelana da Europa, em Meissen, no leste alemão, cultiva a arte da porcelana fina, sem concessões.

A fama da porcelana de Meissen é legendária. A manufatura foi fundada em 1710, e, já em meados do século 18, seus produtos podiam ser encontrados em palácios reais e casas aristocráticas em todo o continente. Meissen manteve a liderança mesmo depois que foram fundadas, ainda no mesmo século, sete outras fábricas de porcelana em terras germânicas, todas com o privilégio de patrocínio principesco.

Manufaktur Fürstenberg

Louça da manufatura Fürstenberg

Uma delas foi a Fürstenberg, criada em 1847 pelo conde Carlos I de Braunschweig. Hoje a situação da empresa é tão ruim como nunca. "Nossa porcelana é um artigo de luxo. E existe pouca demanda de artigos de luxo, na atual situação econômica da Alemanha", esclarece Stephanie Saalfeld, diretora comercial da Fürstenberg. Ainda em 1996, a fábrica contava 200 funcionários, agora eles são apenas 150. Mais 40 estão na lista de cortes. "Todo o setor da porcelana está com problemas", afirma Saalfeld. Ela tem razão, em princípio.

Com a Meissen é a mesma coisa. Por pouco, a empresa não fechou o balanço de 2003 com prejuízo. Cortou 100 empregos, mais 60 estão ameaçados. Desde agosto do ano passado, a jornada de trabalho foi encurtada.

Manufatura com ou sem máquinas

Na busca de um caminho para deter o declínio, algumas manufaturas passaram a recorrer à mecanização. "A Fürstenberg opera em grande parte com produção em massa", escreveu a consultoria BBE, de Colônia, em seu relatório anual de 2003 sobre a indústria do vidro, porcelana e cerâmica. "As manufaturas maiores integraram nos processos operados com máquinas grande parte do que faziam à mão."

Mas produção em massa é algo em que os 900 funcionários da Meissen não pensariam nem em sonho. Isto acabaria com seu diferencial. "A produção manual é sinônimo de excelência", consta no relatório da BBE. Ponto para a Meissen, que não pensa em competir com marcas mais baratas.

Esta é uma estratégia que conhecedores do ramo recomendam também a outra empresa famosa em fase difícil: a Königliche Porzellan Manufaktur (KPM) de Berlim, que está prestes a ser privatizada. "O melhor para a KPM seria uma clara opção pelo luxo", declarou Thomas Kastl, diretor da feira Ambiente, em Frankfurt. A questão é que, no ano que vem, vão cair as últimas barreiras no comércio da porcelana. "O mercado vai ser inundado então por porcelana de boa qualidade, mas barata, feita na China", teme Kastl.

Luxo é a saída

Porzellanmanufaktur KPM

Produção na KPM, em Berlim

"O segmento de preços médios vai desaparecer, mais cedo ou mais tarde. Então só haverá produtos baratos, ou então caríssimos", prevê Gert Gutjahr, do Instituto de Psicologia das Marcas, de Mannheim. Isto quer dizer que a KPM não teria chances contra os chineses, mas a Meissen, sim. "Quem é que pergunta pelo preço, na hora de comprar uma porcelana fina, pintada à mão?", confirma a BBE.

"Vai ficar mais difícil constatar diferenças na qualidade dos produtos", esclarece Gutjahr. Se o aparelho de café foi fabricado pela Fürstenberg, a KPM ou uma fábrica chinesa desconhecida, vai ser irrelevante. "O know-how está bem distribuído", acrescenta. É provável que tanto na Alemanha quanto na China se trabalhe com as mesmas máquinas na produção da porcelana.

A marca é tudo

O que distingue os produtos baratos dos caros é o prestígio da marca. "No Departamento Alemão de Patentes, estão registradas cerca de 700 mil marcas protegidas. Dessas, umas 60 mil continuam ativas no mercado", diz Gutjahr. "Só 200 podem ser consideradas 'marcas fortes'. E apenas umas 20 são grifes realmente cobiçadas."

Para se tornar cult na Alemanha, uma marca precisa de várias gerações. "Algo em torno de 80 anos, em média", afirma Gutjahr.

A Meissen já existe há quase 300 anos. A realeza e a nobreza, estadistas e astros pop servem-se em pratos ornados com as famosas espadas azuis. Os 200 mil modelos de todas as épocas guardados no arquivo de fôrmas da manufatura são um capital inestimável.

Seus produtos são caros: um conjunto de cinco peças para jantar custa entre 450 e 4500 euros, dependendo da complexidade da decoração. Peças avulsas para decoração e coleção saem por 1000 euros cada. Manter os preços altos pode ser o melhor caminho para assegurar o futuro da empresa.

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