Lula é o homem forte da América do Sul, diz deputado alemão | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 06.05.2006
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Brasil

Lula é o homem forte da América do Sul, diz deputado alemão

Lothar Mark, encarrregado da bancada social-democrata no Parlamento alemão para a América Latina, faz balanço positivo da viagem de Steinmeier à América do Sul. E elogia o papel de liderança regional exercido por Lula.

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Steinmeier: Lula está no caminho certo ao tentar integrar plenamente a Bolívia e a Venezuela no Mercosul

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, deu impulsos importantes para estreitar as relações com a América do Sul durante sua visita esta semana ao Chile, à Argentina e ao Brasil. Ele reforçou a necessidade de avançar nas negociações entre União Européia e o Mercosul e na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Esta foi a avaliação feita pelo deputado federal alemão Lothar Mark (SPD), ao desembarcar em Berlim, na manhã deste sábado (06/05), junto com a delegação de políticos e empresários que acompanhou o ministro na viagem à América Latina. Ele também elogiou Lula como "homem forte" da região.

Em entrevista à DW-WORLD, Mark destacou como um dos resultados concretos dos encontros de Steinmeier com o ministro Celso Amorim e o presidente Lula em Brasília a criação de um Fórum Energético Brasil-Alemanha, destinado a intensificar a cooperação nesse setor. Ao Chile, o ministro alemão prometeu uma ajuda de 53 milhões de euros para projetos na área de energias renováveis.

Bolívia gerou insegurança

A questão energética também foi o assunto dominante dos encontros devido à estatização do gás na Bolívia. "Não se pode proibir o país de fazer isso, mas o presidente Evo Morales deveria ter apresentado imediatamente uma proposta concreta de indenização ou de novos contratos para as empresas envolvidas ", afirmou Mark.

Segundo o parlamentar alemão, a maneira como a Bolívia lidou com seus parceiros gerou insegurança para investimentos na América Latina. Mas isso, acrescentou, não significa uma derrota do pragmatismo econômico pregado por Lula na região diante do populismo antiamericano defendido por Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

"A decisão de Morales não foi uma medida contra a Petrobras ou contra o Brasil, e sim para conseguir contratos mais favoráveis ao país. A Bolívia quer fortalecer sua posição na América do Sul. E Lula está no caminho certo ao tentar integrar plenamente a Bolívia e a Venezuela no Mercosul. Só assim é possível impedir esse tipo de surpresas", disse Mark.

Ele acredita também que a crise entre o Uruguai e a Argentina será resolvida por intermediação do Brasil. "O Uruguai depende do Mercosul", disse. O governo em Montevidéu ameaçou abandonar o bloco, caso a Argentina não permita a construção de duas fábricas de celulose às margens do Rio Uruguai (fronteiriço). A briga entre os dois países já foi parar na Corte Internacional de Justiça em Haia, na Holanda.

Mercosul e UE

O deputado admitiu que, há dois anos, o Mercosul e a UE estavam mais próximos de um acordo de livre comércio do que hoje. Ele espera que a cúpula UE-América Latina, de 11 a 13 de maio em Viena, dê novos impulsos às negociações entre os dois blocos. "Não é por causa de alguns pontos percentuais de divergências que se deixar de fechar um acordo tão importante", avaliou.

Mark prevê que tanto econômica quanto estrategicamente o Mercosul ganhará mais peso nos próximos dez a 15 anos, principalmente se a Bolívia (com suas reservas de gás) e a Venezuela (com seu petróleo) aderirem ao bloco. Isso porque, no mesmo período, países como o Equador, Peru e México devem enfrentar a escassez de petróleo.

O deputado destacou ainda o papel de liderança regional exercido pelo presidente brasileiro. "Os casos de corrupção não arranharam a imagem de Lula no exterior. Ele é o homem forte da América do Sul no cenário internacional, um mediador, que quer avançar na integração da região", disse.

OMC

O presidente brasileiro, visto como principal interlocutor sul-americano pelos europeus, anunciou que tentará arrancar dos 60 chefes de Estado e de governo presente à cúpula de Viena, uma solução para o impasse da OMC.

Steinmeier disse na sexta-feira (05/05), em Brasília, que "os interesses na OMC não são coincidentes e não parece haver disposição para assumir posições mais flexíveis. O processo de negociação entrou em um beco sem saída". Já Amorim falou que "o acordo está próximo e seria uma leviandade deixar essas negociações caírem".

O deputado Lothar Mark disse esperar que haja avanços em Viena. "Mas avanços só podem ocorrer se houver disposição para um acordo. A Alemanha vê a necessidade de um acordo com mais premência do que alguns outros países", adiantou.

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