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Cultura

Lotte Reiniger, pioneira esquecida do cinema de animação

Primeiro longa-metragem de animação não foi feito pela Walt Disney, mas sim por uma berlinense falecida em 1981. Apesar de ser uma influência continuada, Reiniger é mais conhecida no exterior do que em seu país.

São apenas sombras talhadas no papel, de gente, animais e plantas. Mas elas parecem vivas, Lotte Reiniger lhes insuflou vida, recortando-as com tesoura e filmando cada um de seus movimentos, num trabalho altamente minucioso.

Assim, a berlinense nascida em 1899 precisou de três anos inteiros para seu filme As aventuras do Príncipe Ahmed: para cada segundo de filme, produziam-se 24 imagens isoladas, num total de cerca de 100 mil. Com 66 minutos de duração, ele – e não uma produção de Walt Disney, como se poderia pensar – é o primeiro longa-metragem de animação da história.

O trabalho de Lotte Reiniger tinha que ser extremamente exato. Cada figura precisava ser movida com precisão milimétrica na cena, senão seus movimentos não resultavam fluentes, as sombras pareciam sem vida e rígidas. Mas, apesar das conquistas técnicas grandiosas dela e de sua equipe, os filmes da animadora caíram praticamente no esquecimento, na Alemanha.

Inovação técnica

Lotte Reiniger em ação

Lotte Reiniger em ação

A fim de preservar do esquecimento a vida e obra de Lotte Reiniger, estudantes e professores de Ciência da Mídia da Universidade de Tübingen produziram um documentário. Tanz der Schatten (Dança das sombras) mostra a importância da pioneira alemã.

Para a professora Susanne Marschall, Reiniger é uma força inovadora da técnica de animação cinematográfica. "Juntamente com seu marido, Carl Koch, ela desenvolveu uma mesa de animação em vários níveis, sobre a qual pendia uma câmera multiplano."

A invenção do casal consistia de uma mesa com uma abertura no meio, a qual era coberta por uma placa de vidro. Sobre esta repousava papel transparente, com as figuras recortadas arrumadas em cima. A placa era então iluminada por baixo, acentuando as silhuetas das figuras de sombra.

Montando-se várias placas de vidro umas sobre as outras, era possível criar profundidade fílmica, com a impressão de que as figuras se moviam através de paisagens com diferentes planos. Isso servia para imitar de modo excelente o movimento das ondas do mar, por exemplo.

Lotte Reiniger cresceu na Berlim da década de 1920, uma cidade excitante e cheia de vida. Em sua mesa de animação nasceram numerosas obras artísticas, como Cinderela (1920), Carmen (1933), O coração roubado (1933) ou Papageno (1935). Este último, baseado na personagem da ópera mozartiana A flauta mágica, demonstra bem o grau de realismo alcançado por Reiniger com sua técnica.

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Cena de "Papageno", de Lotte Reiniger

Fama no exterior

Em suas películas, a cineasta recorreu insistentemente aos temas de contos de fada, mitos e libretos de ópera: Assim ela se descrevia: "Sou obcecada por balé, filme e teatro, e tenho uma tara por Mozart".

Em 1981, ela faleceu nas proximidades de Tübingen. Na Alemanha, seu nome parece ter caído no esquecimento, mas, em compensação, no exterior ela é conhecida e valorizada até hoje. A produção As aventuras do Príncipe Ahmed pode ser assistida em todo o mundo através das bibliotecas dos diferentes Institutos Goethe, onde é um dos filmes mudos mais emprestados.

No Sudeste da Ásia – em especial na Malásia e na Indonésia, onde o teatro de sombras tem uma longa tradição –, a obra de Reiniger inspira jovens animadores, que seguem trabalhando no estilo da alemã.

E a pioneira do cinema de animação também é admirada na Índia, como constataram a professora de Ciência da Mídia Susanne Marschall e seus colegas. "Havíamos levado o Ahmed como presente e nem precisamos explicar do que se tratava. Já na primeira imagem, todos disseram 'Ah, Lotte Reiniger!'."

Nos meios cinematográficos, assim que silhuetas se movem, vem a referência à animadora e seu trabalho pioneiro. Por exemplo, em Harry Potter e as relíquias da morte, onde um conto de fadas é narrado no estilo da técnica de recortes da alemã.

O animador francês Michel Ocelot já lançou duas produções inteiramente na técnica de silhuetas: Princes et princesses (2000) e Les contes de la nuit (2011). E também a versão animada de Persépolis, de Marjane Satrapi, se inspira declaradamente em Lotte Reiniger.

Portanto, é hora de a Alemanha finalmente redescobrir essa "Grande Dama do Filme de Animação".

Cena de Papageno, de 1935

Cena de "Papageno", de 1935

Autor: Helga Spannhake / Augusto Valente
Revisão: Francis França

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