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Economia

Loja de departamentos: um modelo em crise

O modelo das lojas de departamentos é anacrônico; sua crise pode acelerar o esvaziamento dos centros urbanos.

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Centro de Essen: Karstadt e Sinn Leffers, lojas do mesmo grupo

O conglomerado KarstadtQuelle, nascido em 1999 da fusão da cadeia de lojas de departamentos Karstadt, fundada em 1881, e do gigante das vendas por reembolso Quelle, é o maior da Europa no setor. A crise financeira pelo qual passa já há anos levou o presidente da empresa, Christoph Achenbach, a anunciar na terça-feira (28/09) um amplo plano de saneamento do grupo. Este prevê, entre outras medidas, o fechamento de 77 das atuais 181 filiais das lojas de departamentos e a venda de 15 lojas de roupas ou de artigos esportivos também pertencentes ao conglomerado.

Betriebsversammlung bei Karstadt

Fechado para assembléia dos funcionários

Em assembléias realizadas na quarta-feira (29/09), os quase 80 mil funcionários do conglomerado foram informados das medidas previstas. Quantos dos postos de trabalho estão ameaçados de corte, não se sabe ainda. Para os que se sentem ameaçados, certamente não servirá de consolo o fato de que a diretoria tenha declarado estar disposta a renunciar a uma fatia entre 5% e 10% de seus salários.

Que os sindicatos critiquem e oponham resistência aos planos do conglomerado, é um procedimento esperado em casos como esse. Mas a ampla repercussão entre políticos, entidades e analistas comprova que o problema extrapola o âmbito de crise de uma empresa.

Intervenção de Schröder?

Um dos primeiros políticos a reagir foi o vice-presidente do Partido Liberal, Rainer Brüderle. Contrariando a prática partidária de se bater pela desregulamentação, ele apelou para a intervenção do governo: "O chanceler federal precisa cuidar pessoalmente da situação no comércio varejista. Precisamos imediatamente de um pacote emergencial para todo o setor". Seu apelo já recebeu apoio do social-cristão Johannes Singhammer.

O governo, por sua vez, não está indiferente à crise. O ministro da Economia, Wolfgang Clement, confirmou estar em contato com a empresa: "não queremos que milhares de pessoas sejam postas na rua". Também na Renânia do Norte-Vestfália, o secretário de Economia e Trabalho, Harald Schartau, buscou o diálogo com a diretoria do grupo e com os sindicatos, considerando "os efeitos imensos" que os planos teriam no Estado mais populoso da Alemanha.

Mas o secretário-geral do partido Social-Democrata (SPD), Uwe Benneter, rejeita qualquer intervenção do partido ou do governo federal. Em sua opinião, a responsabilidade pela crise cabe totalmente à diretoria do conglomerado, por não ter tomado a tempo decisões capazes de deter uma crise há muito em andamento.

Modelo ultrapassado

Karstadt Einkaufstüte

Sem a atração das grandes lojas, menos pessoas vão ao centro da cidade

Erros estratégicos são de fato apontados por muitos analistas, segundo os quais os responsáveis da KarstadtQuelle não reconheceram os sinais dos tempos. O modelo da loja de departamentos, que oferece desde o parafuso ao casaco de peles, nasceu há mais de 100 anos. Um época em que a Alemanha ainda tinha um imperador e não existiam cadeias de lojas, que se distinguem pela estratégia agressiva de descontos e produtos baratos. Nem shopping centers cintilantes e hipermercados, e, muito menos, o comércio pela internet.

Há anos vem minguando o número das antes bem-sucedidas e bem freqüentadas cadeias de lojas de departamentos. As melhores condições de sobrevivência, até agora, tem demonstrado o Kaufhof, que está comemorando 125 anos de existência. Há anos que o grupo se reestruturou, introduziu o conceito da "Galeria Kaufhof", que se desfez de grande parte do sortimento e só oferece artigos que vendem facilmente e com grande margem de lucro. "As lojas precisam continuar se especializando, não dá mais para oferecer de tudo", resume um pesquisador do comércio, defendendo uma opinião comum no setor.

Esvaziamento dos centros

Para as administrações municipais, o maior risco decorrente dos planos da KarstadtQuele é que eles acelerem o processo de esvaziamento dos centros urbanos. "Para uma cidade de médio porte, o fechamento de um loja de departamentos pode significar a morte do centro da cidade", adverte Helmut Dedy, especialista em economia da União Alemã das Municipalidades (DStGB).

As lojas de departamentos agem como um ímã sobre os consumidores. Quando uma delas se fecha, todo o comércio varejista da região sente o efeito. As conseqüências se estendem mesmo à infra-estrutura: "A circulação dos ônibus, por exemplo, depende de um determinado número de clientes. Se ele deixa de existir, todo o planejamento precisa ser mudado", lembra Dedy. O diretor-gerente do DStGB, Gerd Landsberg, apela por isso à responsabilidade social do grupo, em entrevista concedida ao diário B erliner Zeitung.

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