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Cultura

Livros salvos pelo gelo

Obras valiosas atingidas pela enchente do século no leste alemão em meados do ano passado são restauradas através de técnica que emprega congelamento seguido de secagem em câmaras de baixa pressão.

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Milhares de obras foram atingidas pela enchente do século

Inimigas do papel por natureza, as águas da enchente que varreu o Leste causaram enormes danos em bibliotecas, arquivos públicos e de igrejas, não só na Alemanha, mas também na vizinha República Tcheca. O resultado é conhecido por todos: a umidade gruda as páginas umas às outras, as letras somem e o mofo trata do resto.

A enchente atingiu cerca de 50 bibliotecas tchecas, danificando mais de 600 mil livros. Em Grimma, na Alemanha, onde o nível das águas chegou aos três metros de altura, a umidade atingiu milhares de documentos e obras históricas nos arquivos da cidade e de um mosteiro. Imediatamente, as obras – em parte livros com mais de 300 anos – foram congeladas e transportadas em contêineres frigoríficos para a recuperação no outro lado do país.

O destino foram os porões do Arquivo Público da Vestfália, em Münster, para as mãos de uma equipe especializada na secagem pelo processo de liofilização, ou seja, secagem por sublimação (passagem direta de uma substância no estado sólido para o estado de vapor, como o desgaste da bolinha de naftalina).

Congelar para depois secar sob pressão reduzida

A liofilização é um processo de secagem e de eliminação de substâncias voláteis usando temperaturas baixas e sob pressão reduzida. O mesmo procedimento é usado na fabricação da sopa em pó ou do café solúvel freeze-dried. No final, os livros e documentos saem ilesos.

"O congelamento é a única possibilidade para evitar danos maiores no papel molhado", adverte o diretor do arquivo em Münster, Rickmer Kiessling. A parte mais importante do trabalho é realizada por quatro armários, do tamanho de geladeiras. Equipados com câmaras de vácuo, estes armários podem armazenar cerca de 1,3 metro cúbico de material. Lá dentro é que os livros retornam à vida.

O truque na sublimação faz com que a baixa pressão dentro das câmaras evapore o gelo, sem que passe pela forma líquida. A água retirada do papel é canalizada por uma serpentina e, por fim, acaba cristalizada num condensador.

"Podemos secar qualquer coisa, não só livros. O preço é 10 euros pelo quilo de papel molhado", esclarece o diretor Kiessling, por cujas mãos já passaram não só livros históricos, também cartas de amor, testamentos, atas de assembléias e outros documentos importantes.

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