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Cultura

Livros autopublicados conquistam mercado alemão

Antes ridicularizados, autores que publicam suas próprias obras obtêm hoje altos níveis de vendagem. Reagindo à concorrência, editoras tradicionais lançam suas próprias plataformas de autopublicação.

Autores que publicam, eles próprios, suas obras, sem esperar pelas graças de uma editora, existem desde os primeiros livros foram impressos. A única diferença é que hoje lançar a própria obra literária não custa quase nada. Bastam alguns cliques pela internet e o e-book já está pronto. Se o autor quiser, também pode optar por cópias impressas, sob demanda.

O fato de qualquer um poder publicar não significa, naturalmente, que o mercado está sendo inundado com literatura de alta qualidade. Mas a qualidade dos livros publicados na Alemanha pelos próprios autores é cada vez mais alta, e as vendas também aumentam.

É o que observa também o especialista em livros eletrônicos Wolfgang Tischer, editor do portal de literatura literaturcafe.de. Ele acompanha há anos o desenvolvimento do mercado. "Há cada vez mais escritores que sabem exatamente como você tem que escrever e para quem, e como se monta uma rede de interessados."

Sucesso pela internet

Um desses autores é Ina Körner, que no começo queria seguir o caminho tradicional. Ela tinha uma ideia, colocou-a no papel e, em seguida, enviou o manuscrito a várias editoras. Isso foi no início de 2009. E o resultado foi decepcionante. Por muito tempo, ela não recebeu resposta alguma, e depois vieram as negativas.

Seu livro era planejado como a primeira parte de uma trilogia, uma história de amor repletade fantasia chamada MondLichtSaga ("Saga ao luar", em tradução livre). Mas, à primeira vista, não parecia que a coisa ia para a frente. Ela deixou o projeto de lado e retornou à vida cotidiana, dando atenção a sua família e seu estúdio de gravação.

Ina Körner

Ina Körner exibe autoren@leipzig Award: história premiada de sucesso

Em meados de 2011, ela soube da possibilidade de publicar, ela mesma, no portal de venda de livros Amazon. Desenhou uma capa junto com o cunhado, e fez o upload do texto. Foi um passo que valeu a pena. "Depois de 14 dias, eu tinha vendido 45 exemplares, coisa que me deu muito orgulho", lembra a autora, em entrevista à DW.

Mas as vendas começaram se reproduzir mesmo perto do Natal de 2011, quando foram compradas 1.500 cópias. "Era muito, para a época. Você já aparece, de repente, em listas específicas. Então, fica mais fácil de os leitores encontrarem você." Com a motivação, a autora, que atua sob o pseudônimo Mara Woolf, escreveu a segunda e a terceira parte da série. Os livros também repercutiram bem, fazendo com que ela tenha decidido fechar seu estúdio e se dedicar totalmente às letras.

Nova opção para autores e editoras

Ina Körner viveu uma daquelas histórias maravilhosas de sucesso. Mas que também mostra como o mercado funciona. Pois, neste meio tempo, várias editoras já a procuraram. "Primeiro, vieram os editores estrangeiros, que me consultaram sobre os direitos para francês, inglês ou coreano." Em seguida, ela foi homenageada na Feira do Livro de Leipzig deste ano com o autoren@leipzig Award para autores de autopublicações. Agora, também recebe pedidos de editoras alemãs, que estão interessadas em projetos futuros.

A autora, porém, nem tem certeza se está mesmo disposta a assinar um contrato com uma editora. "As condições têm que valer a pena. Eu realmente não gostaria de perder meu status como autopublicadora, pois desta forma posso decidir tudo sozinha. Por outro lado, meus livros não chegam às livrarias", reconhece, acrescentando que seria uma coisa que gostaria de ver realizada, mas não a ponto de ter que aceitar qualquer acordo. Os direitos do e-book, por exemplo, ela gostaria de manter também em projetos futuros.

"As expectativas dos autores em relação à editora são maiores", acredita Ina Fuchshuber, do grupo editorial alemão Droemer Knaur. Ela dirige a neobooks, uma plataforma para autores publicarem seus próprios livros, criada pela editora três anos atrás.

A exemplo de muitas outras plataformas similares, nela os escritores podem fazer o upload de seu texto na forma de e-book. A editora recebe uma parcela da receita da venda. O mais importante, porém, é que a Droemer Knaur usa sua própria plataforma para descobrir novos talentos. "Já temos mais de 50 autores que trouxemos para a editora através da neobooks", ressalta Fuchshuber.

Também nesse caso os leitores têm influência no processo, já que os profissionais da editora costumam só analisar mais de perto os textos que recebem uma boa avaliação dos leitores – o que é compreensível, dada a grande quantidade de textos que já integram o sistema: cerca de 17 mil. Ao lançar uma obra encontrada no portal, a editora reduz seus riscos, pois o texto já passou pelo crivo dos leitores.

Editoras ainda atraem

Screenshot der Selbstverleger-Plattform Neobooks

Neobooks: plataforma de autopublicação lançada por editora tradicional

Apesar das muitas oportunidades oferecidas pela autopublicação, a editora continua sendo a primeira escolha para muitos autores. Uma das razões é que, no campo da autopublicação, certos gêneros vão melhor do que outros, como histórias de fantasia e romances policiais – literatura de entretenimento, de consumo mais rápido.

"Para os alunos do Instituto de Literatura Alemã da Universidade de Leipzig, publicar através de uma editora ainda continua sendo o grande sonho", diz o diretor executivo do instituto, Claudius Niessen. "Eles são jovens literatos clássicos que, claro, querem o apoio de uma editora."

Além de serviços como edição e comercialização, uma editora também traz consigo uma certa reputação, a qual, entretanto, nem sempre se reflete em números. "Se você olha para as grandes livrarias, quanto espaço nas prateleiras é dedicado à literatura? Essa é uma área muito, muito pequena, inclusive na parte financeira. E isso sempre foi assim", comenta Niessen.

Por isso, sua instituição tenta transmitir aos alunos desde o início que viver de literatura não deve ser considerada uma meta realista. Embora haja sempre alguns poucos que consigam, a maioria deve buscar outras formas paralelas de subsistência. "É sempre a questão do que você ganha. Claro que ninguém consegue enriquecer, ou somente alguns poucos."

Cultivo de leitores pela rede

As redes sociais da internet têm papel importante no marketing de um livro, seja ele feito com ou sem a ajuda de uma editora. Seja pelo Twitter, Facebook, por blogs ou num site próprio, os autores devem ser ativos nesse meio, para que suas obras não desapareçam entre a massa de publicações.

"A maioria das editoras não dispõe de meios para se dedicar a todos os seus autores da mesma forma", afirma Bruno Back, fundador da Akademie für Autoren, empresa berlinense especializada na assessoria de novos talentos. Ele aconselha escritores principiantes a tentarem estar presentes nessas plataformas. "Não necessariamente em forma de propaganda. A maioria dos leitores prefere a troca de ideias com o autor", ressalva.

Ina Körner teve boas experiências com essa estratégia. Em seu blog, ela se comunica regularmente com seus leitores, e muitas vezes até mesmo recebe sugestões deles – como, por exemplo, quando está procurando nomes para seus protagonistas. Ela também já deixou seus leitores mais fiéis lerem uma amostra do livro antes da publicação. Esse contato, ela não quer perder, mesmo se, um dia, vier a optar por uma editora.

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