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Cultura

Livro revela Alemanha como o país das casas de ópera

Existem cerca de 80 companhias de ópera permanentes na Alemanha. Trata-se de uma riqueza cultural única no mundo. É possível visitar todas? Sim, por meio de uma viagem pelo interior do país e de uma leitura divertida.

Alguns falam abertamente sobre um "infarto cultural", sobre a necessidade ou não de medidas de economia em teatros e museus. Outros preferem olhar para o que o cenário cultural alemão tem a oferecer.

O jornalista Ralph Bollmann dedicou-se durante anos de corpo e alma ao teatro musical e, numa espécie de busca pessoal, visitou quase todas as casas de ópera da Alemanha. Não somente os grandes palcos nas metrópoles, pelo contrário: foram justamente as óperas de província que o cativaram.

Suas andanças estão agora registradas no livro Walküre in Detmold (Valquírias em Detmold, em tradução livre), lançado recentemente na Alemanha pela Editora Klett-Cotta.

Príncipes e mecenas

Em suas viagens, ele descobriu algo impressionante: a coragem de pequenos teatros em realizar produções complexas e o entusiasmo incansável do público. Pois, ao contrário de todos os prenúncios de que Fidelio ou Aida seriam algo somente para a elite burguesa, as salas estão sempre lotadas.

A cada ano, cerca de 10 milhões de pessoas visitam teatros musicais como óperas, operetas e musicais – a mesma quantidade de torcedores que assistem aos jogos da Bundesliga.

A diversidade teatral entre Flensburg e Passau, Krefeld e Chemnitz – ou seja, respectivamente de norte a sul, de oeste a leste – é um legado histórico. Quase metade das casas de ópera alemãs é composta por antigos teatros da corte, fundados e patrocinados por pequenos ou grandes soberanos para elevar sua própria glória.

Bayreuth Walküre 2003

Cidade do interior como metrópole de Wagner: 'A Valquíria' em Bayreuth, em 2003

Ostentação principesca

As casas de ópera se juntaram a palácios senhoriais, coleções de arte de valor inestimável e bibliotecas como parte da ostentação principesca. Somente no século 19, patronos da educação e comerciantes abastados entraram em cena, fundando os chamados teatros municipais. Desenvolveu-se então o que até hoje caracteriza a paisagem cultural alemã: seu colorido, mas também uma espécie de mecenato moderno.

Uma rede inigualável de teatros municipais e federais é financiada na Alemanha por estados e municípios. Que a ópera, como muitas vezes se afirma, sobreviveu a todos os sistemas políticos não é de todo verdade.

Na antiga Alemanha Oriental, por exemplo, teatros multigêneros foram fundados pelas forças de ocupação soviéticas – "mas com o comunismo eles vieram, e com o comunismo eles se foram", escreveu o autor Bollmann. Houve um falta de identificação e de dinheiro.

Cachês e patrocinadores

Também no teatro musical, o desejado dinheiro desempenha um papel importante. Obviamente ele não circulou e não circula de forma abundante em todos os lugares. Os recursos são escassos em muitos municípios. Principalmente no leste da Alemanha registram-se tendências decrescentes e deprimentes. Para economizar em cachês, tais cidades preferem, eventualmente, contratar atores que sabem cantar um pouco no lugar de verdadeiros profissionais de ópera.

Buchcover Walküre in Detmold

Capa do livro 'Valquírias em Detmold'

Nessas cidades, acontece de a orquestra voltar para casa depois de ver a sala quase vazia. Os teatros são banidos para a periferia, em salas improvisadas ou escuras. Os teatros têm que se fundir ou ser fechados.

E muito além das grandes manchetes, uma guerra cultural também se desenvolve no interior do país. Quando o teatro é subversivo e político, ele passa a desagradar grupos neonazistas locais, que não poupam ataques contra artistas participantes.

Há também exemplos bem diferentes: auditórios magníficos, público culto e abastado. Ou simplesmente formado por entusiastas do teatro, que apoiam "seus" palcos municipais, querendo mantê-los vivos.

"Um pequeno milagre"

Os petiscos oferecidos durante as pausas deixam, no entanto, a desejar: espumantes muito doces e pães velhos e secos. Nesse quesito, o autor Bollmann olha com inveja para os destaques culinários nos foyers de Londres ou Milão.

Mas, acima de tudo, com seu livro divertido e informativo, ele deixou claro que mesmo que os sons vindos do fosso de orquestra ecoem ralos e estridentes, mesmo que cantoras e cantoras lutem, ocasionalmente, contra os desafios de seus papéis, muito pode ser descoberto nos palcos de óperas alemães.

E pode-se conhecer muita música maravilhosa por ali, onde o teatro não é somente província, mas sim onde "todas as noites acontece um pequeno milagre".

Autora: Cornelia Rabitz (ca)
Revisão: Mariana Santos

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