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Cultura

Literatura em voz alta

De uns anos para cá, livros feitos para ser ouvidos, em vez de lidos, fazem grande sucesso na Alemanha. Em tempos em que a atenção se torna cada vez mais dispersa, eles contribuem para a redescoberta da literatura.

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Versão alemã gravada do livro de Paulo Coelho

Ouvir com atenção é uma arte em si, que exige disposição de espírito e concentração. Ler em voz alta também pode ser uma forma de arte, e um audiolivro é o produto de um desempenho artístico que exige sensibilidade. É como se o texto fosse uma partitura, que só a voz do narrador é capaz de fazer soar.

Leitura para cegos de guerra

Gravações de obras literárias e peças radiofônicas existem desde fins da Primeira Guerra Mundial. Os discos narrativos de então substituíam a leitura para soldados que tinham perdido a visão nas batalhas. Até hoje continua sendo concedido na Alemanha à melhor peça radiofônica do ano um cobiçado prêmio que foi instituído logo depois da Segunda Guerra pela associação dos cegos de guerra.

As vendas de audiolivros em sua forma atual estouraram apenas de alguns anos para cá. A moda pegou nos Estados Unidos já nos anos 80, tendo deslanchado na Alemanha somente na década de 90. De lá para cá, surgiram no país inúmeras editoras especializadas.

Em outras partes da Europa, a popularidade dos audio books difere de país para país. Na Inglaterra, os CDs de literatura gravada vendem bem; já na Itália eles são pouco apreciados, e na França, menos ainda. Heike Völker-Sieber, da editora Hör-Verlag, de Munique, não sabe bem qual o motivo: "Talvez haja na Itália e na França muito poucas editoras especializadas na gravação de literatura, ou talvez o hábito de ler em voz alta seja pouco difundido."

A audição através dos séculos

Na Idade Média, o ato de ler estava sempre ligado ao de falar: a leitura em voz alta era muito difundida. A tradição foi mantida também na Idade Moderna. Ainda no século 19, lia-se muito em voz alta: poesias, livros e cartas. Com o passar do tempo, diante do avanço da alfabetização, a leitura de um texto foi perdendo sua ligação intrínseca com a voz. Nas famílias, manteve-se quando muito o costume de ler para as crianças, quase sempre antes de adormecerem.

Por sua vez, é justamente esse hábito mantido na infância que contribui hoje para o sucesso dos livros gravados: "Ouvir um audiolivro lembra muito os tempos da própria infância, quando os pais liam em voz alta. Por isso é uma atividade tão relaxante", analisa Heike Völker-Sieber.

Entre texto e cinema

As editoras alemãs contam para este ano com um faturamento de 60 milhões de euros, obtido com as vendas de 800 títulos novos e dos oito mil audiolivros já publicados anteriormente.

"Além dos best-sellers da moda, tais como Harry Potter ou O Senhor dos Anéis, cujas gravações venderam respectivamente 1,5 milhão e 300 mil exemplares, as editoras também gravam muitos clássicos, que sempre têm boa procura", relata a representante da editora muniquense. Segundo ela, até uma obra difícil como A Montanha Mágica, de Thomas Mann, vende bem na versão gravada.

"Um audiolivro é uma mistura de texto e cinema." Quando se ouve, as imagens formam-se facilmente na imaginação, explica Völker-Sieber. Com isso, as pessoas acabam tendo mais facilidade de se concentrar no ato de ouvir do que teriam para ler.

A própria Fundação Ler (Stiftung Lesen) constatou em pesquisa recente que as pessoas não lêem menos, hoje em dia, mas sim de forma mais superficial. Ou o texto é lido "por cima", ou a leitura interrompida em passagens maçantes. Os livros gravados não fazem concorrência aos impressos, afirma Völker-Sieber. "Pelo contrário, quem ouviu com prazer a gravação de uma obra de Kleist ou de Checov, tende mais facilmente a pegar o livro para ler."