1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Literatura busca inspiração na história

Histórias de família e enredos históricos marcam nova geração de romances alemães. A destruição de Dresden pelos aliados é motivo de um polêmico poema de Durs Grünbein.

default

'Um monte de letras mortas? Não, um saco cheio de sementes.' (André Gide)

A prosa de ficção alemã está gerando vertentes mais nítidas do que o ecletismo da última década. Uma forte tendência contemporânea é a do romance histórico e de família. Abandonando o tom intimista e autobiográfico de uma prosa manifestamente "jovem", os autores alemães da nova safra passaram a apostar nos grandes temas da história européia como contexto de suas narrativas.

História e as cartas no sótão

Es geht uns gut von Arno Geiger Hanser (August 2005) Buchcover

'Es geht uns gut' (Arno Geiger)

Um dos livros mais comentados do ano foi o romance de família Es geht uns gut (Estamos bem, Carl Hanser Verlag) do austríaco Arno Geiger (1968, Bregenz), que estreou como romancista em 1997 com Kleine Schule des Karussellfahrens (Pequena escola para andar de carrossel) e recebeu o Prêmio do Livro Alemão, conferido pela primeira vez este ano.

O enredo, narrado da perspectiva de um jovem que herda o casarão da família, cobre três gerações da história da Áustria, de 1938 a 2001. Grande parte da memória familiar, ignorada até então, é redescoberta nos cômodos da vila e nas cartas esquecidas no sótão. A missão arqueológica do protagonista se reflete nas relações familiares, levando a se falar o que nunca fora dito.

Não é à toa que a retomada da história familiar começa com o Terceiro Reich, um capítulo insuficientemente refletido no pós-guerra austríaco. Mas não são os dados históricos que dominam o romance e sim o cotidiano das personagens. O narrador não tenta denunciar a conivência dos antepassados com o nazismo, somente dá vazão às recordações espontâneas de suas figuras.

Buchmesse Frankfurt - Arno Geiger porträtfoto

Arno Geiger

Es geht uns gut foi elogiado pela crítica como um bem-sucedido romance de família, devido à representatividade do enredo, e parcialmente criticado por ser muito consensual. O livro, considerado uma "crônica convincente, dada a distância irônica da narrativa" ( tageszeitung) e um "romance de primeira na literatura alemã contemporânea" ( Frankfurter Rundschau), foi apreciado pela "síntese de conhecimento humano e magia da linguagem" ( Neue Zürcher Zeitung).

Um mundo, duas medidas

O jovem autor Daniel Kehlmann (1975, Munique) atraiu a atenção da crítica e do público leitor com seu romance Die Vermessung der Welt (A medição do mundo, Rowohlt), que ficcionaliza a biografia de dois cientistas alemães, o naturalista Alexander von Humboldt e o matemático e astrônomo Carl Friedrich Gauss.

Daniel Kehlmann auf der Frankfurter Buchmesse porträtfoto

Daniel Kehlmann

A narrativa paralela de ambas as trajetórias parte de um encontro entre Humboldt e Gauss por ocasião do Congresso Alemão de Naturalistas realizado em Berlim, em 1828. Apesar das diferenças entre o racionalista Humboldt e o empiricista Gauss, ambos têm algo em comum: a obsessão pelo factual e o desprezo pelo ficcional. É justamente isso que gera uma tensão irônica com o gênero romance.

Die Vermessung der Welt não é um romance erudito que envereda por assuntos metafísicos. Kehlmann toma um momento da história da ciência alemã como ponto de partida para um divertido romance de aventuras, considerado pela crítica como "o romance alemão mais cômico deste ano" ( Süddeutsche Zeitung).

Pelo cinza russo

Poschmann, Marion Schwarzweißroman Buchcover

'Schwarzweissroman' (Marion Poschmann)

A poeta Marion Poschmann (1969, Essen) estreou na prosa com Schwarzweissroman (Romance em preto-e-branco, Frankfurter Verlagsanstalt), uma mistura de reportagem de viagem e expedição sentimental à Rússia. A narradora conta de sua visita ao pai, um engenheiro encarregado de recuperar a siderúrgica de Magnitogorsk, a legendária cidade operária soviética nos Montes Urais.

Mais do que um balanço da herança socialista e do desgaste da individualidade numa era coletivista, o romance de Poschmann vai buscar na arte suprematista russa – em pintores como Malevitch, El Lissitsky – o referencial estético para descrever o "cinza" da paisagem invernal e a perda de referenciais das personagens.

Marion Poschmann Marion Poschmann wurde 1969 in Essen geboren und lebt heute in Berlin. PORTRÄTFOTO

Marion Poschmann

O romance de estréia de Poschmann foi unanimemente apreciado pela crítica. Domínio da linguagem poética, originalidade das imagens e lirismo descritivo foram as especificidades que a crítica destacou no romance.

A seguir, leia resenha sobre o livro Porzellan: Poem vom Untergang meiner Stadt (Porcelana: epopéia sobre a queda da minha cidade), de Durs Grünbein.

Leia mais