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Cultura

Literatura a ser descoberta: Lituânia é destaque em Frankfurt

A literatura lituana, destaque na Feira do Livro de Frankfurt deste ano, é praticamente desconhecida dos alemães.

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Cartaz deste ano destaca a Lituânia

Depois de ocupada pelos alemães durante a guerra e pelos soviéticos no pós-guerra, a Lituânia é novamente, desde 1990, uma república independente, com aspirações a ingressar para a União Européia em 2004. Sua literatura, que espelha as vicissitudes pelas quais o país passou, é praticamente desconhecida.

Obstáculos políticos ao desenvolvimento

O primeiro livro lituano — um catecismo — já foi impresso em finais do século 16, mas o lituano como língua literária só existe desde a década de 20 do século passado. E mal houve tempo para que ele se desenvolvesse, pois a metade dos escritores fugiu dos russos para o Ocidente, em 1944: "As principais obras do pós-guerra foram escritas no exílio", afirma Marianna Butenschön, autora de um perfil da Lituânia recentemente publicado na Alemanha. No país permaneceram apenas os que se mantinham fiéis a Moscou ou, então, principalmente poetas, que tentavam expressar sua crítica "nas entrelinhas".

Nova primavera literária

A atividade literária só renasceu na Lituânia com a suspensão da censura, em 1989, e com a subseqüente independência do país — o que é válido sobretudo para a prosa, que até então vivera à sombra da lírica. Uma nova geração de escritores começou a se articular, a literatura criada no exílio retornou ao país, acompanhada de traduções de obras ocidentais, manuscritos foram retirados das gavetas onde estavam escondidos.

O recentemente falecido escritor Ricardas Gavelis, por exemplo, publicou em 1989 Pôquer em Vilnius, um romance que já concluíra dois anos antes. Um acerto de contas radical não só com o sistema soviético, mas também com mitos nacionais — o que muitos leitores consideraram um escândalo.

A descoberta do ego

Aliás, muitos dos temas que passaram a ser abordados pelos autores — tais como o eu, ou o próprio corpo — não foram de agrado geral. Afinal, a Lituânia é um país muito católico, esclarece Ausrine Jonikaite, que coordena a apresentação do país na Feira do Livro. Mas os autores mais jovens, que se lançaram depois de 1989, "têm uma maneira muito mais aberta de lidar com a tradição e as formas. Inclusive com o próprio corpo".

Jurga Ivanauskaite, nascida em 1961, teve sérios problemas com seu romance intitulado A feiticeira da chuva, proibido por ser considerado pornográfico, e deixou o país por uns tempos. Hoje ela é, ao lado de Renata Serelyte e Jurgis Kuncinas, uma das mais importantes vozes da literatura lituana. Os três estão entre os 26 escritores que o público alemão terá oportunidade de conhecer durante a Feira de Frankfurt.

Setor incipiente

A literatura está longe da profissionalização na Lituânia. Em comparação com os tempos comunistas, as tiragens são muito modestas. Dificilmente um dos 300 escritores registrados pode viver da escrita sob as condições da economia de mercado agora vigentes.

"A Lituânia", escreve Marianna Butenschön em seu perfil da nação báltica, "é, por assim dizer, um país entre as épocas".

O lema sob o qual ele se apresenta na Feira do Livro de Frankfurt pode ser considerado, portanto, um sinal de esperança: "Lituânia — Continua no próximo capítulo".

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