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Alemanha

Linguagem humana depende de dois aminoácidos

A alteração mínima de um gene comum a humanos e símios, ocorrida há 200 mil anos, determinou a capacidade da fala, segundo as investigações de uma equipe de cientistas alemães.

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O gene da fala humana tem duas diferenças mínimas em relação ao seu correspondente nos gorilas

Uma sequência genética mínima garante aos humanos a capacidade da fala, ausente nos símios. O resultado da pesquisa divulgada no último número da revista científica britânica Nature baseia-se numa descoberta do ano passado que permitiu a localização do gene da linguagem FOXP2 no cromossomo 7. O estudo foi coordenado pelos cientistas Svante Pääbo e Wolfgang Enard, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, de Leipzig, com a participação do Welcome Trust Center for Human Genetics, da Universidade de Oxford.

Diferença mínima do chipanzé

O gene da comunicação verbal FOXP2 foi descoberto no ano passado, através da investigação de membros de uma família que têm dificuldade de se expressar de forma inteligível. Sem controle sobre os movimentos da laringe, da língua e da boca, eles não conseguem articular sons nítidos, cometendo também erros sintáticos.

No novo estudo, os cientistas de Leipzig compararam o gene humano FOXP2 com o seu correspondente em chipanzés, gorilas, orangotangos, macacos rhesus e ratos. Eles constataram três diferenças em relação ao rato e ao orangotango e duas em comparação com os demais símios.

Fala articulada há 200 mil anos

"Não foi o gene que possibilitou a linguagem, uma habilidade que pressupõe operações complexas e envolve diversos genes", relativiza o cientista alemão Wolfgang Enard. No entanto, ele é fundamental. O estudo do ano passado mostrou que pessoas sem duas cópias normais do gene têm problemas de articulação. "Seres humanos com apenas uma cópia funcional do gene têm dificuldades com a linguagem e com os movimentos faciais", afirmou Enard.

O FOXP2, que regula alguns movimentos do rosto e das mandíbulas, já faz parte da estrutura genética de ratos e outros mamíferos há milhões de anos. O gene, longamente conservado, manteve-se praticamente inalterado nos 70 milhões de anos de evolução que separam o rato do homem.

Em todos os seres estudados, sua estrutura é bastante semelhante. A alteração que caracteriza os humanos ocorreu de 120 mil a 200 mil anos atrás. Foi uma alteração mínima de dois aminoácidos que determinou o funcionamento diferente das proteínas regidas por este gene.

A preocupação dos teólogos

De acordo com teorias altamente controversas, os símios e outros primatas teriam condições de desenvolver uma linguagem, caso tivessem a habilidade da fala. Dividindo 98% de seu material genético com o chipanzé, os humanos se singularizam sobretudo pela capacidade de falar e usar a linguagem.

"O mais difícil de assimilar", admira-se John Haught, professor de teologia da Universidade de Georgetown, em Washington, referindo-se à nova descoberta, "é que a linguagem e a cultura podem ter sido extremamente dependentes de uma diferença genética infinitesimal, que permitiu certos tipos de movimentos faciais a nossos antepassados".

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