Lideranças internacionais pedem que Kadafi reconheça derrota | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.08.2011
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Mundo

Lideranças internacionais pedem que Kadafi reconheça derrota

Após forças rebeldes assumirem o controle da maior parte da capital líbia, reações ecoaram mundo afora. A maioria das autoridades pede que Muammar Kadafi reconheça a derrota. UE diz que auxiliará na reconstrução do país.

Rebeldes líbios destroem um retrato de Kadafi

Rebeldes líbios destroem um retrato de Kadafi

Enquanto os rebeldes líbios celebram o iminente fim do regime de 42 anos de Muammar Kadafi, chefes de Estado e lideranças internacionais posicionaram-se sobre a situação na Líbia nesta segunda-feira (22/08).

Em sua maioria, os líderes mundiais saudaram o avanço das forças rebeldes em Trípoli como a última batalha dos seis meses de levantes contra Kadafi, pedindo que o ditador se rendesse para evitar mais derramamento de sangue.

Obama: 'Trípoli está escapando das garras de um tirano'

Obama: 'Trípoli está escapando das garras de um tirano'

Nos Estados Unidos, mais de cem pessoas reuniram-se diante da Casa Branca, em Washington, proclamando "Kadafi deixou Trípoli, a Líbia está livre". Para o presidente Barack Obama, a luta contra o regime Kadafi chegou a um momento decisivo na noite deste domingo. "Trípoli escapa das garras de um tirano", declarou.

"O povo líbio está mostrando que a busca universal por dignidade e liberdade é muito mais forte do que o punho de ferro de um ditador", completou Obama. O presidente disse ainda que Kadafi tem de reconhecer o fato de que não está mais no controle da Líbia e que "precisa abandonar o poder de uma vez por todas".

No Reino Unido

Já o premiê britânico, David Cameron, retornou mais cedo das férias para uma reunião emergencial do Conselho de Segurança Nacional do Reino Unido sobre a Líbia. "A prioridade é garantir a segurança em Trípoli", disse. "Kadafi precisa parar de lutar e mostrar claramente que desistiu de qualquer pretensão de controlar a Líbia." Para o primeiro-ministro, o futuro do ditador deve ficar nas mãos das próximas autoridades líbias.

Cameron disse também que o Reino Unido deve "orgulhar-se" da sua contribuição para a transição da Líbia à democracia. No contexto da chamada Primavera Árabe, Cameron manifestou satisfação pelo fim da ditadura em mais um país.

No entanto, o premiê destaca que, apesar de o povo líbio estar "um passo mais perto de seu sonho", ainda há muito trabalho pela frente. "Nas Nações Unidas, tomaremos medidas para conceder às novas autoridades líbias o apoio legal, diplomático, político e financeiro necessário", afirmou Cameron.

Otan e União Europeia

A Otan, cujos bombardeios aéreos desempenharam um papel-chave para o enfraquecimento da infraestrutura militar de Kadafi, também pediu para que o líder recuasse e desse ao país uma chance de se reerguer.

"O regime Kadafi está claramente se desfazendo", afirmou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen. "Agora é a hora de criar uma nova Líbia – um Estado baseado na liberdade e não no medo; na democracia e não na ditadura; na vontade da maioria e não nos caprichos de alguns poucos."

Enquanto isso, a União Europeia (UE) declarou nesta segunda-feira que auxiliará a Líbia na reconstrução pós-Kadafi. "A luta da população por liberdade atingiu um momento histórico", declararam o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, sobre a decisivas lutas em Trípoli.

Barroso e Van Rompuy anunciaram auxílios à reconstrução econômica e à transição para a democracia. O apoio estaria baseado nos princípios da justiça social e na unidade do país. Para os dois líderes da UE, os acontecimentos na Líbia deram um novo impulso à Primavera Árabe.

Outro que se posicionou foi o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini. Ele disse ser tarde demais para que Kadafi recuse acordos e insistiu para que o ditador enfrente o Tribunal Internacional em Haia. "O exílio foi oferecido de maneira cada vez mais explícita, inúmeras vezes. O prazo agora terminou, o único caminho que resta é o da Justiça – a Justiça de Haia."

Antigos amigos: Muammar Kadafi e Hugo Chávez

Antigos amigos: Muammar Kadafi e Hugo Chávez



Venezuela, China e África do Sul

Lideranças fora dos Estados Unidos e da Europa também manifestaram opiniões sobre os recentes acontecimentos na capital líbia. Hugo Chávez, presidente da Venezuela, continua apoiando solitariamente o regime Kadafi.

"Hoje estamos vendo imagens dos governos democráticos da Europa, juntamente com o governo supostamente democrático dos Estados Unidos, destruindo Trípoli com suas bombas", declarou Chávez, um antigo e fiel aliado do ditador líbio.

A China, por sua vez, foi mais comedida do que o Ocidente e prometeu cooperar com qualquer governo que assuma o poder na Líbia. "A China respeita a escolha do povo líbio e espera que o país retorne à estabilidade em breve e que as pessoas levem uma vida normal", disse Ma Zhaoxu, porta-voz do ministro chinês de Relações Exteriores.

A África do Sul, apontada como um possível exílio para um Kadafi derrotado, pediu pelo rápido estabelecimento de um governo de inclusão na Líbia. "Clamamos às autoridades provisórias em Trípoli para que instituam imediatamente um diálogo político abrangente, com o objetivo de construir um regime verdadeiramente representativo e centrado nas pessoas", declarou a ministra do Exterior sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane.

A Rússia, por outro lado, recusou-se a comentar a iminente queda de Kadafi, declarando simplesmente que "estaria monitorando cuidadosamente a situação em Trípoli."

LPF/afp/dpa/dapd/rtr
Revisão: Carlos Albuquerque

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