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Mundo

Liberdade ainda que tardia

Libertada, a arqueóloga alemã Susanne Osthoff deverá passar este Natal com sua filha. Críticas surgem à sociedade civil alemã, que se omitiu, na opinião de alguns analistas.

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Agradecimentos pela liberdade de Susanne Osthoff: um sinal de solidariedade

Uma onda de alívio acompanhou a notícia da libertação da arqueóloga alemã de 43 anos Susanne Osthoff neste domingo (18/12). A arqueóloga, convertida ao islamismo e que há mais de dez anos trabalhava no Iraque, e o seu motorista iraquiano haviam sido seqüestrados em 25 de novembro último.

O ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, telefonou na manhã desta segunda-feira para a embaixada alemã em Bagdá, pela qual foi informado do desejo imediato de Osthoff de passar o Natal com sua filha, que vive na Baviera, e de evitar aparições públicas.

Em entrevista à rede de televisão N24, o irmão da seqüestrada, Robert Osthoff, informou que Susanne já se encontrava no aeroporto de Bagdá, preparando-se para deixar o Iraque.

Pedidos que foram escutados

O silêncio ainda reina sobre o caso. Não se sabe se foi pago resgate. Este silêncio leva a especulações de que o governa queira, de alguma forma, proteger os seqüestradores.

De forma superficial, sabe-se que os motivos que levaram ao seqüestro de Osthoff não foram políticos, nem financeiros. Segundo informações da rede de televisão ZDF, os seqüestradores a teriam tomado por uma espiã.

Os apelos da família Osthoff e também de políticos como Gerhard Schröder repercutiram nos ouvidos dos seqüestradores e a notícia de sua liberdade tirou um peso que há varias semanas pairava sobre o governo alemão.

Ingrid Hala stößt mit ihrem Mann auf die Freilassung der Tochter Susanne Osthoff an

Os pais da arqueóloga comemoram a sua liberdade

Além de Schröder, a chanceler federal Angela Merkel, o presidente Horst Köhler e representantes eclesiásticos em geral manifestaram a sua solidariedade em prol da liberdade da arqueóloga. Estes apelos também foram em parte divulgados pela mídia árabe.

A liberdade de Osthoff foi particularmente bem recebida pelo Conselho Central dos Muçulmanos da Alemanha, uma das entidades que mais se engajaram na libertação da arqueóloga.

Terrorismo não poupa inocentes

O seqüestro de jornalistas franceses já havia demonstrado que a posição assumida pela França contra a intervenção no Iraque não impediu que seus cidadãos fossem seqüestrados.

Segundo Peter Philipp, analista da Deutsche Welle, o mesmo acontece agora com a Alemanha, e o seqüestro da arqueóloga é mais uma prova de que uma das principais características do terrorismo é não poupar inocentes, já que Osthoff faz parte dos estrangeiros que estão no Iraque não pelo lucro, mas pelo amor ao país.

Entretanto, diferente das manifestações em massa na França e na Itália em prol da liberdade de seus cidadãos seqüestrados, sentiu-se falta da sociedade civil alemã no processo de libertação de Susanne Osthoff.

Turcos engajados, alemães em feirinhas de Natal

A onda de solidariedade que reinou entre os políticos alemães e entre os amigos e a família de Osthoff não chegou, na opinião de Philipp, à população alemã em geral.

Mahnwache für Susanne Osthoff

Vigília de solidariedade organizada pela Comunidade Turca na Alemanha no Portão de Brandemburgo

Segundo o jornalista, os alemães deram mais importância às feirinhas de Natal do que a manifestações como a organizada em Berlim, no Portão de Brandemburgo, em 14 de dezembro último, pela Comunidade Turca na Alemanha, que reúne cerca de 230 organizações.

Também presente à manifestação, a vice-presidente do Parlamento, a deputada verde Katrin Göring-Eckardt, afirmava a importância dos sinais dados pelo mundo muçulmano em favor da liberdade de Susanne Osthoff.

Para Peter Philipp, o caso Osthoff deve ficar como lição para todos os alemães: "Somente posicionar-se contra uma guerra não é suficiente, deve-se também cuidar das vítimas. Susanne Osthoff o fez e tornou-se também uma vítima. A sua libertação deve nos levar à reflexão, principalmente nestes dias que antecedem o Natal".

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