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Cultura

Liao Yiwu recebe Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão

Dar voz aos perseguidos na China é o objetivo do escritor chinês. Em Frankfurt, autor foi reconhecido com o prestigiado prêmio pelo conjunto de sua obra e por sua coragem ao posicionar-se contra a opressão política.

"Esse império precisa se desfazer", repetiu mais de uma vez o escritor chinês Liao Yiwu em seu discurso de agradecimento na igreja Paulskirsche, em Frankfurt. Neste domingo (14/10), o autor recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão pelo conjunto de sua obra.

Em sua fala, Liao também criticou o Ocidente. Sob o pretexto do comércio livre, empresas agem como carrascos, alertou. Para o escritor, é equivocado acreditar que o crescimento econômico chinês implicará automaticamente reformas no país.

Enquanto Pequim gostaria de silenciá-lo, o júri do prestigiado prêmio livreiro concedeu-lhe  25 mil euros por sua coragem destemida para se rebelar "contra a opressão política". Liao dá voz os injustiçados de seu país, justificou o júri.

Além do presidente alemão, Joachim Gauck, muitas celebridades participaram da cerimônia de premiação – considerada um dos destaques da Feira do Livro de Frankfurt e tradicionalmente realizada no último dia do evento.

Escrever para libertar

"Escrever é uma forma de lutar pela liberdade", disse certa vez o vencedor do prêmio. Aos 54 anos, o escritor lutou a vida toda pela liberdade na China. Nascido em 4 de agosto de 1958, ele cresceu na pobreza e logo foi considerado um talentoso poeta.

Como jovem autor e crítico da sociedade chinesa, virou alvo das autoridades e foi proibido de escrever. Liao foi condenado a quatro anos de prisão após seu poema Massacre antecipar a sangrenta repressão do movimento democrático na Praça da Paz Celestial de Pequim, em 1989.

Fuga para a Alemanha

Liao Yiwu - chinesischer Schriftsteller und Preistraeger des Friedenspreises des deutschen Buchhandels 2012

Liao: "Escrever é uma forma de lutar pela liberdade"

Liao tentou mais de uma vez obter um visto para poder deixar a China. Sem sucesso. Até mesmo quando a China foi o país homenageado da Feira do Livro de Frankfurt de 2009, o escritor não pode comparecer ao evento.

Em julho de 2011, Liao decidiu fugir para poder publicar seu livro Für ein Lied und hundert Lieder (Para uma canção e cem canções, na tradução livre) – diário que relata os maus-tratos que sofreu no período vivido na prisão. Passando pelo Vietnã, ele consegue viajar para Alemanha e se estabelece na capital Berlim, onde vive até hoje.

Feira de Frankfurt

Na Feira do Livro de Frankfurt deste ano, Liao lançou o livro Die Kugel und das Opium (A esfera e o ópio, na tradução livre). Para escrevê-lo, o autor entrevistou secretamente e durante anos testemunhas oculares e sobreviventes do massacre da Praça da Paz Celestial.

Liao distanciou-se de seu conterrâneo Mo Yan, vencedor do Prêmio Nobel da Paz na quinta-feira (11/10). Mo é um "autor estatal", que representa o regime comunista, considera. Seus amigos na China perguntaram-se, tendo em vista o Nobel conquistado por Mo Yan, se o Ocidente seria uma espécie de extensão do sistema chinês.

Liao vê a sua premiação como uma obrigação especial de se posicionar contra a opressão e a violência. "Desde que fui informado sobre a decisão do júri, me engajei em diversos eventos e com diferentes apelos pela liberdade de outros", diz.

O Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão existe desde 1950. Autores de renome internacional estão entre os vencedores, incluindo Hermann Hesse e Mario Vargas Llosa.

LPF/ap/dpa/epd/afp
Revisão: Mariana Santos

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