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Mundo

Leste alemão pode decidir eleições no país

Embora apenas 20% dos eleitores alemães vivam no leste do país, a região registra o maior número de indecisos em intenção de voto. Boa parte dos chamados "Ossis" não consegue identificar-se com um partido específico.

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Balas distribuídas pelos neocomunistas do PDS em campanha eleitoral

A fidelidade dos alemães que vivem no leste do país a um determinado partido é consideravelmente menor do que a dos habitantes da ex-Alemanha Ocidental. Em 1990, por exemplo, um ano após a queda do Muro de Berlim, as primeiras eleições de uma Alemanha reunificada trouxeram a vitória triunfal dos democrata-cristãos. Foi a forma dos chamados Ossis (habitantes do leste alemão) agradecerem ao "chanceler da unidade alemã", Helmut Kohl.

Oito anos mais tarde, grande parte dos antigos eleitores passou a depositar seu voto de confiança nos social-democratas, de tal forma que se falou na vitória como um presente dos alemães orientais a Gerhard Schröder. Hoje, passados mais quatro anos, o atual chanceler e o candidato da oposição, Edmund Stoiber, disputam cada voto da região.

Desemprego – Para a surpresa geral, o bávaro Stoiber lançou a melhoria da infra-estrutura no leste do país como a prioridade máxima na sua campanha. "35% dos desempregados do país vivem, infelizmente, na antiga Alemanha Oriental. Schröder teve a capacidade de piorar a situação por ele herdada. As pessoas perderam ainda mais as esperanças", propaga Stoiber a quatro cantos.

A reconstrução do leste alemão havia sido assumida por Schröder, em 1998, como um das premissas de seu governo. No entanto, a corrida dos antigos territórios comunistas atrás dos padrões de vida do oeste do país parece não ter fim. Cerca de 20% dos habitantes do leste estão hoje desempregados e a evasão dos jovens é um dos principais problemas enfrentados pela região.

Construção civil – Não se pode, no entanto, creditar as razões disso apenas aos últimos quatro anos do governo de coalizão verde-social-democrata. O rasteiro crescimento econômico do leste alemão tem uma explicação lógica: o boom da construção civil, vivido pela região logo após a reunificação do país – quando muita coisa foi restaurada e construída – chegou ao fim.

O governo atual, apesar dos cintos apertados em tempos de crise, não deu totalmente as costas à região: programas especiais para educação de jovens foram criados e o chamado "Pacto da Solidariedade" foi firmado, com o objetivo de fazer fluir 156 bilhões de euros para o leste do país até o ano de 2019. Se Schröder não conseguiu cumprir as promessas da campanha eleitoral anterior, isso os Ossis já conheciam dos tempos do democrata-cristão Helmut Kohl.

Inundações – Segundo pesquisas atuais de intenção de voto, a maioria dos habitantes dos estados da ex-Alemanha Oriental acredita que o país estará em melhores mãos, se governado por Schröder do que por Stoiber. As recentes inundações que assolaram o país contribuíram para firmar cada vez mais essa tendência. O lema da plataforma social-democrata? Não deixar que o leste afunde cada vez mais. Desta vez, também no sentido literal do termo.

Após as enchentes, o governo assegurou às vítimas que todas as empresas que sofreram danos em função das águas iriam receber ajuda estatal, "não ficando em situação pior do que já estavam antes". Uma promessa, segundo avalia a oposição, "impossível de ser cumprida", uma vez que os prejuízos causados pelas inundações chegam aos 16 bilhões de euros. Por detrás da catástrofe das enchentes, foi-se esmaecendo até mesmo o grande trunfo do governo verde-social-democrata: um crédito de bilhões de euros para a criação de empregos na região.

Competência – Segundo pesquisas de opinião, os eleitores "orientais" acreditam que o candidato da oposição, Edmund Stoiber, chega a ser até mais competente que Schröder no planejamento econômico. No entanto, faltaria ao bávaro da União Social Cristã (CSU) a vontade política de fazer algo pelo leste do país. "A maioria das pessoas aqui ainda não esqueceu que Stoiber só se propôs a conhecer a região no início deste ano", comenta Gabi Zimmer, presidente do Partido do Socialismo Democrático (PDS).

Neocomunistas – O PDS é, inclusive, o terceiro partido mais votado nos estados que pertenciam à ex-Alemanha Oriental, dividindo o bolo com a União Democrática Cristã (CDU) e o Partido Social Democrático (SPD). Escolhidos por cerca de 20% dos eleitores na região (CDU e SPD têm pouco mais de 30%), os neocomunistas vêem-se como os autênticos representantes dos alemães do leste.

As ofensivas de outras facções na região são vistas por eles como uma invasão de território. No entanto, depois que Gregor Gysi, o principal líder do partido, anunciou o abandono da vida pública, o contingente de eleitores do PDS tende gradualmente a murchar.

Três "is" – Se as ideologias dos partidos que lutam pelos votos no leste alemão diferem-se – e como –, o mesmo não se pode dizer de suas plataformas econômicas em relação à região. As propostas básicas, chamadas de "três is" – infra-estrutura, investimento e inovação – são tidas por todos os partidos como essenciais para trazer mais empregos à região, evitando com isso o êxodo em massa da população jovem.

O que distingue estas eleições das passadas, para o leste alemão, é a falta de ilusões. Com Helmut Kohl – a "relíquia da guerra fria", segundo o semanário Die Zeit – os Ossis eram ainda eram vistos como parte de um mundo dividido entre amigos e inimigos. A ex-Alemanha Oriental, selada de provinciana e obsoleta. Propagava-se a necessidade urgente de correr atrás do bonde capitalista, o mais rápido possível. Hoje, mais de uma década depois, embora a região continue de certa forma à mercê do resto do país, os políticos do primeiro escalão se desdobram para convencer os eleitores locais. Afinal, são eles, ironicamente, que podem vir a definir quem governará a Alemanha.

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