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Cultura

Lentidão da diplomacia contrasta com rapidez da internet, diz ministro alemão

No Global Media Forum da DW, Frank-Walter Steinmeier lamenta que, no acelerado universo midiático global, os lentos esforços pela paz sejam menos populares do que as cruéis e imediatas imagens da guerra.

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Ministro Frank-Walter Steinmeier no GMF

"Gostaria de estar trazendo algo assim como notícias de última hora", comentou o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, nesta terça-feira (01/07) no Global Media Forum (GMF), evento promovido pela DW na cidade de Bonn.

O chefe de pasta mostrava-se visivelmente decepcionado com a mais recente rodada de conversações entre a Ucrânia e a Rússia, a qual teve a participação da França e a Alemanha. Pois na noite da véspera esteve-se "bem pertinho" de um consenso "que nos teria concedido mais do que uma pausa para respirar", lamentou.

Ukraine Präsident Petro Poroschenko 18.06.2014

Negociações decepcionantes para presidente Poroshenko

Em seguida às negociações fracassadas, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, cancelou o cessar-fogo nos combates entre as forças armadas nacionais e os separatistas pró-russos no combalido leste do país.

Steinmeier espera, no entanto, que seja possível encontrar uma solução diplomática nos próximos dias. Pois só através de negociações será possível evitar que continue o derramamento de sangue na Ucrânia. Um controle conjunto da fronteira russo-ucraniana pelas duas nações poderia evitar que armas vindas da Rússia continuem entrando na Ucrânia Oriental, disse o ministro.

Imagens velozes, política lenta

O chefe da diplomacia alemã pode não ter trazido notícias inéditas, mas mostrou ter um posicionamento definido em relação à internet e à realidade midiática na era digital. Ao preparar sua apresentação para o congresso de mídia, ele diz ter pensado nas seguintes linhas:

"Se eu quiser ser moderno, meu discurso só pode ter um título, que deve ser mais ou menos assim: '15 facts about foreign policy, that will blow up your mind' [15 fatos sobre política externa que vão te fazer pirar]. Mas a minha linguagem de Buzzfeed infelizmente ainda não está tão desenvolvida assim."

O problema é, prosseguiu, que tanto a política quanto os meios online sofrem com a ditadura dos cliques. "A audiência medida em cliques precisa, acima de tudo, de uma coisa: imagens numerosas e imediatas. E nesse ponto eu temo um pouco que a política externa fique em desvantagem."

As fotos, em parte drásticas, que diariamente chegam às pessoas através das câmeras de celulares e das redes sociais têm uma consequência fatal, ressaltou o ministro social-democrata. Elas criam uma expectativa: de que a fonte dos atos de crueldade mostrados seja retirada do caminho o mais rápido possível, não importa por que meios, "e, ao contrário dessa avalanche de imagens, os métodos da política externa parecem estranhamente lentos".

A diplomacia não possui nem instrumentos de coerção nem poder de comando, mas depende de negociações que vão noite adentro, em quartos de hotéis – como foi o caso no encontro entre ucranianos e russos desta segunda-feira. Mas isso não rende boas fotos. O que significa que, em nosso acelerado universo midiático digital, os esforços pela paz impressionam bem menos a opinião pública do que as cruéis imagens da guerra.

Frank-Walter Steinmeier aludiu a mais um dilema: à medida que os conflitos se tornam cada vez mais complexos, cresce a necessidade de dividir o mundo em bom e mau, branco e preto. "Mas a realidade desse mundo complexo simplesmente não se deixa acomodar segundo critérios simplórios assim."

GMF Global Media Forum 2014

Boa frequência no Global Media Forum 2014

O cinza da incerteza

Na crise da Ucrânia, isso se manifesta claramente: "Só preciso abrir minha página do Facebook para ver mais ou menos o quanto esse processo avançou. Toda vez que me posiciono sobre a política externa, vivencio sempre um duplo shitstorm: de um lado, aqueles que mostram em seus comentários que, para eles, o barulho das espadas nunca é alto o bastante. E do outro lado, os que me acusam de incitar à guerra."

Segundo ele, uns o acusam de compreender e aceitar excessivamente os argumentos dos russos; outros, de apoiar os "fascistas em Kiev". Ainda assim o ministro vê nas novas mídias uma grande chance: com a possibilidade de entrar em contato direto com os cidadãos nas redes sociais, ele também tem aprendido muito, afirma.

Por isso, apelou aos jornalistas para que façam jus à própria responsabilidade. "Não devemos cair na tentação de desenhar em preto-e-branco lá onde impera a cor cinza da incerteza. Ou onde simplesmente precisamos partir do princípio de que verdades conflitantes, realidades conflitantes, estão se combatendo – o que já descarta o preto-e-branco."

Também na crise da Ucrânia, explicou Steinmeier, é preciso reconhecer que há diferentes pontos de vista, a partir dos quais se originaram as diferentes lembranças históricas.

Contudo, também por dois outros motivos a internet é um desafio para a política externa: por um lado, esta vive de fronteiras, enquanto a rede global não mais possui tais barreiras. Por outro, a competência da política externa continua sendo no âmbito dos Estados, enquanto há muito o controle sobre os dados informáticos está nas mãos de empresas privadas.

Tudo isso demonstra a necessidade de regras unificadas para uma rede digital global, completou Steinmeier no Global Media Forum. Por isso é necessário um debate consequente sobre o que está por trás das manchetes sobre o escândalo da NSA. Normas internacionais precisam, de um lado, garantir a liberdade na internet; do outro, a preservação da privacidade.

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