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Cultura

Lembranças desordenadas de um ator

Considerado o ator alemão mais adorado pelo público, Mario Adorf presenteia fãs e admiradores com suas memórias, escritas do alto de seus 74 anos.

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Mario Adorf: registros de uma trajetória

O registro da própria memória não é privilégio dos “mais velhos”. O ator alemão Mario Adorf, hoje com 74 anos, resisitiu, contudo, por longos anos, a colocar suas lembranças no papel, que chegam enfim ao público alemão em março de 2004. O volume traz desde pequenas histórias da infância do ator em uma pequena cidade localizada na região do Eifel (oeste alemão) até detalhes do universo internacional do cinema.

Lembrança fragmentada

As lembranças surgem de forma caótica na memória, escreve Adorf no prefácio do livro. É quando ele começa a contar como foi levado, aos três anos de idade, a um orfanato católico, pois sua mãe – uma costureira que não contava com a ajuda de ninguém – não conseguia criá-lo. Algumas páginas adiante Adorf faz uma pequena incursão a 1963 – ano em que o então presidente norte-americano John F. Kennedy era assassinado – que serve para Adorf fazer uma série de digressões sobre a sina de algumas famílias acometidas por tragédias.

Uma alusão aos próprios problemas? Às dificuldades de seu dia-a-dia na ausência do pai, em uma região distante dos centros urbanos e essencialmente religiosa? O assunto, contudo, resume-se para o leitor às especulações: azar, desespero, medo – Mario Adorf silencia sobre esta fase de sua vida. Talvez por não querer incomodar o leitor com tais lembranças. Talvez para poupar a si mesmo.

Credibilidade e autenticidade

E extamente este, considerado o ator alemão mais adorado, tem certamente suas experiências com esta forma de não querer importunar seus admiradores. “Acredito que todos aqueles que falam bem da minha pessoa encontram uma certa confiança, uma autenticidade e uma identidade naquilo que sou, no que digo e no que faço”, observa Adorf em entrevista à Deutsche Welle.

O que importa, para o ator que hoje vive em Roma, é a autenticidade. Tanto na vida, quanto no palco. Como ele pôde provar ao encarnar os mais diversos papéis, desde o mexicano no western Sierra Charriba (1964), de Sam Peckimpah, passando pelo Grande Bellheim (1992, produção para a tevê), até o chefe da máfia em Der Schattenmann ( O Homem das Sombras), de Dieter Wedels, um policial em cinco episódios, exibido pela televisão alemã em 1995.

Filmes em vários idiomas

Volker Schlöndorff und Mario Adorf

Volker Schlöndorff e Mario Adorf

Mario Adorf não é apenas um ator cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, mas é também escultor, pintor, cantor e escritor. Nos últimos 40 anos, atuou em cerca de cem filmes, tendo trabalhado com os melhores diretores europeus e ao lado de atores conhecidos mundialmente.

Capaz de atuar sempre no idioma original dos atores com quem contracena, Adorf já dialogou em italiano com Marcello Mastroianni, atuou em francês em filmes de Claude Chabrol, inglês sob a direção de Sam Peckimpah e em alemão, sua língua materna, em longas de Volker Schlöndorff e Rainer Werner Fassbinder.

Seu namoro com Hollywood, considerado pelo ator como não exatamente bem-sucedido, já foi resumido por Adorf de maneira não muito amável: “Não temos nada a fazer neste país”, afirmou o ator em 1980, por ocasião da cerimônia de entrega do Oscar a O Tambor, de Schlöndorff.

Sem ser gênio, mas genialmente versátil

Na Alemanha, Mario Adorf pode se dar por satisfeito pela ressonância que seu trabalho provoca e pela forma como é tratado pela crítica. Mesmo considerando que o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung certa vez escreveu que Adorf seria um ator popular, mas de forma alguma um gênio.

“Nunca acreditei que eu fosse, em qualquer área, genial. A profissão de ator requer uma diversidade de talentos, para que se possa expressar, no fim das contas, o que se quer. Eu sempre me vi como alguém que tem vários talentos, mas nunca, nem de longe, acreditei ser um gênio”, responde o ator.

Adorf recebeu durante sua carreira incontáveis prêmios e é tido como o ator alemão mais bem pago do país. Aquele que cresceu na região montanhosa do Eifel, vive em Roma, é casado com uma francesa, oferece a seus admiradores o prazer de desfrutar em 256 páginas de suas desordenadas memórias, como já avisa o próprio título do volume autobiográfico ( Himmel und Erde. Unordentliche Erinnerungen, editora Kipenheur und Witsch, 18,90 euros).

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