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Alemanha

Leitores da DW opõem-se à participação alemã em guerras

Enquete realizada pela Deutsche Welle revela rejeição de brasileiros à participação da Alemanha em conflitos armados.

Dentre as 427 opiniões registradas pela Deutsche Welle, apenas 106 foram favoráveis à atuação de tropas alemãs em conflitos armados. 230 pessoas pronunciaram-se contra a participação da Alemanha, 71 afirmaram que "o tema cabe exclusivamente aos alemães" e 20 abstiveram-se de dar qualquer opinião a respeito.

O debate foi ilustrado pela crise que afeta o Partido Verde, dividido entre políticos defensores da participação do país nos ataques militares ao Afeganistão - como o ministro do Exterior, Joschka Fischer - e pacifistas convictos do não a qualquer espécie de ação militar. O conflito quase derrubou a coalizão social-democrata-verde, que governa o país, e provocou acirrados debates na convenção do Partido Verde no último final de semana, em Rostock.

Para o sociólogo e professor da Universidade Livre de Berlim ( Freie Universität Berlin), o brasileiro Sérgio Costa, o resultado da enquete feita pela Deutsche Welle espelha provavelmente a opinião de brasileiros que acompanham e mantém um bom nível de conhecimento sobre a política internacional. Segundo Costa, dois fatores podem ter influenciado a rejeição dos leitores da DW à participação da Alemanha em intervenções militares.

Pacifismo - O primeiro desses fatores seria um certo "antiamericanismo" presente no Brasil. "Uma posição contra a guerra, por entender que ela foi movida pelos Estados Unidos. E apoiar a participação da Alemanha significaria apoiar a posição norte-americana", de acordo com Costa. O segundo fator que explicaria a rejeição dos brasileiros à presença alemã em um conflito armado teria menos a ver com o medo de que o país participe ativamente de uma guerra e mais "com o perfil das pessoas que respondem a uma enquete como essa, que são provavelmente críticas por princípio em relação à guerra. Por serem defensoras do pacifismo ou por outras questões envolvendo conflitos de valores".

Diferencial - Para Costa, o brasileiro que se interessa pela participação ou não da Alemanha em conflitos armados, interessa-se via de regra "pelo que há de diferente na política alemã, como por exemplo pelo papel exercido pelo Partido Verde. E essas pessoas são tendencialmente contrárias à guerra. Seguramente a posição é movida pela oposição à intervenção militar em si, independente do país que a faça", conclui Costa.

O receio a uma atuação da Alemanha em conflitos armados atrelado ao papel do país durante a Segunda Guerra Mundial não está, segundo o sociólogo, estreitamente ligado à rejeição mostrada na pesquisa. "Provavelmente os participantes da enquete não são necessariamente pessoas que carregam viva a lembrança da Alemanha na Segunda Guerra Mundial", observa Costa.

Dogmáticos & Realistas - Para o sociólogo brasileiro, a crise que afeta os verdes no momento "reflete um dilema que sempre existiu no interior do partido: o conflito entre dogmáticos e realistas. A diferença é que os chamados realos - a ala pragmática dos verdes - ganharam no atual governo um peso político que não tinham antes".

A atual discussão sobre a participação da Alemanha nas intervenções militares no Afeganistão "levou ao extremo essa tensão", na opinião de Costa. "O partido já perdeu e pode continuar perdendo eleitores". No entanto, "existe uma clientela fiel ao PV que não é atendida por nenhum outro partido" no cenário político alemão. "Esta vai ser atendida de alguma maneira", o que deverá certamente garantir a sobrevivência dos verdes a longo prazo.