Leite alemão mata bebês em Israel | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 12.11.2003
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Alemanha

Leite alemão mata bebês em Israel

Produtor alemão admite série de erros com o seu leite de soja em pó, que causou a morte de dois bebês em Israel. Falta a vital vitamina B1 no produto, por causa de falhas humanas nos cálculos e controle de qualidade.

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Bebê doente depois de ingerir leite de soja da Humana Milchunion

O vilão do escândalo é o grupo Humana Milchunion, uma das dez maiores fornecedoras de leite da Europa. Israel é um dos 30 países para onde vão suas exportações. Depois que o serviço secreto israelense se engajou na investigação de uma suposta sabotagem, a Humana admitiu, em Herford, que falta a vitamina B1 no seu leite Remedia Super Soja I, em conseqüência de cálculos errados de químicos e falhas igualmente humanas no controle de qualidade do produto.

A despeito da confissão do produtor alemão, o Ministério da Saúde de Israel sustentou que a responsabilidade é do importador israelense Remedia. Inicialmente, noticiou-se que três bebês haviam morrido e outros 20 estavam gravemente enfermos. O Ministério em Israel confirmou, todavia, a morte só de dois e esclareceu que um terceiro bebeu o leite alemão apenas algumas vezes e no mais foi amamentado.

A titular do Ministério da Agricultura e Defesa do Consumidor da Alemanha, Renate Künast, levou dias para se manifestar sobre o escândalo, mas acabou cobrando um esclarecimento completo das causas. A política do Partido Verde ordenou, por meio de uma carta às autoridades competentes em todos os estados alemães, que intensifiquem a vigilância em todos os produtores de alimentos para bebês. O Ministério Público de Bielefeld, por sua vez, anunciou que está investigando uma funcionária da firma Humana sob suspeita de homicídio involuntário.

Erro confesso - Enquanto a ministra exigia uma investigação profunda das circunstâncias da produção defeituosa do leite, "para que não se repita mais um resultado tão fatal", o diretor da Humana, Albert Grosse Frie, anunciava em Herford que houve um encadeamento de circunstâncias infelizes. Ele assumiu a responsabilidade pela dose errada de vitamina B1 no leite e lamentou a morte dos bebês israelenses causadas pelo produto.

Frie apresentou à imprensa o resultado do exame que encomendara a um instituto independente: "Foram constatadas no leite Remedia Super Soja I quantidades entre 29 e 37 microgramas de vitamina B1 por 100 gramas e estes valores situam-se muito abaixo do declarado no produto, de 385 microgramas por 100 gramas do alimento".

Os químicos cometeram o erro fatal de cálculo no início de 2003, quando foi modificada a fórmula do produto. "Nisto os dados da receita foram interpretados de forma errada e este erro de cálculo levou à suposição de que o teor de vitamina do leite era, naturalmente, no valor desejado. Daí, portanto, não seria necessário adicionar mais vitamina B1", esclareceu o diretor da Humana. O erro também passou despercebido nos exames feitos por um laboratório externo em Kiel e assim o produto foi exportado para Israel.

O escândalo representa um duro golpe contra o setor de alimentos para bebês na Alemanha. Peritos incorreram no erro de supor que as firmas nacionais trabalhavam com o maior esmero, até que a Humana se viu obrigada a admitir um fracasso próprio na produção e no sistema de segurança de qualidade. Ao confessar esta falha para a imprensa, o seu diretor Fries garantiu, todavia, que não existe perigo para consumidores do leite de soja em outros países.