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Brasil

Leilão de Galeão e Confins gera "disputa desastrosa", diz operadora de Munique

Empresa alemã critica relaxamento dos pré-requisitos do leilão e diz que muitos consórcios – dos quais fazem parte também empreiteiras – estão de olho apenas nas obras e não na melhor administração dos terminais.

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Aeroporto de Galeão recebe cerca de 17,5 milhões de passageiros por ano

Seis consórcios formados por empreiteiras nacionais e operadoras internacionais de aeroportos devem disputar, no dia 22 de novembro, a segunda rodada de privatização dos aeroportos brasileiros. O processo, no qual estarão em jogo os terminais do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte, está longe de ser uma unanimidade – principalmente entre as empresas estrangeiras.

Em entrevista à DW Brasil, Thomas Weyer, diretor de finanças e de infraestrutura da operadora que administra o Aeroporto de Munique, diz que o leilão é mal estruturado e possibilita a entrada de consórcios que, segundo ele, visam apenas lucrar com as obras e não querem a real melhoria de qualidade dos terminais.

"Não vamos participar desta desastrosa competição que vai acontecer sob o lema de ganhar a concessão custe o que custar. Nós vamos oferecer um preço realista, o que os outros não vão fazer", afirma. "As empreiteiras vencedoras de Galeão e Confins serão as que não têm interesse a longo prazo no gerenciamento do próprio aeroporto", avalia.

O Aeroporto de Munique, por onde circulam 38 milhões de passageiros por ano, vai participar dos leilões em parceria com o Aeroporto de Zurique e o grupo CCR – formada também pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Na primeira rodada de concessões, envolvendo os terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília, a empresa alemã participou apenas como consultora de outros consórcios.

DW Brasil: Quais são as críticas do Aeroporto de Munique em relação ao processo de concessão de Galeão e Confins?

Thomas Weyer: Nós tínhamos a esperança de que o governo brasileiro fosse aprender algo com a primeira rodada de privatização e fosse estruturar o projeto de forma a que participassem do leilão somente "empresas sérias" – por favor não me entenda mal, eu me refiro àquelas que não tentam otimizar seus resultados a curto prazo com um contrato para a realização de obras [de infraestrutura nos aeroportos concedidos] e, depois de cinco anos, desistem da concessão.

Então o que deveria-se esperar das empresas concorrentes?

Na realidade, esperávamos empresas que tivessem interesse a longo prazo nestes projetos e, devido à sua experiência – digo, tamanho dos aeroportos que administram – pudessem tocar o projeto com outra intensidade. Inicialmente isso também foi apresentado dessa forma pelo governo nos critérios de pré-qualificação para os participantes. Mas agora foi de novo enfraquecido, já que a exigência de experiência para um operador internacional de aeroportos para participar do leilão diminuiu de 35 milhões de passageiros por ano para 22 milhões no Galeão. Em Confins a exigência diminuiu ainda mais [de 35 milhões para 12 milhões].

Essa estratégia parece que não vai dar certo. Infelizmente temos o receio de que vá ocorrer algo parecido com o que aconteceu na primeira rodada de concessão. Vão participar do processo muitas operadoras de aeroportos que não têm a real vontade de melhorar a qualidade desses terminais a longo prazo. Muitos vão participar do processo e, relativamente em pouco tempo, abandonar a concessão.

Flughafen München Tower MAC Terminal 2

Segundo maior aeroporto da Alemanha, Munique recebeu em 2012 mais de 38 milhões de passageiros

Quais são as chances de o Aeroporto de Munique ganhar o leilão de Galeão ou Confins?

Claro que as chances existem, mas acredito que não são tão grandes. Pois eu e, aliás, também a Fraport [que controla o aeroporto de Frankfurt e que vai participar da concessão em outro consórcio] vemos a coisa da mesma maneira: vão participar do processo muitas empresas que têm seu lucro não no gerenciamento de um aeroporto, mas sim na construção de edificações. O ágio será muito alto nesta segunda rodada, e as empreiteiras vencedoras de Galeão e Confins serão as que topam pagar qualquer preço para a aquisição de um projeto de construção e não têm interesse a longo prazo no próprio aeroporto.

O problema é que os dois projetos dependem de muitas obras e, por causa das regras modificadas no leilão, temos a preocupação de que as empreiteiras, principalmente as brasileiras, vão novamente se permitir praticar ofertas altas e vão levar o leilão nessa direção. Se esse é o melhor caminho do ponto de vista do governo brasileiro, tenho grandes dúvidas.

Ou seja, o Aeroporto de Munique não está satisfeito com as regras do leilão...

Na primeira rodada de concessão, os aeroportos foram levados por empresas em que, acredito eu, o próprio governo não via uma intenção séria. Mesmo assim, foi liberada a participação dessas empresas agora na segunda rodada. Isso é, sinceramente, algo difícil de entender.

Mesmo se o Aeroporto de Munique não ganhar a concessão de Galeão ou Confins, vocês pretendem participar dos próximos leilões dos aeroportos?

Isso dependerá claramente das condições dos próximos leilões. Se acontecer o mesmo que aconteceu na primeira rodada e que acreditamos vai acontecer agora na segunda, com certeza não participaremos. Não posso falar quanto vamos oferecer para obter a concessão de um dos aeroportos agora na segunda rodada, mas não vamos participar desta desastrosa disputa que vai acontecer sob o lema de ganhar a concessão custe o que custar. Nós vamos oferecer um preço realista, o que os outros não vão fazer, pode acreditar.

Por meio de lances, as empresas devem dobrar o valor mínimo para o aeroporto de Galeão?

Nós já temos uma ideia de quanto vamos oferecer pelo aeroporto, mas não posso dizer. Não é necessário ser profeta para dizer que acontecerá como na primeira rodada, em que o lance mínimo foi ultrapassado de forma significativa. Tornar-se o ganhador – não falo agora de nós – vai depender de como o consórcio foi construído e quais interesses eles têm. Se o interesse for ter um contrato para realizar obras e assim ter rendimentos e, depois de cinco anos, abandonar o projeto, então é claro que os lances serão muito altos. Numa situação assim, o governo brasileiro, é claro, não ganha nada.

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