Lagarde se candidata ao FMI, sob resistência de emergentes | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 25.05.2011
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Economia

Lagarde se candidata ao FMI, sob resistência de emergentes

Ministra francesa das Finanças entra na corrida pela chefia do FMI, apesar de críticas dos emergentes. Com aval europeu, ela confirma candidatura na véspera da cúpula do G8 na França. EUA não garantem apoio.

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Candidata promete maior peso aos Brics

A ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, anunciou nesta quarta-feira (25/05) sua candidatura ao Fundo Monetário Internacional (FMI), apesar das críticas de grandes economias emergentes. Ela fez o anúncio na véspera da cúpula do G8, depois de assegurar o apoio unânime dos 27 países da UE e é favorita para conquistar o cargo.

Em uma entrevista coletiva em Paris, Lagarde prometeu, caso eleita, cumprir um mandato completo de cinco anos, ao contrário de seus três antecessores, dedicando máxima prioridade à conclusão da reforma do Fundo Monetário Internacional, dando maior peso às economias emergentes. "O surgimento de uma série de grandes players como China, Índia, Brasil e Rússia, por exemplo, só para citar alguns, nos obriga a nos interrogar sobre a representação deles dentro da instituição", disse Lagarde.

Berlim saúda anúncio

Dominique Strauss-Kahn Verhaftung IWF Frankreich USA

Acusado de tentativa de estupro, Strauss-Kahn se demitiu

O governo alemão saudou o lançamento da candidatura de Lagarde. O porta-voz da chanceler federal Angela Merkel, Steffen Seibert, enfatizou o apoio de Berlim, afirmando que a francesa reúne "grande competência técnica" e "grande experiência também no cenário internacional". Ele destacou ainda que ela está bastante familiarizada com a crise financeira europeia.

A advogada de 55 anos, que fala inglês fluentemente, é elogiada pelo desembaraço na presidência do G20 e por suas habilidades na comunicação. Mas, diferente de Dominique Strauss-Kahn, que pediu demissão na semana passada após ser acusado de tentativa de estupro, ela não é uma economista e pode ter dificuldades para equiparar a liderança e o respeito que Strauss-Kahn impunha sobre os gestores da economia mundial. Outro detalhe que pode ser um obstáculo é uma acusação de abuso de autoridade que pesa sobre Lagarde, dentro de uma disputa judicial iniciada em 2008.

Pendência jurídica

Um tribunal especial francês criado para julgar ministros por acusações de infração está analisando se abre investigação contra ela em um caso envolvendo uma indenização de 285 milhões de euros ao empresário Bernard Tapie, um ex-ministro condenado que apoiou a campanha de Sarkozy às eleições de 2007. "Tenho toda a confiança neste procedimento porque a minha consciência está perfeitamente limpa", disse Lagarde. "Atuei no interesse do Estado e respeitando a lei", complementou.

Schweiz Wirtschaft Weltwirtschaftsforum in Davos USA Timothy Geithner

Geithner deixou em aberto opção americana

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou que Lagarde tem as qualidades "indispensáveis para assegurar a missão do FMI e sua contribuição vital para a estabilidade econômica internacional".

EUA não descartam voto em mexicano

O outro único concorrente declarado da francesa até agora é o presidente do Banco Central mexicano, Agustín Carstens. O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, classificou ambos, Lagarde e Carstens, como "muito talentosos" e detentores de credibilidade. Ele repetiu a posição dos Estados Unidos, segundo a qual deve ser eleito o candidato com "o apoio mais amplo".

O ministro mexicano das Finanças, Ernesto Cordero, disse que Lagarde tem "todos os méritos para ser nomeada", mas ressalvou que "a melhor credencial de Carstens é a força da economia do México, que está crescendo 5,5% ao ano".

O ministro brasileiro das Finanças, Guido Mantega, afirmou ser importante o lançamento de mais de uma candidatura para a liderança do FMI. Ele disse, ainda, que o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens, visitará o Brasil na próxima semana para pedir apoio à sua candidatura.

Críticas dos Brics

Guido Mantega

Para Mantega, é importante que haja opções

Em uma posição conjunta divulgada na última noite em Washington, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul exigiram o fim da prática de nomear um europeu para a liderança do FMI. Eles argumentam que esta é uma convenção obsoleta, que remonta à fundação da organização.

No entanto, os países conhecidos como Brics não conseguiram se unir em torno de um candidato alternativo comum. Horas antes da divulgação da declaração conjunta dos Brics em Washington, o governo francês afirmou que a China apoiaria Lagarde. O ministro do Exterior chinês não quis comentar a notícia.

Conforme um acordo antigo entre os Estados Unidos e a Europa, a direção do FMI é indicada pelos europeus, enquanto um norte-americano assume o Banco Mundial. Os Estados Unidos também ocupam o segundo cargo mais importante no Fundo. Os candidatos devem ser sugeridos até 10 de junho e a escolha do sucessor de Strauss-Kahn deve ser feita o mais tardar até 30 de junho.

MD/afp/lusa/rtr
Revisão: Roselaine Wandscheer

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