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Turquia

Ladino, idioma trazido pelos judeus ibéricos, está em extinção

A jornalista e cantora Karen Gerson empenha-se pela salvação de um idioma em extinção: o ladino, a língua de seus antepassados sefarditas.

Faz mais de 500 anos que a família da judia Karen Gerson Şarhon vive na Turquia, já tendo, em todo esse tempo, assimilado diversos aspectos da cultura do país. "Sou uma judia turco-sefardita, isso é muito claro para mim", diz ela. No dia a dia, isso implica principalmente a preservação do ladino, uma língua que surgiu quando os judeus espanhóis – os sefarditas – foram expulsos da Península Ibérica a partir de 1492, tendo se refugiado em regiões do então Império Otomano.

E foi isso o que aconteceu com os antepassados de Karen. "Quando falo ladino com espanhóis hoje, eles me entendem bem. Mas o ladino assimilou diversos vocábulos turcos, além de gregos, franceses, italianos. E tem aquilo que faz do ladino uma língua judaica: toda a terminologia religiosa vem do hebraico", explica a jornalista.

Até 50 ou 60 anos atrás, o ladino era a língua falada em casa pelos sefarditas na Turquia. Desde então, tem diminuído o número dos que ainda falam o idioma. Karen empenha-se em manter a língua pelo menos como bem cultural. Como editora-chefe do semanário Şalom, ela publica mensalmente um suplemento em ladino.

Tradição extinta

Já na sua infância, conta a jornalista, o ladino era um entre os vários idiomas falados. Como em muitas famílias judias cultas, falava-se em casa, além do ladino, também francês. "Mas nós, crianças, respondíamos aos nossos pais em turco, a fim de nos opormos a eles", lembra Karen. Mesmo assim, quando adulta, ela se dedicou ao ladino, tendo concluído seus estudos em Istambul com um mestrado sobre a língua. Naquela época, diz ela, uma matéria consideravelmente exótica. "O mais difícil era encontrar qualquer fonte de informação", recorda.

Uma das razões disso é o fato de a cultura sefardita ter sido passada de geração a geração sobretudo oralmente. E através das mulheres.  Algo que funcionou bem durante 500 anos, mais precisamente até a adolescência de Karen, nascida em 1958. No entanto, isso não foi suficiente para passar o ensinamento à filha. A tradição começou de fato a se extinguir.

"Quando nossas mães ainda eram jovens, vivíamos em uma sociedade homogênea e não tínhamos muito contato com pessoas de fora. Na vizinhança você encontrava sempre outros judeus. Hoje, estamos espalhados por Istambul. Isso muda o convívio radicalmente", explica a jornalista. Ou seja, no dia a dia, os judeus passaram a falar praticamente só turco.

Cultura doméstica: domínio feminino

Jüdisches Leben Istanbul

Escritório da jornalista dedicada a preservar o ladino

Mas há também aspectos positivos. "Temos contato com todos os setores da sociedade. Nossa comunidade ficou muito mais aberta", diz. Isso faz com que a perda da língua seja inevitável.

Já em relação à segunda grande paixão de Karen, a música sefardita, as chances de sobrevivência parecem maiores. "É uma cultura muito antiga. Tudo o que sabemos dela foi passado entre as gerações pelas mulheres, de mãe para filha", conta a jornalista. Não que os homens sefarditas tenham sido pouco voltados para a música – eles conduziam a música religiosa nas sinagogas. Já a cultura cotidiana era o domínio das mulheres.

Karen faz apresentações como cantora de música sefardita com três acompanhantes masculinos. Desde 1978, eles se apresentam como "Los Pasharos Sefaradis" (Os pássaros sefarditas) em todo o mundo. E a música que fazem é bem recebida pelos muçulmanos, pois com o passar do tempo eles foram também se adaptando musicalmente ao ambiente em que vivem.

Assistir ao vídeo 02:55

Ouça uma canção sefardita

Música autêntica

Hoje em dia há incontáveis bandas que tocam música sefardita, em sua maioria adequadas ao pop ou ao rock, bem como ao jazz ou ao flamenco. Sob o rótulo "música do mundo", o gênero se tornou popular. Mas Karen faz questão de acentuar a autenticidade da música que produz: "Gravamos uma música como aquela que as pessoas mais velhas cantavam, que documentamos e agora tocamos", diz ela. O maior público até hoje em um show do Pasharos foi o de Hamburgo, na Alemanha, onde cantaram para 5 mil pessoas. "Foi maravilhoso", lembra Karen.

Mas quando o grupo se encontra, eles falam turco uns com os outros. Por que não ladino? "Na maioria das vezes falamos turco mesmo", diz Karen, "mas usamos algumas expressões em ladino". Uma contradição frente à dedicação à preservação do idioma? "A língua está morrendo de todo jeito. Podemos coletar e arquivar documentos e preservar a herança cultural para as gerações futuras. Mais do que isso, não podemos fazer", conclui.

"Os sefarditas cozinham melhor"

Jüdisches Leben Istanbul

Culinária sefardita: elementos mediterrâneos

Mas uma certeza Karen tem: "Não importa o que aconteça, a noite da sexta-feira, o começo do shabbat, vai continuar sendo celebrado em família. Em qualquer outro dia, a família pode estar em qualquer lugar, mas às sextas ela se reúne para comerem juntos", resume a jornalista-cantora.

Ela conta que cozinha à maneira sefardita, não importando se kosher ou não – um detalhe para o qual ela não dá muita importância. Segundo Karen, os sefarditas cozinham melhor que os asquenazes. "Temos a cultura mediterrânea do azeite e dos legumes. Fazemos uma comida maravilhosa", diz ela. O ápice das refeições é, contudo, um mokka, café à moda turca. Preparado com todo amor e paciência. De uma maneira que foi também passada de geração a geração, vinda das mães, avós e bisavós turcas.

Autora: Aya Bach (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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