Líderes europeus elogiam escolha de Obama para Nobel da Paz | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.10.2009
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Mundo

Líderes europeus elogiam escolha de Obama para Nobel da Paz

Ao lado da aprovação incondicional de Berlim, Paris e Roma, há quem considere injustificada a premiação do presidente dos EUA. Walesa: "Ele ainda nem fez nada!". Comitê do Nobel se defende.

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A reação na Europa à escolha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o Prêmio Nobel da Paz de 2009, anunciada nesta sexta-feira (08/10), foi predominantemente positiva.

Na Alemanha, o presidente Horst Köhler escreveu a seu colega de cargo: "Quero apoiá-lo com toda a veemência em seus esforços por um futuro melhor e mais pacífico para todas as pessoas de nosso mundo comum".

A chanceler federal Angela Merkel declarou que Obama "conseguiu, em pouco tempo, estabelecer um novo tom e criar espaço para o diálogo. Acho que devíamos, todos, apoiá-lo a tornar a paz no mundo ainda mais possível". Segundo a chefe de governo, trata-se de um grande dia para Obama, "para todos os americanos e também para os valores dos quais as democracias fortes retiram sua potência".

O ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, lembrou que o presidente norte-americano deu novo impulso às iniciativas internacionais de desarmamento.

Barack Obama Reaktion auf Friedensnobelpreis

Obama discursa na Casa Branca após decisão do Nobel

Representantes dos liberal-democratas alemães (FDP) louvaram a capacidade de Obama de mudar o clima político global. O Partido Verde lembrou que Obama foi um dos poucos políticos do Senado estadunidense a se manifestar contra a guerra no Iraque. Além disso, ele haveria rompido com a política de tortura e violações dos direitos humanos de seu antecessor e estaria procurando o diálogo com o Islã.

"Retorno aos corações"

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, declarou que a premiação de Obama "reflete as esperanças que ele criou em todo o mundo, com sua visão de um mundo livre de armas atômicas".

De Paris, o presidente Nicolas Sarkozy dirigiu-se assim a seu homólogo norte-americano: "Alegro-me tanto por esse prêmio lhe haver sido atribuído hoje, também porque sei que ele reforçará sua determinação de agir pela justiça, pela paz e pelos grandes equilíbrios de nosso planeta".

Para Sarkozy, a decisão representa "o retorno da América aos corações dos povos". O premiê italiano, Silvio Berlusconi, também afirmou haver "aplaudido com convicção" ao ouvir o nome do selecionado para o Nobel da Paz.

Barack Obama Friedensnobelpreis Thorbjorn Jagland

Thorbjörn Jagland, presidente da Comissão do Nobel, exibe retrato do laureado

A Rússia reagiu com certa admiração à escolha do Comitê do Prêmio Nobel, porém saudou a distinção. Segundo o vice-presidente da comissão de assuntos internacionais da Duma, Leonid Slutski, esse reconhecimento fortalece a esperança num real "aquecimento" das relações entre as duas potências. Antes do anúncio da premiação, o presidente Dimitri Medvedev declarara-se otimista quanto ao sucesso das negociações entre Moscou e Washington para a redução das armas estratégicas.

Surpresa unânime

Se há um consenso, é que a escolha de Barack Obama foi inesperada. O porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs reagiu inicialmente como um simples wow! . O próprio laureado recebeu a notícia "com surpresa e cheio de profunda humildade", revelou, não estando seguro se merece ser citado junto a outros premiados ilustres.

De resto, a opinião sobre o novo Nobel da Paz não é unânime. Nos EUA, o conservador Wall Street Journal perguntou: "Premiado por quê?", tachando a escolha de "grotesca". O grupo radical islâmico talibã também declarou "injusta" a atribuição do Nobel a Obama, já que no Afeganistão este não dera "um único passo em direção à paz".

O ex-presidente polonês e também Prêmio Nobel da Paz em 1983 Lech Walesa comentou: "Tão depressa? Depressa demais! Até agora ele não fez nada". O ex-líder sindical acredita que o prêmio é para ser entendido como um encorajamento.

Comissão se defende

Em Oslo, o presidente do Comitê do Nobel, Thorbjörn Jagland, sentiu-se obrigado a defender publicamente a decisão de seu grêmio, assegurando que a opção por Barack Obama não é populista. "Quem é dessa opinião deveria abrir os olhos para as realidades do mundo."

O ex-premiê sueco ressaltou a necessidade de ação urgente na política mundial e rebateu que se trate de uma premiação prematura: "Cedo demais? Em três anos poderá ser tarde demais para responder. É agora que temos a oportunidade de agir".

Além disso, em ocasiões anteriores o Comitê já teria apoiado processos pela paz ainda em andamento, argumentou Jagland, citando como exemplos o então chanceler federal alemão Willy Brandt (1971) e o ex-presidente russo Mikhail Gorbatchev (1990).

AV/dpa/afp/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

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