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Mundo

Líderes britânicos vão à Escócia para tentar barrar independência

Emocionado, David Cameron pede para escoceses votarem contra a separação do Reino Unido e reforça promessa de mais autonomia. Mídia britânica diz que fracasso na campanha pode lhe custar cargo de primeiro-ministro.

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Da esquerda para a direita: o premiê David Cameron, o liberal-democrata Nich Clegg e o trabalhista Ed Miliband

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, alertou, nesta quarta-feira (10/09) em Edimburgo, que o resultado do referendo sobre a independência da Escócia será "uma decisão não sobre os próximos cinco anos, mas sobre o próximo século".

Cameron cancelou a sua participação na câmara baixa do Parlamento britânico e partiu para a capital escocesa, juntamente com o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, e o liberal-democrata Nick Clegg, para tentar dar novo impulso à campanha do "não" à independência da Escócia.

A viagem havia sido marcada em caráter de urgência, dois dias após a divulgação de uma pesquisa de opinião que colocava os partidários da independência à frente nas intenções de voto, causando efeito devastador entre os apoiadores do "não".

Mudança de postura

Falando a um grupo de apoiadores da união com o Reino Unido, Cameron disse que "ficaria com o coração partido se esta família de nações que reunimos, e com as quais fizemos tantas coisas, se separasse", declarou, num discurso definido como "muito emotivo" pelo diário The Guardian. Segundo o jornal, Cameron esteve "perto de ir às lágrimas".

Schottland Befürworter der Abspaltung im Aufwind

Campanha pelo "sim" ganha fôlego nos dias que antecedem o referendo

Trata-se de uma mudança de postura do primeiro-ministro, que, até então, havia preferido se manter à distância do debate.

"Quero mais ao meu país do que quero ao meu partido", assegurou, acrescentando que algumas pessoas poderiam estar confundindo o referendo com uma eleição parlamentar normal. "Se estão fartos dos malditos conservadores, deem-lhes um chute e talvez iremos repensar", afirmou o premiê.

Depois de defender intransigentemente o Reino Unido, Cameron alertou que a Escócia poderá ficar sem dinheiro após a independência, uma vez que Londres se "recusaria" a constituir uma união monetária com Edimburgo.

Por outro lado, ele reforçou a promessa de que, caso os escoceses optem pela permanência no Reino Unido, terão maior autonomia a partir de janeiro.

"À beira de um ataque de pânico"

Ainda segundo o The Guardian, os três dirigentes políticos não deverão aparecer juntos. Os trabalhistas se recusam a aparecer ao lado de Cameron, que é muito impopular na região.

No entanto, o líder do Partido Nacionalista Escocês, pró-independência, e primeiro-ministro do país, Alex Salmond, não pareceu se impressionar com a ofensiva de Londres. "Se o grupo de Westminster se lança na campanha, é porque está à beira de um ataque de pânico", afirmou.

Enquanto Cameron discursava numa sala fechada ao público, Salmond era cercado por uma multidão nas ruas da capital. "Enquanto nós trabalhamos para reforçar o poder do nosso Parlamento, com o objetivo de criar empregos na Escócia, eles apenas procuram proteger os seus lugares", disparou o escocês.

Alex Salmond 09.09.2014

Primeiro-ministro escocês, Alex Salmond: "Se o grupo de Westminster se lança na campanha, é porque está à beira de um ataque de pânico"

Alguns órgãos de imprensa também ironizaram a visita do trio Cameron-Cleg-Miliband. O tabloide The Sun chegou a exibir uma montagem em que os três líderes britânicos vestiam o tradicional kilt escocês, numa desesperada tentativa de convencer os apoiadores do "sim".

Risco de perder o cargo

A viagem a Edimburgo é uma das intervenções mais significativas de Cameron na campanha, e revela uma crescente pressão sobre o líder conservador.

Diversos meios de comunicação alertaram que o primeiro-ministro poderá até mesmo ser forçado pelos críticos do seu partido a se demitir do cargo, caso não consiga impedir a Escócia de abandonar o Reino Unido.

A inquietação por uma eventual vitória do "sim" fez com que a Bolsa de Londres iniciasse a sessão desta quarta-feira com baixa de 0,31%.

O referendo será realizado no dia 18 de setembro. Um resultado a favor da independência significaria o fim de mais de 300 anos de união da Escócia com o Reino Unido.

RC/lusa/ap/afp

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