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América Latina

Líder da oposição venezuelana convoca marcha contra Maduro

Leopoldo López, líder da ala radical da oposição, recebe ordem de prisão e convoca venezuelanos a acompanhá-lo até o Ministério do Interior, onde pretende se apresentar à Justiça.

Em mensagem de vídeo de três minutos divulgada pelas redes sociais neste domingo (16/02), o líder oposicionista Leopoldo López elevou ainda mais a tensão na já polarizada Venezuela.

O presidente do partido Vontade Popular convocou os venezuelanos a acompanhá-lo numa marcha até o Ministério do Interior, Justiça e Paz, nesta terça-feira, quando deverá se apresentar perante a Justiça para responder às acusações do governo contra ele.

Após as manifestações contra o governo do presidente Nicolás Maduro, que deixaram três mortos e dezenas de feridos na última semana, López recebeu ordem de prisão por seu envolvimento nos recentes acontecimentos.

"Estarei aí para mostrar a cara. Disseram durante os últimos dias que me querem ver preso, aí estarei para mostrar a cara. Não tenho nada a temer, não cometi nenhum delito. Tenho sido um venezuelano comprometido com o nosso país, com o nosso povo, com a Constituição e com o nosso futuro", declara López na mensagem de vídeo.

Ele disse ainda que o Ministério do Interior se "converteu no símbolo da repressão, da perseguição, das torturas e das mentiras". Economista formado em Harvard, López garantiu que se encontra no país e que não planeja viajar, como afirmaram aliados de Maduro.

Acusação de terrorismo e homicídio

Venezolanischer Oppositionsführer Leopoldo Lopez

López estudou em Harvard e lidera ala radical da oposição

Segundo a imprensa venezuelana, López é acusado dos delitos de "associação, instigação para cometer delito, intimidação pública, incêndio a edifício público, danos a propriedade pública e lesões graves", além de homicídio.

Na madrugada de domingo, militares armados invadiram a residência dele e também a dos seus pais, apresentando a ordem de prisão emitida pelo Ministério Público venezuelano contra o líder oposicionista.

Chamado de "covarde" por Maduro, López anunciou aos seus simpatizantes que levará "requerimentos muito complexos" que visam a "esclarecer a responsabilidade do Estado nos homicídios ocorridos", sublinhando que "aí estão fotos, vídeos, provas irrefutáveis do que aconteceu naquele dia".

Maduro instou López a se entregar às autoridades, acusando-o de haver treinado grupos violentos que vêm agitando as ruas de Caracas desde a quarta-feira passada, quando um protesto da oposição deu início à escalada de violência.

Oposição dividida

No domingo, quinto dia de protestos em Caracas e nas principais cidades do país, a polícia dispersou novamente os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, mas os confrontos não se acirraram como nos dias anteriores.

Venezuela Nicolas Maduro Präsident Rede

Nicolás Maduro acusa Washington de querer derrubá-lo

Os distúrbios causaram inquietude na região e o Departamento de Estado dos EUA disse no sábado estar preocupado com a tensão que acompanha os protestos. Maduro, um ex-sindicalista de 51 anos, afirma que a oposição age com o governo americano para derrubá-lo e expulsou do país três diplomatas dos Estados Unidos neste fim de semana.

As manifestações são a última prova de força entre o governo e a oposição venezuelana, que protesta contra o declínio rápido da qualidade de vida no país produtor de petróleo, em meio a uma crise inflacionária, escassez de produtos e alta criminalidade.

Os protestos expuseram uma fratura dentro da oposição, onde a ala majoritária liderada por Henrique Capriles, que já foi duas vezes candidato à presidência, defende que a violência somente favorece o governo, enquanto outros grupos desejam posições mais radicais.

CA/lusa/dpa/rtr

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