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Mundo

Kremlin admite que alvos vão além do "Estado Islâmico"

Moscou diz que bombardeios alvejam diferentes organizações terroristas. Segundo dia de ataques aéreos se concentra em área dominada por frente rebelde, o que dá força a argumento de que russos tentam proteger Assad.

O segundo dia de bombardeios russos na Síria elevou as suspeitas, nesta quinta-feira (1º/10), de que a intervenção militar lançada por Vladimir Putin tem mais como objetivo proteger o regime de Bashar al-Assad do que conter os avanços do "Estado Islâmico".

Um porta-voz de Putin admitiu que os ataques aéreos russos na Síria têm como alvo uma lista de conhecidas organizações terroristas, porém não revelou quais. Os alvos estariam sendo passados diretamente de Damasco para o Kremlin. E o regime de Assad e o Ocidente têm visões diferentes sobre que grupos atuantes na Síria são terroristas.

"Essas organizações [na lista de alvos] são famosas, e os alvos são escolhidos em coordenação com as Forças Armadas da Síria", afirmou Dimitri Peskov.

Ao ser indagado se o Exército Livre da Síria – o grupo moderado de oposição apoiado pelo Ocidente, que luta ao mesmo tempo contra Assad e o EI – estaria na lista de organizações terroristas, Peskov questionou a própria existência do grupo, dizendo que "ninguém sabe ao certo" se de fato existe, e ainda sugeriu que a maioria de seus membros teria aderido ao EI.

Segundo o canal de TV libanês Al Mayadeen, que é pró-Assad, a Rússia lançou pelo menos 30 novos bombardeios contra bases da Jaysh al-Fatah (Exército da Conquista), a poderosa coalizão rebelde que inclui a Frente al-Nusra, uma afiliada da Al Qaeda na Síria, e uma série de organizações islamistas menos radicais.

Nos últimos meses, o Exército da Conquista foi responsável por impor sérios reveses às forças de Assad, ocupando a cidade de Idlib e, mais tarde, a província homônima – numa clara ameaça às áreas costeiras, tidas como reduto do ditador. E é justamente nessa região que a Rússia vem concentrando parte de seus bombardeios.

Moscou nega mortes civis

Apesar de o discurso oficial russo ser combate ao terrorismo, o Ocidente questiona se os objetivos de Moscou na Síria seriam apenas seu fortalecimento como uma potência regional – e isso se daria através do fortalecimento de Assad, maior aliado da Rússia no Oriente Médio.

Putin diz que Assad deve fazer parte da coalizão que luta contra o "Estado Islâmico". Os EUA e seus aliados, por sua vez, argumentam que Assad pode permanecer no poder a curto prazo, mas que seria essencial uma transição de regime na qual ele não teria papel duradouro.

O ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, desafiou os Estados Unidos a provarem que o alvo das operações russas no país árabe não seria os "terroristas" e dispensou acusações da oposição síria de que 36 civis foram mortos na província de Homs.

"Os rumores de que os alvos desses ataques não eram posições do EI são infundados", rebateu Lavrov, após encontrar-se com o secretário de Estado americano, John Kerry, em Nova York. "Eles expressam dúvidas e afirmam que há provas, as quais pedimos que nos mostrassem", afirmou.

Washington reclama que Moscou alertou com apenas uma hora de antecedência sobre os ataques. Segundo Kerry, uma reunião entre os comandos militares dos dois países está sendo preparada para breve. "Concordamos que é essencial que seja realizada logo", afirmou.

RC/afp/rtr

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