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Cultura

Kraftwerk celebra quatro décadas de carreira em shows 3D

Pais do electropop retornam a Berlim depois de dez anos. Série de concertos dedicada a oito de seus principais álbuns também marca fechamento para reformas do museu de arte contemporânea Neue Nationalgalerie.

Um ícone da música eletrônica acompanha a despedida temporária de um ícone da arquitetura moderna: de 6 a 13 de janeiro, a banda alemã Kraftwerk realiza oito concertos na Neue Nationalgalerie de Berlim. Em seguida, a galeria de arte contemporânea instalada no paralelepípedo de vidro projetado pelo célebre arquiteto Mies van der Rohe (1886-1969) entra em recesso por pelo menos quatro anos, para saneamento geral.

"Se esta é uma ideia visionária, utópica de edifício, então o Kraftwerk representa uma ideia visionária, utópica de música", comparou Udo Kittelmann, diretor da Neue Nationalgalerie, ao anunciar a série de concertos em 3D Der Katalog - 1 2 3 4 5 6 7 8.

Nela, com animações de computador, efeitos de luz e robôs no palco, o quarteto revisita oito de seus principais álbuns em ordem cronológica, de Autobahn (1974) a Tour de France (2003). A estreia de Katalog foi em 2012, no Museu de Arte Moderna de Nova York, seguida de turnês por Londres, Tóquio, Sydney e Düsseldorf, a cidade natal dos músicos. Estas são as primeiras apresentações do Kraftwerk em Berlim desde 2004.

Neue Nationalgalerie Berlin

Neue Nationalgalerie, apoteose moderna do vidro, ficará fechada por vários anos

Emoção das máquinas

Ralf Hütter e Florian Schneider fundaram o quarteto experimental em 1970, dentro do espírito de revolta juvenil da Alemanha do pós-Guerra. Na contramão dos estilos da época, com textos minimalistas e computadores, a meta era ilustrar a progressiva interconexão entre homem e máquina. O resultado é um som robótico, de precisão absoluta, ao mesmo tempo pré e super-humano. E no processo – afirmam seus fãs e seguidores – os quatro músicos descobriram e liberaram a emoção das máquinas.

Considerados os pais do electropop, sua influência se estende a músicos tão diversos como Giorgio Moroder, Depeche Mode, Pet Shop Boys e Yazoo, passando pela new wave, pelo hip-hop e pelo techno de Detroit. Já em 1997, o New York Times classificava o grupo como "os Beatles da música eletrônica para dançar".

Mais do que uma banda, o Kraftwerk se define como "projeto multimídia", que desde o início concebe seus shows como performances audiovisuais, combinando som e animação. Ironicamente, desse modo os pioneiros da estética ultramoderna acabam por reeditar uma obsessão germânica já secular: o ideal do gesamtkunstwerk, a "obra de arte total".

Einflussreiche deutsche Musiker: Kraftwerk

Kraftwerk na Muffathalle de Munique, em 2004

Ressalvas acústicas

Para um grupo tão obcecado pela perfeição sonora, é curioso que a já lendária turnê berlinense venha antecedida por uma ressalva técnica. Em entrevista à rádio RBB, o secretário de Cultura da capital alemã, Tim Renner, expressou dúvidas quanto à adequação acústica da sala escolhida para o evento.

"Do ponto de vista puramente técnico, estou cético, pois – graças à espetacular arquitetura de Mies van der Rohe, a Neue Nationalgalerie tem, acima de tudo, uma coisa: um monte de vidro. E quem tem muito vidro em sua sala de estar sabe que isso é ruim para a música."

Seja como for, o político de 50 anos e, desde adolescente, admirador dos eletrônicos de Düsseldorf não pretende perder a oportunidade única de assistir Der Katalog - 1 2 3 4 5 6 7 8 em Berlim. Se o Kraftwerk fará ou não jus à fama de magos dos sons, perfeccionistas absolutos: a última palavra caberá aos fãs.

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