1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

documenta

Kassel e funk carioca: Dias e Riedweg na "documenta"

Maurício Dias e Walter Riedweg falam à DW-WORLD sobre suas investigações e propostas estéticas, que vão desde a discussão das relações de alteridade até a antítese documentário x ficção.

default

Uso de máscaras nas entrevistas: 'Voracidade Máxima'

Trabalhando juntos desde 1993, Maurício Dias e Walter Riedweg, ou MauWal, como eles mesmos assinam, investigam "o outro". A relação, o encontro e a diferença com o outro, que pode ser um funkeiro, um gigolô, um vizinho, um detento numa cadeia em Atlanta, um policial da Califórnia ou um árabe muçulmano no Egito. E colocam frente a frente o documentário e a ficção.

De um celular de alguém da equipe técnica em Kassel, com ruídos e interrupções para discussões sobre a montagem das instalações na documenta 12, a dupla Maurício Dias e Walter Riedweg falou à DW-WORLD sobre os trabalhos que serão expostos a partir de 16 de junho na cidade. Uma conversa sobre uma obra que fala, sobretudo, dos dias de hoje.

DW-WORLD: Nos trabalhos de vocês, personagens cotidianos e a rua estão sempre em foco, são sempre abordados. Em que medida isso aproxima os vídeos de documentários?

Maurício Dias e Walter Riedweg: Nossos trabalhos são estudos sobre a alteridade. Falamos das relações entre as pessoas. Isso pode ser em um nível psicológico, psicanalítico, – entre dois indivíduos, por exemplo – ou em um âmbito sociopolítico: como os grupos sociais se relacionam. Nesse sentido, obviamente, as relações com o documentário ficam muito estreitas, já que é um trabalho de documentação de algo existente.

Há, entretanto, um outro pensamento que nos orienta: acreditamos que toda imagem não é, a priori, nem documental nem fictícia . O que determina que uma imagem seja considerada fictícia ou documental é a literatura que se cria a partir dela ou a literatura a partir da qual ela foi criada.

A gente joga com essa dicotomia o tempo todo: há a documentação das coisas reais, realidades, formas de viver, mas também a reinvenção dessas formas. Ou seja, o trabalho não é feito com atores, mas nossas obras não são documentários feitos a partir dessas pessoas. Algumas cenas são proposições fictícias: às vezes um roteiro ou uma coreografia, que vêm a partir do diálogo que a gente estabelece no processo de trabalho.

Em que medida a videoarte se distancia do documentário na contemporaneidade?

Um dos aspectos formais que norteia o nosso trabalho é justamente esse diálogo entre o documentário e a forma. De uma maneira geral, as relações de aproximação e distanciamento entre videoarte e documentário estão sempre presentes, seja qual for o trabalho com vídeo.

Ao começar a gravar uma imagem com a câmera, o artista está, necessariamente, tomando algumas imagens que são da ordem documental. O vídeo não é uma página limpa em que você sai desenhando. A questão é qual é o foco de cada trabalho. Alguns são puramente formais e outros lidam com a questão da representação.

Voracidade Máxima 2 -Documenta 5 - freies Bildformat

A instalação passou por Barcelona, Paris, São Paulo e agora Kassel

Vocês já trabalharam em várias cidades do mundo. Intervir na vida urbana é um dos principais focos? Por que a constante mudança?

A questão, na verdade, é: por que se fazem eventos de arte contemporânea em tantos lugares distintos e eles têm a mesma cara? Porque uma Bienal em Xangai pode ser tão parecida com uma Bienal em Havana ou uma Bienal no México? A gente simplesmente aceita os convites para os eventos que acontecem em diversas partes do mundo.

O artista tem essa relação íntima com a vida do cigano, com a vida do imigrante. Não dá para mostrar o trabalho só onde se vive. Senão, o artista morre de fome e o trabalho não se dissemina. Da mesma forma que um ator viaja em turnê, um artista plástico é obrigado a se locomover no espaço pra poder mostrar o seu trabalho. E, claro, foi atendendo aos convites que a gente tornou o trabalho conhecido, porque no Brasil a coisa é mais complicada – estar sempre lá não permite viver profissionalmente de artes plásticas.

Além disso, a gente tem interesse em conhecer outros contextos que não sejam os nossos, queremos também conhecer outras formas de vida, outras pessoas, além daquilo que está à nossa volta normalmente. Como nosso trabalho é um diálogo entre nós e o outro, há uma negociação de idéias com as pessoas que são tema do trabalho, uma vez que elas também são, de certa forma, responsáveis pela autoria. O que acontece freqüentemente é que o convite seja feito para desenvolver um trabalho no lugar onde o evento vai acontecer. Um desses é a documenta, onde a gente está expondo dois trabalhos.

O diretor artístico Roger Buergel viu nosso trabalho em Barcelona, Paris e São Paulo e nos trouxe para a documenta. Mas pediu para a gente fazer algo novo, que de alguma forma se relacionasse com Kassel. Este outro trabalho, embora não seja feito em Kassel, foi um desafio que acabou nos ajudando a conservar a linguagem estética que tentamos desenvolver, desta vez de uma forma globalizada.

Clique para saber mais sobre o que a dupla vai levar para Kassel!

Leia mais