Karajan: os 100 anos de um regente controverso | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 02.04.2008
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Cultura

Karajan: os 100 anos de um regente controverso

A indústria fonográfica celebra o centenário do regente como se ele ainda estivesse vivo. Amado e odiado ao extremo, o austríaco Herbert von Karajan corporificou à perfeição a figura do maestro onipotente.

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O maestro durante ensaio em 1966

"Ele tem o poder de vida e morte sobre as vozes dos instrumentos; alguém há muito silencioso falará novamente, sob o seu comando. O aplauso que recebe é a antiga saudação ao vencedor, e a dimensão de sua vitória é medida por seu volume. Fora isto, nada conta; tudo o que a vida de outros homens contém é transformado para ele em vitória ou derrota."

Esta citação, do livro do filósofo Elias Canetti Massa e poder, descreve a figura do regente como corporificação do poder, "o ditador na esfera estética". E – pelo menos este é o consenso entre seus detratores – a definição parece aplicar-se como uma luva a Herbert von Karajan.

Obedecer sem perguntar

Autoritário, exibicionista, tirânico, ou músico genial? Quase 20 anos após sua morte, o regente austríaco desperta debates acalorados.

Por falar em tirania: inquirido sobre por que preferia reger a Filarmônica de Berlim à de Viena, Karajan respondeu: "Se digo aos berlinenses que dêem um passo à frente, eles dão. Se digo aos vienenses para darem um passo à frente, eles dão. Mas aí perguntam por quê."

A capital alemã agradece: em comemoração póstuma dos 90 anos do músico, a rua Matthäikirchstrasse teve seu nome mudado em 1998. Desde então, o endereço da sala de concertos da Filarmônica de Berlim eterniza aquele que por mais tempo foi seu maestro titular: Herbert von Karajan Strasse 1.

Filiação vantajosa

Heribert Ritter von Karajan nasceu em uma família da alta burguesia de Salzburgo, a 5 de abril de 1908. Menino prodígio, aos 9 anos dava seu primeiro concerto como pianista, no renomado Mozarteum. Em 1929, mal saído do conservatório, já regia a Salomé de Richard Strauss na Festspielhaus da cidade.

Sua já meteórica carreira ganhou um impulso extra em 1935, com o ingresso no Partido Nacional-Socialista (NSDAP). Nesse mesmo ano, foi nomeado generalmusikdirektor – o mais jovem da Alemanha – da cidade de Aachen e fez turnês por diversas capitais européias. Enquanto outros astros do pódio orquestral, como Bruno Walter e Arturo Toscanini, abandonavam a Europa fascista, Karajan se beneficiava com a associação ao regime nazista.

Três anos mais tarde, regia a Filarmônica de Berlim pela primeira vez e fechava contrato com a companhia fonográfica Deutsche Grammophon, a que permaneceu fiel por quase toda a longa carreira. Sua primeira gravação foi a abertura de A flauta mágica, de Mozart, à frente da Staatskapelle Berlin.

Apesar de haver desagradado pessoalmente a Adolf Hitler com uma récita desastrosa de Os mestres cantores de Nurembergue, de Wagner, o favoritismo de Hermann Göring – então primeiro-ministro da Prússia e superintendente da Ópera Nacional de Berlim – o manteve em posição privilegiada. O perfeccionismo, a determinação e o rigor, a aura de gênio e até mesmo a aparência de viril galã do jovem Karajan vinham ao pleno encontro da ideologia nazista.

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