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Alemanha

Kaprun: absolvição revolta familiares das vítimas

Os 16 réus envolvidos no incêndio do teleférico de Kaprun, na Áustria, foram absolvidos. A sentença provocou indignação nos familiares das 155 pessoas que morreram na catástrofe ocorrida em novembro de 2000.

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Parentes protestam contra a decisão do juiz

Mais de três anos após o incêndio no teleférico de Kaprun, nos Alpes austríacos, o Tribunal Estadual de Salzburgo encerrou nesta quinta-feira (19/02) o julgamento absolvendo os 16 réus envolvidos no caso. De acordo com o juiz Manfred Seiss, que proferiu a sentença, não há provas suficientes de negligência que possam incriminar os acusados.

A absolvição causou revolta e indignação por parte dos familiares das 155 vítimas, entre as quais 37 alemãs. Muitos não contiveram a emoção e vaiaram o juiz ou protestaram em voz alta. Houve até quem passasse mal.

"Eu me envergonho do meu país", disse uma senhora de Viena cujo filho morreu na catástrofe. "A sentença é uma zombaria", retrucou outra mãe que também perdeu o filho. A porta-voz dos familiares das vítimas alemãs, Ursula Geiger, considerou um absurdo a postura da Áustria de não se sentir responsável pela morte conjunta de 155 pessoas.

O especialista em direito penal, o austríaco Christian Bertel, defendeu a decisão do juiz. "Não é possível que em qualquer desgraça, mesmo com 155 mortes, alguém tenha necessariamente que ser punido". O ministro dos Transportes da Áustria, Hubert Gorbach, e a direção da empresa de teleféricos de Kaprun também saudaram a decisão.

De acordo com as normas

Durante o processo, os reús frisaram repetidas vezes que não poderiam ter previsto o desastre. A promotoria acusou mas não conseguiu provar que houve negligência conjunta. Os funiculares não contavam com extintores de incêndio e as portas não puderam ser abertas por dentro no momento da tragédia. A questão é que até então não existia qualquer norma de segurança para casos de incêndio em teleféricos.

Todas as medidas de manutenção e conservação dos teleféricos foram cumpridas com rigor. Inaugurado em 1974, o funicular de Kitzsteinhorn, que percorre 4 quilômetros por dentro da montanha, passou inclusive por uma reforma em 1994. Dois meses antes do acidente a concessionária do funicular tinha mandado fazer uma inspeção completa nas instalações.

Opinião pública dividida

Segundo a perícia, a causa do desastre foi uma falha no aquecedor caseiro que foi instalado no vagão do maquinista, atrás da fiação dos freios. Isto gerou o superaquecimento do duto que em questão de minutos pegou fogo.

O juiz lembrou que não havia qualquer norma que proibisse tal instalação. O material usado e as medidas de segurança estavam de acordo com o padrão técnico. A absolvição dos acusados, entretanto, divide a opinião pública. Os advogados de defesa anunciaram que pretendem recorrer da sentença.

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