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Cultura

Kant ou a filosofia de cabeça para baixo

Em "Crítica da Razão Pura", Immanuel Kant trata da primeira das três questões que o interessavam, "o que se pode conhecer" e traça também os limites do conhecimento.

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Estátua de Kant diante da Universidade de Kaliningrado

Chega-se ao conhecimento através da análise crítica, que brota da própria razão, escreveu o filósofo que praticamente só conheceu Königsberg, sua cidade natal, e seus arredores.

Só se pode conhecer o que as ciências exatas nos permitem conhecer. Mas a razão pura não resolve questões metafísicas como as que interessaram Leibniz, Descartes e outros desde Platão.

Isso representou uma "revolução de Copérnico" na filosofia. Antes de Kant, partia-se da existência de objetos externos, que existiriam "por si", podendo ser percebidos como tal.

Kant virou tudo de cabeça para baixo, ao afirmar que, na verdade, dá-se o contrário: é o sujeito — isto é, a mente humana — que produz a imagem das coisas, pois o conhecimento não é um mero reflexo dos objetos.

Os juízos verdadeiros são necessários e universais. Eles existem a priori, ou seja, não dependem nem dos objetos, nem das experiências.

Todo o processo não funciona sem as percepções sensoriais e as experiências, que fornecem a matéria do conhecimento. Mas é a nossa mente que dispõe a experiência num marco espacial e temporal.

Até mesmo as experiências partem de estruturas a priori, pois é o próprio espírito que constrói a ordem do universo com suas categorias.

É esse espírito, ou mente, que constrói o objeto do seu saber, com os dados do conhecimento sensível. Essas idéias constituem o fundamento do "idealismo alemão" de J.G. Fichte, F.W.J. von Schelling e G.W.F. Hegel — o ápice da filosofia alemã.

Os limites do conhecimento

Em sua análise, Kant chega também aos limites do conhecimento. Só conhecemos o mundo refratado através dos quadros subjetivos do espaço e do tempo. Ou seja, só conhecemos os fenômenos, e não as coisas em si.

Assim, as possibilidades humanas de conhecimento não podem encontrar resposta às principais questões da metafísica, que giram em torno de Deus e da imortalidade da alma.

Pode-se pensar em Deus e na alma, mas não conhecê-los como nos demais casos de conhecimento objetivo. Por isso, Kant os coloca no nível das "coisas em si".

Quanto a Deus, o filósofo do laicismo europeu diz que é um "postulado" da razão prática. Não é possível provar sua existência, mas a razão nos força a acreditar em Deus.

Mantendo distância em relação ao racionalismo e ao empirismo, não afirma nem que o mundo dos sentidos é só aparência, nem que só é real o que se pode captar através dos sentidos.

Nesse sentido, sua crítica da razão abriu caminho para um futuro promissor da filosofia. Publicada em 1781, a obra básica de Kant foi imprescindível à história do pensamento e da filosofia.

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