Kadafi luta para se manter no poder, mas está cada vez mais isolado | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 23.02.2011
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Mundo

Kadafi luta para se manter no poder, mas está cada vez mais isolado

Ditador estaria entrincheirado num ponto da capital da Líbia, enquanto sua ditadura perde apoio dentro do país e no exterior. França e Alemanha ameaçam com sanções contra mandatários líbios.

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Manifestação em Tobruk, cidade controlada por rebeldes

O ditador líbio Muammar Kadafi, de 68 anos, perde apoio a cada dia que passa. Vários ministros, diplomatas e militares já abandonaram o líder árabe. Ele também perde apoio entre as tribos da Líbia. No exterior, há cada vez mais apelos pelo fim da violência. A França defendeu nesta quarta-feira (23/02) a adoção de sanções contra as lideranças líbias.

Kadafi, que afirmou na televisão que só sai morto da Líbia, estaria entrincheirado com quatro brigadas num ponto da capital, Trípoli. Enquanto isso, oposicionistas festejam vitória em diversas cidades do leste do país, principalmente em Bengasi e Tobruk, na região de Cirenaica. O ministro italiano do exterior, Franco Frattini, disse que toda essa região está sob comando dos rebeldes.

As ruas de Trípoli estariam desertas nesta quarta-feira, segundo o relato de diversas testemunhas. Os apoiadores de Kadafi estariam atirando na direção de qualquer pessoa que se movimentasse pela cidade, afirmaram as testemunhas.

Libyen Aufständische in Bengasi

Militares que se uniram aos oposicionistas em Bengasi

Há incerteza sobre o número total de vítimas dos protestos. Segundo o regime líbio, 300 pessoas morreram, enquanto a Federação Internacional de Direitos Humanos diz que foram ao menos 640, das quais 275 em Tripoli e 230 em Bengasi.

Perda de apoio

A violência da reação de Kadafi contra a população do próprio país causa indignação entre a comunidade internacional. O Conselho de Segurança da ONU pediu o fim imediato da violência. Também a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, condenou a reação das tropas de Kadafi.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-monn, disse ter telefonado durante 40 minutos com o ditador. Ban teria dito que os relatos sobre os acontecimentos na Líbia apontam para claras afrontas ao direito internacional e aos direitos humanos. A violência contra civis não ficará impune, alertou o secretário-geral, segundo um porta-voz.

A Liga Árabe, numa reunião de emergência em Cairo, decidiu suspender temporariamente a participação da Líbia na organização.

Mais um ministro abandonou o governo de Kadafi nesta quarta-feira. Depois do ministro da Justiça, foi a vez do ministro do Interior, Abdulfattah Junis, que Kadafi havia declarado morto no dia anterior. Em entrevista à emissora Al Jazeera, Junis disse que partidários do ditador tentaram matá-lo.

UE indecisa quanto a sanções

Nesta quarta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu sanções concretas e imediatas contra os mandatários líbios. Já a Comissão Europeia declarou que as ameaças de Kadafi contra a população do seu próprio país são inaceitáveis. O ditador havia prometido, no dia anterior, que limparia a Líbia, "casa por casa".

Também dois ministros do Exterior, o alemão Guido Westerwelle e o luxemburguês Jean Asselborn, defenderam a adoção de sanções contra Kadafi e seu grupo. Asselborn acusou as lideranças líbias de genocídio. A ministra espanhola Trinidad Jiménez disse que Kadafi perdeu toda a legitimidade.

A União Europeia não consegue chegar a um consendo sobre sanções, devido a restrições da Itália e de Malta, segundo declararam diplomatas à agência de notícias AFP. Esses dois países possuem fronteiras próximas à Líbia e temem uma nova onda de refugiados.

A União Europeia enviou especialistas para as fronteiras da Líbia com a Tunísia e o Egito, com o objetivo de avaliar a situação dos libaneses que deixam seu país. O porta-voz da Comissão Europeia que confirmou esta informação destacou que não há sinais de uma crise humanitária. Segundo a UE, cerca de 5 mil tunisianos e libaneses atravessaram a fronteira rumo à Tunísia.

O ministro italiano do Exterior, Franco Frattini, calculou que pelo menos 200 mil refugiados vão afluir à UE, em caso de queda do ditador líbio. Ao jornal Corriere della Sera, Frattini disse que a previsão entre 200 mil e 300 mil ainda é modesta. A maioria deles viria de países ao sul do Saara, afirmou o ministro.

Diversos países estão retirando seus cidadãos da Líbia, entre eles os Estados Unidos, a Alemanha, a França e o Brasil. Várias pessoas deverão ser retiradas de navio do país.

AS/dpa/afp/rtr/dapd
Revisão: Augusto Valente

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