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Mundo

Kadafi faz primeira visita à Europa em 15 anos

A primeira visita do antigo arquiinimigo do Ocidente, Muammar Kadafi, à Europa, em 15 anos, encerra o isolamento internacional da Líbia, que já dura décadas. Ele é hóspede da União Européia, em Bruxelas.

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Tenda beduína de Muammar Kadafi em Bruxelas

A Comissão Européia declarou-se disposta a conversar com o presidente líbio sobre uma melhoria das relações da União Européia com o seu país, mesmo antes do seu hóspede Muammar Kadafi chegar em Bruxelas para conversações nesta terça-feira (27). O coronel foi arquiinimigo do Ocidente durante décadas, mas nos últimos tempos vinha se esforçando para melhorar a imagem da Líbia.

As conversações no quartel-general da UE durante esta sua primeira visita à Europa em 15 anos deverão encerrar o isolamento internacional de décadas que Kadafi iniciou com o seu golpe militar de 1969.

Kadafi tomou o poder da monarquia através de um golpe sem derramamento de sangue, quando tinha 27 anos de idade. Ele implantou, a seguir, uma república socialista islâmica. A situação melhorou principalmente para os mais pobres, que receberam casas gratuitamente e melhores possibilidades de educação. O líder revolucionário não cumpriu, todavia, a sua promessa de incluir o povo nas decisões políticas e governa ditatorialmente o país há 35 anos.

Atentados e isolamento - As relações da Líbia com o Ocidente pioraram após o golpe. Em 1974, os Estados Unidos colocaram o país na lista dos que apoiavam o terrorismo e, dois anos depois, romperam as relações diplomáticas bilaterais. Uma ataque aéreo contra a capital líbia, Trípoli, foi a resposta de Washington ao atentado na discoteca "La Belle" em Berlim, em 1986, que matou um soldado americano e deixou várias pessoas feridas. A seguir, os EUA decretaram um embargo comercial total contra a Líbia, acabando com o comércio bilateral.

A Organização das Nações Unidas (ONU) impôs um embargo internacional contra a Líbia em 1992, em represália à trágica derrubada de um avião americano sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988. O atentado que matou 270 pessoas foi atribuído ao regime líbio.

Blair und Gaddafi, Libyen

Kadafi recebeu recentemente a visita do primeiro-ministro britânico Tony Blair

Indenização e reaproximação - A posição da Líbia começou a melhorar em 2003, depois que assumira a responsabilidade do atentado de Lockerbie e indenizou as famílias das vítimas. Em compensação, a ONU suspendeu o embargo internacional contra o país.

Os EUA e a Grã-Bretanha iniciaram, simultaneamente, em Trípoli, negociações secretas sobre as armas líbias de destruição em massa. O sucesso veio rápido: em dezembro de 2003, Kadafi anunciou a paralisação do trabalho de construção de bombas atômicas e destruição de suas armas químicas. Trípoli aceitou que inspetores internacionais inspecionassem o cumprimento do acordo.

Os elogios que a Líbia colheu por esta conduta estão sendo seguidos por vantagens práticas. Os EUA anunciaram o fim do seu embargo e acenaram com uma retomada das relações diplomáticas. Empresas americanas já podem investir na Líbia e importar produtos de lá, principalmente petróleo, pois o país possui grandes reservas. Estes fornecimentos a partir de 2004 devem ajudar na anunciada implantação da economia de mercado na Líbia. A participação de firmas estrangeiras, agora, é expressamente desejada.

Ajuste de contas e parceria com a UE – Diante de tais perspectivas, as conversações entre a Comissão Européia e Kadafi são principalmente sobre a possibilidade de uma inclusão da Líbia no processo de parceria entre a União Européia e os países vizinhos do Mar Mediterrâneo. É o chamado "Processo de Barcelona", que visa, a longo prazo, uma associação com países do norte da África para uma zona de livre comércio.

Bombenanschlag auf Diskotek La Belle

Escombros da discoteca "La Belle" em Berlim

Mas Trípoli ainda tem que ajustar algumas contas na UE. O Tribunal Estadual de Berlim constatou, em 2001, que o serviço secreto líbio é responsável pelo atentado na discoteca "La Belle". E o ministro alemão das Ralações Exteriores, Joschka Fischer, exige indenização para as vítimas. O resultado das negociações permanece em aberto.

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