Kadafi diz que sua retirada de quartel-general foi ″movimento tático″ | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 24.08.2011
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Mundo

Kadafi diz que sua retirada de quartel-general foi "movimento tático"

Em mensagem de áudio, Muammar Kadafi afirma ter circulado pela capital sem ser visto. Depois da tomada do complexo residencial Bal al Azizia pelo rebeldes, paradeiro do ditador continua desconhecido.

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Rebeldes agitam a bandeira da oposição no complexo Bal al Azizia

Depois de o cerco se fechar em torno de seu quartel-general em Trípoli, o ditador Muammar Kadafi divulgou uma mensagem de áudio afirmando ter caminhado pela capital líbia sem ser visto. "Eu andei um pouco por Trípoli sem que ninguém me visse. E não senti que estivesse em perigo", dizia a mensagem divulgada nesta quarta-feira (24/08).

O paradeiro do líder líbio, no poder desde 1969, continua desconhecido. Numa mensagem anterior, Kadafi havia prometido "martírio ou vitória" depois de os rebeldes terem invadido seu complexo residencial em Trípoli, chamado de Bab al Azizia. O ditador também instou todos os cidadãos líbios a sair às ruas e "eliminar os traidores".

Uma estação de rádio local citou uma fala do ditador, dizendo que ele teria abandonado o complexo onde estava escondido num "movimento tático depois de o composto ter sido atingido por 64 ataques aéreos da Otan".

Libyen Eroberung der Gaddafi Residenz Rebellen Flash-Galerie

Insurgentes comemoram tomada de complexo onde Kadafi se escondia

Conquista e ameaças

Depois da tomada de Bab al Azizia, os rebeldes divulgaram imagens do interior do complexo. É possível ver os insurgentes destruindo uma estátua de Kadafi e ocupando o espaço de onde o ditador costuma fazer discursos.

Correspondentes de agências de notícias afirmam que, até a noite desta terça-feira, ouvia-se troca de tiros na capital. O porta-voz dos rebeldes, Omar al Ghirani, afirmou que forças fiéis ao ditador dispararam mísseis em áreas residenciais, e civis tiveram que deixar o local às pressas.

Mustafa Abdul Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), preferiu não declarar vitória: "É muito cedo para dizer que a batalha em Trípoli chegou ao fim. Isso não vai acontecer até Kadafi e seus filhos serem capturados." Jalil, um dos líderes do movimento de oposição, era, até fevereiro, um dos ministros do ditador.

Sobre a localização do líder em fuga, os próprios insurgentes afirmam que será preciso muito tempo até que ele seja encontrado. O porta-voz de Kadafi, Mussa Ibrahim, disse que as forças fiéis ao governo estão prontas para resistir por meses e até mesmo anos. Numa entrevista por telefone com um canal de televisão, Ibrahim disse que Kadafi está pronto para transformar o país em "vulcões, lava e fogo".

A batalha continua

Com a conquista do complexo de Kadafi em Tripoli, o CNT anunciou que vai mudar nos próximos dois dias a sua sede de Bengasi para a capital líbia, mas o regime garante que os "rebeldes não vão ter paz se derem continuidade ao plano".

Os rebeldes alegam controlar mais de 85% de Trípoli, mas ainda há partes da cidade que continuam a ser controladas pelas forças de Kadafi, como o Hotel Rixos, onde estão alojados cerca de 30 jornalistas estrangeiros que o regime proibiu de sair às ruas.

Os rebeldes também apertam o cerco sobre Sirte, cidade natal do líder líbio ainda sob controle do regime. Nas proximidades da cidade ocorrem negociações com as tribos locais para uma rendição pacífica, enquanto as forças de Kadafi lançaram vários mísseis Scud contra a cidade de Misrata.

Os rebeldes também já assumiram o controle do porto petrolífero de Ras Lanuf, a menos de 130 quilômetros de Sirte, cidade apontada por muitos como o possível refúgio de Kadafi, ao lado de Sebah, na região de Fezzan, no oeste da Líbia. Há ainda especulações sobre a partida do líder líbio para o exterior.

NP/dpa/rtr/afp/lusa
Revisão: Alexandre Schossler

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