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Mundo

Köhler leva palavras francas à África

Presidente alemão engajou-se na África pelo reconhecimento do continente por instituições internacionais. Fez críticas a alguns países e a negociantes de armas. Um balanço de Ute Schäffer, que acompanhou Köhler.

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Köhler: amizade não exclui críticas

Depois de passar pela Etiópia, Serra Leoa e Benin, o presidente alemão, Horst Köhler, encerra nesta quinta-feira no Djibuti sua mais longa viagem ao exterior. Ao pronunciar-se em Addis Abeba nesta quarta-feira (15) diante da União Africana (UA) − que reúne 53 nações do continente −, o chefe de Estado da Alemanha criticou a situação de alguns países e condenou os negócios com armas.

O presidente alemão está convencido da importância das palavras claras e diretas na África. E elas não faltaram durante sua viagem pelo continente. Alguns diplomatas podem até ter se assustado quando Köhler chamou a atenção do presidente Mathieu Kérékou, do Benin, para a proximidade do Dia de Combate à Corrupção e para o fato de que, no seu país, ainda há muito a ser feito neste sentido. Além disso, em seu encontro com chefes tribais, Köhler falou da mutilação genital, ainda praticada contra muitas meninas.

Em todas as ocasiões, Köhler falou de maneira direta e apresentou reivindicações concretas. Segundo ele, os africanos têm de parar de procurar no exterior os motivos de suas guerras e conflitos. Ainda hoje, muitos conflitos têm origem na própria África, levando os países a uma ruína provocada por eles próprios, destacou o presidente.

Ao citar que as reformas "marcam passo", salientou a necessidade de as nações africanas finalmente encararem seus problemas, para que "os credores não se perguntem por que gastam seu dinheiro". Para ele, a África não conseguirá fugir à competitividade e precisa por isso assumir responsabilidades.

Elite política corrupta

Uma clara mensagem é necessária, pois mesmo em países como o Benin e a Etiópia, considerados exemplos de democratização, parte da ajuda alemã ao desenvolvimento não foi aplicada no combate à miséria, mas foi parar nos bolsos de uma elite política corrupta.

Ao mesmo tempo em que se declara "um amigo da África", Köhler [ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional] argumenta que a amizade não exclui a crítica.

Die Frau des Bundespräsidenten, Eva Köhler, betrachtet am Dienstag (07.12.2004) in dem Flüchtlingslager Gondama in Sierra Leone die Darbietungen eines Folkloretänzers.

Primeira-dama Eva Köhler assiste a dança folclórica em Serra Leoa

Nem os europeus escaparam da franqueza de Köhler. "Também no futuro, a África continuará dependendo da comunidade internacional", assinalou. Os países credores devem se concentrar na promessa de, até 2015, aumentar sua ajuda ao desenvolvimento para 0,7% de seu PIB. Um objetivo distante mesmo para a Alemanha, com seu atual 0,28%, lembrou Köhler, apelando também pelo fim das barreiras comerciais e subvenções, de modo a melhorar a competitividade dos produtos africanos.

Muito tempo para conversas

Em sua viagem, o presidente alemão procurou o contato constante com estudantes, beneficiadas com programas de minicrédito para mulheres, ONGs, artistas ou pessoas que o saudaram nas ruas.

Köhler surpreendeu também ao incentivar o debate aberto do público com os políticos presentes: "Podem falar, o presidente de vocês está ouvindo!". Com este gesto, Köhler assinalou a importância do diálogo entre parceiros com os mesmos direitos, da mesma forma como deveria ser entre europeus e africanos.

Com esta viagem, o chefe de Estado alemão pretende iniciar uma série anual, para "chamar a atenção dos alemães ao continente africano". Uma região que também engloba muitos riscos, como as dificuldades de Serra Leoa em sua recuperação pós-guerra civil, ou de nações fracas, como a Costa do Marfim ou o Zimbábue.

Células de terror operam a partir do continente africano, acima de tudo do norte, no chamado Chifre Africano. Afinal, se o continente submergir no caos, estarão ameaçadas também a segurança na Europa e a globalização, avalia a comentarista da Deutsche Welle.

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