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Mundo

Justiça francesa condena comediante por apologia ao terrorismo

Após atentados em Paris, Dieudonné causou polêmica ao postar no Facebook que se sentia como "Charlie Coulibaly", numa referência ao ataque ao jornal "Charlie Hebdo" e ao terrorista Amedy Coulibaly.

O comediante francês Dieudonné foi condenado nesta quarta-feira (18/03), em Paris, condenado por apologia ao terrorismo. O motivo foi uma frase declarada por ele em janeiro passado, na esteira dos atentados extremistas que deixaram 17 mortos na capital francesa.

Dieudonné, que já tinha passagens pela Justiça francesa por declarações antissemitas, publicou em sua página no Facebook: "Esta noite, eu me sinto como Charlie Coulibaly". A frase é uma referência ao popular slogan Je suis Charlie, em homenagem às vítimas do ataque ao jornal Charlie Hebdo, e também ao terrorista Amedy Coulibaly, que matou quatro pessoas num mercado kosher e uma policial.

De acordo com a sentença, Dieudonné não precisará cumprir na prisão a pena de dois meses a que foi condenado, mas ficará sujeito a determinadas exigências estabelecidas por um juiz. Ele corria risco de ser condenado a sete anos de regime fechado e a pagar multa de até 100 mil euros.

"O sentimento de hostilidade perante a comunidade judaica que Dieudonné mostrou diante de um público atraído por seu carisma aumenta sua responsabilidade", afirmou o tribunal. O humorista não esteve presente na corte e seu advogado não comentou a sentença.

Dieudonné já foi condenado sete vezes por insulto e declarações antissemitas, e suas apresentações estão proibidas em algumas cidades francesas por representarem ameaça à ordem pública. O artista ficou conhecido, entre outras coisas, por ter popularizado um gesto que se assemelha à saudação nazista.

Em janeiro passado, durante a semana dos atentados extremistas, ele havia sido preso com outras 53 pessoas por apologia ao terrorismo e ameaças de atos terroristas. À época, as prisões inflamaram um debate sobre a liberdade de expressão no país.

"Toda vez que eu falo, vocês não tentam entender o que estou tentando dizer, vocês não querem me escutar. Vocês estão procurando um pretexto para me proibir. Vocês me veem como Amedy Coulibaly, quando não sou diferente de Charlie", protestou Dieudonné à época de sua mais recente prisão, numa carta aberta ao ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve.

A França tem leis rigorosas contra o discurso de ódio, antissemita e de apologia ao terror. Este último crime pode levar a até sete anos de prisão.

MSB/rtr/ap/lusa/afp

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