Justiça britânica confirma extradição do fundador do WikiLeaks | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 02.11.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Justiça britânica confirma extradição do fundador do WikiLeaks

Australiano Julian Assange tem duas semanas para apelar para a Suprema Corte, última instância da Justiça britânica. Autoridades suecas querem questioná-lo sobre acusações de crimes sexuais.

default

Julian Assange é acusado de abuso sexual

A Alta Corte de Londres confirmou nesta quarta-feira (02/11) a extradição do australiano Julian Assange, de 40 anos, para a Suécia, onde ele é acusado de cometer crimes sexuais.

Os juízes negaram o recurso dos advogados de Assange, confirmando assim uma decisão anterior da Justiça britânica. O fundador do site WikiLeaks cumpre prisão domiciliar na Inglaterra.

Numa curta declaração à porta do tribunal, Assange adiantou que vai analisar o próximo passo nos próximos dias, mas não confirmou se irá recorrer da decisão na Suprema Corte, última instância da Justiça britânica.

A defesa tem duas semanas para apelar para a Suprema Corte, porém os advogados do australiano estão pessimistas porque os juízes teriam que considerar o caso de interesse público especial para validar uma eventual apelação. Se esse recurso também for rejeitado, a lei determina que a extradição ocorra no prazo de dez dias.

Acusação de crimes sexuais na Suécia

Wikileaks Internet Botschaftsdepeschen USA ungeschwärzt

Wikileaks divulgou informações confidenciais

Com a extradição, autoridades suecas poderão interrogar o australiano sobre as acusações feitas por duas ex-voluntárias do WikiLeaks, de que Assange as teria molestado sexualmente durante uma visita ao país, em agosto de 2010.

Uma das mulheres afirma que Assange negou-se a usar preservativo durante uma relação sexual. A segunda diz que Assange teria mantido relação sexual com ela sem preservativo enquanto ela dormia.

Essa segunda alegação pode ser enquadrada na menos severa das três categorias de estupro previstas pelo Código Penal Sueco. Assange nega todas as acusações e diz que não terá um julgamento justo na Suécia.

O fundador do Wikileaks afirma que as denúncias têm motivações políticas e estariam relacionadas à publicação de mais de 250 mil informes de diplomatas norte-americanos e outros documentos secretos no site WikiLeaks.

Dois juízes da Alta Corte negaram os argumentos da defesa de Assange sobre a ilegalidade da extradição. Para os advogados, o mandado europeu de prisão não tinha validade porque foi expedido por um promotor e não por juízes de um tribunal. Os juízes britânicos consideraram, por sua vez, que o mandado tem origem em autoridade judicial sueca apropriada.

Os juízes também confirmaram a extradição porque o australiano será apenas interrogado, sendo considerado um "acusado simples". Assange está há 11 meses cumprindo prisão domiciliar no leste da Inglaterra sob forte vigilância policial, sendo obrigado a usar um localizador eletrônico preso ao seu tornozelo e a observar horário específico para sair da residência.

Em sua autobiografia, publicada em setembro deste ano, Assange enfatiza a sua inocência. "Eu não violentei aquelas mulheres e não posso imaginar algo que tenha acontecido entre nós que poderia levá-las a pensar isso, exceto malícia posterior ao fato, um plano de armadilha, ou um extraordinário mal-entendido que tenha sido incentivado por terceiros", escreve o fundador do Wikileaks.

MP/rtr/afp/dap/dw
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais