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Economia

Juros baixos no Fed: será o fim de uma era?

Muitos esperam que o banco central americano eleve sua taxa de juros, encerrando uma baixa histórica desde a crise financeira de 2008. Para alguns observadores, porém, essa mudança pode trazer mais danos que benefícios.

Nesta quinta-feira uma senhora deverá convocar a imprensa para um discurso que economistas de todo o mundo já consideram histórico. A presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, vai se pronunciar sobre a taxa básica de juros americana. Até agora, é tudo que se sabe. As opiniões, no entanto, nunca estiveram tão divididas sobre o que Janet Yellen (foto) vai falar.

O que está em jogo?

A questão é se a taxa de juros americana vai ser elevada ou não. Essa taxa é utilizada pelos bancos de um país como indicador-chave do valor dos juros que pagam ao tomar dinheiro emprestado do Banco Central – e, por sua vez, do dinheiro que emprestam a seus clientes. Disso dependem investimentos e despesas de consumo.

A taxa de juros do Fed, no entanto, é algo especial. Ela é um sinal também para investidores, empresários e banqueiros. Se ela é modificada, também se modificam as regras do jogo da economia mundial. Neste mês, o Banco de Compensações Internacionais (BCI) constatou secamente: "As taxas de juros de curto e longo prazo nos EUA afetam consideravelmente os respectivos juros em outros países."

O peculiar da situação atual: desde 2008, a taxa de juros americana está num nível historicamente baixo, algo entre zero e 0,25%. Com a mudança, o Fed combateu as consequências da crise financeira. Já faz quase dez anos que o banco central americano não eleva os juros básicos. No entanto, a chefe do Fed já anunciou desde julho perante o Congresso americano que a fase de juros baixos iria chegar em breve a um fim.

Quando é "breve"?

Neste ano, o Fed tem duas oportunidades para transformar suas palavras em ações: nesta quinta-feira e em meados de dezembro.

A multidão de economistas está dividida em sua avaliação se o aumento dos juros vai ocorrer esta semana ou no fim do ano. "As chances estão empatadas", avalia Paul Ashworth, da empresa de assessoria financeira Capital Economics.

O motivo é, ao mesmo tempo, simples e complexo: nunca houve um período tão longo com taxas de juros tão baixas. Falta simplesmente a experiência para que se possa fazer uma avaliação do que vai acontecer se os juros forem novamente elevados. Ao mesmo tempo, ja faz um tempo que a realidade econômica vem se comportando de forma diferente do que o previsto pelas cartilhas.

Inflação ou deflação?

A taxa básica de juros serve para que os bancos centrais controlem os preços e a estabilidade monetária, principalmente com base no mercado de trabalho. Grosso modo, isso tem funcionado da seguinte forma: se em determinado país o desemprego estiver alto, preços e salários caem, e não há ameaça de inflação – pelo contrário: é hora de cortar as taxas de juros para impulsionar a economia. Se o desemprego cai, os salários e os preços sobem, como manda a cartilha, e a inflação se torna um problema sério. Nesse caso, a elevação da taxa de juros pode funcionar como antídoto.

Mas nos últimos anos essa realidade tem sido bem diferente. O semanário britânico The Economist diagnostica um "comportamento desconcertante da economia americana desde a crise financeira". Em 2009, por exemplo, a taxa de desemprego americana girava em torno de 10% – os preços, no entanto, não deixaram de subir. Os mais recentes dados do mercado de trabalho mostram um desemprego de apenas 5% – a inflação, porém, desapareceu. Com um aumento médio de preços de somente 0,3%, os economistas temem uma deflação.

O Fed deve aumentar os juros agora?

As vozes de advertência também estão aumentando. Uma delas é do ex-secretário do Tesouro Larry Summers: "A elevação dos juros num futuro próximo seria um sério erro, que iria de encontro aos três objetivos centrais do Fed: a estabilidade de preços, o pleno emprego e a estabilidade financeira", escreveu Summers em agosto no jornal Financial Times.

Tom semelhante partiu do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional ainda na última semana: os economistas-chefes de ambas as instituições advertem, regularmente, que os países emergentes poderiam ser seriamente afetados devido à retirada de capital.

"O medo ronda"

Na revista alemã Der Spiegel, o economista Henrik Müller afirmou ver uma situação muito negativa: "O medo ronda, o mundo todo poderia cair numa armadilha inflacionária – uma permanente queda de preços, aliada ao desemprego em massa, falência e, possivelmente, agitação social."

Mesmo assim, os especialistas veem um bom número de motivos para o Fed elevar os juros. A taxa básica é o principal instrumento de um banco central para reagir a crises. Se a taxa já gira em torno de zero, as autoridades financeiras não mais dispõem desse instrumento. E isso levando em conta que há prenúncios de crise na China. Além disso, com a taxa de juros zerada, os mercados são inundados com dinheiro barato; isso pode seduzir especuladores a transações arriscadas – se elas fracassam, economias inteiras podem cambalear.

De qualquer forma, com um aumento da taxa de juros, Janet Yellen e seus colegas do Fed deixariam claro: o banco central acredita que a pior crise financeira dos últimos 80 anos está superada. Voltar à normalidade seria o lema. E normalidade é: elevação e redução da taxa básica de juros conforme necessário.

E a data para este passo histórico? "Achar um bom momento para elevar a taxa de juros é tão difícil quanto achar um bom momento para ir ao dentista", afirmou recentemente o economista-chefe do Deutsche Bank, David Folkerts-Landau, ao jornal Die Welt. "Mas, em ambos os casos, protelar a decisão deve ser motivo de dor."

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