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Mundo

Juncker e Tsipras caminham de mãos dadas

Em encontro em Bruxelas, presidente da Comissão Europeia e novo primeiro-ministro grego dão sinal de estarem dispostos a dialogar. Governo da Grécia baixa tom, pois falar em corte da dívida não agrada a credores.

Um beijo em cada bochecha, um abraço e tapinhas no ombro. Foi assim que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, recebeu o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, nesta quarta-feira (04/02), em Bruxelas.

Os dois caminharam de mãos dadas em direção ao escritório de Juncker, que, com o gesto, pareceu querer deixar claro que há diálogo, apesar de todas as dissonâncias dos últimos dias, após a vitória de Tsipras nas urnas.

Juncker e Tsipras discutiram como a crise da dívida grega pode ser melhor administrada. As exigências e sugestões apresentadas pelo premiê grego foram mantidas em segredo. Tanto Juncker quanto Tsipras não se manifestaram após a reunião de uma hora.

Antes da visita do político esquerdista, a Comissão Europeia, que observa e avalia a gestão orçamentária dos 28 países-membros do bloco europeu, havia procurado se mostrar relaxada. "Iremos respeitar a vontade democrática do povo grego", declarara Juncker.

O presidente da Comissão Europeia anunciara que, eventualmente, a política da atual ajuda financeira à Grécia teria de ser repensada e reorganizada. "Mas não vamos mudar tudo por conta de um resultado eleitoral, que agrada a uns e desagrada a outros."

Tsipras ganhou as eleições com a promessa de pôr fim à política de austeridade econômica e à suposta ingerência por parte da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em viagem pelas principais capitais europeias, Tsipras e seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, tentam agora convencer os credores internacionais a aliviar as condições impostas para a ajuda financeira.

Griechenlands Finanzminister Gianis Varoufakis in der Londoner Downing Street

Varoufakis, ministro das Finanças grego, mudou de tom

Reduzir a dívida

De acordo com fontes diplomáticas em Bruxelas, por quanto mais tempo as Tsipras e Varoufakis viajam pela Europa, mais realistas se tornam as suas demandas.

Depois de sua visita a Londres, Varoufakis se afastou, aparentemente, da exigência de um corte ou perdão da dívida por parte de credores públicos. Ele quer chegar agora apenas a uma reestruturação da dívida através de uma troca por outras formas de títulos, que seriam mais favoráveis para a Grécia.

"É preciso gerenciar a dívida de forma mais inteligente", afirmou Varoufakis ao jornal Financial Times. Varoufakis pretende indexar ao crescimento da Grécia o pagamento dos juros de parte dos 240 bilhões de euros de dívidas provenientes de credores públicos, dos países-membros da UE e dos pacotes de ajuda financeira. Ou seja: a Grécia paga quando puder.

A outra parte das dívidas deve ser convertida em títulos sem data de resgate. No entanto, tais títulos são muito arriscados para os investidores, no caso de a Grécia decretar falência estatal. Essa reestruturação teria que ser aprovada pelos credores, entre eles os 18 países da zona do euro.

Dessa forma, o ministro grego das Finanças, um ex-professor de Economia, pretende evitar a expressão "corte da dívida", algo que possui conotação negativa na Alemanha. Mas para a Grécia, o efeito seria quase o mesmo: as dívidas não teriam que ser pagas.

Papel fundamental do BCE

Wolfgang Schäuble Eurogruppe Treffen in Brüssel 26.01.2015

Ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, receberá colega de pasta grego em Berlim

Antes de Juncker, o chefe de governo da Grécia se encontrou com o colega de pasta italiano, Matteo Renzi. Vistos em seus países como pessoas energéticas, os dois políticos, que têm mais ou menos a mesma idade, fizeram anedotas e se trataram de maneira jovial. Em Roma, no entanto, Renzi deixou claro ao seu convidado que não há maneira de contornar novas reformas na Grécia.

No caso de um corte ou uma reestruturação da dívida, também a Itália teria que abrir mão de suas reivindicações, pois assim como a França ou a Espanha, a Itália participou do resgate financeiro da Grécia. O ministro francês das Finanças, Michel Sapin, disse em entrevista realizada após seu encontro com o colega de pasta grego, no último domingo, que um corte da dívida estaria fora de cogitação e que os países da zona do euro não poderiam ser colocados uns contra os outros.

No momento, o governo grego não possui nenhum aliado de verdade no grupo de países de moeda comum. Por esse motivo, Varoufakis já mudou, visivelmente, de tom. Agora, ele está pedindo algumas semanas de tempo aos credores que salvaram a Grécia da falência estatal, para que ele possa trabalhar em seu próprio plano de resgate – que deverá ser uma mescla de reestruturação da dívida, reformas e investimentos.

Para ganhar tempo, o governo grego precisa, sobretudo, do Banco Central Europeu (BCE). No próximo dia 1° de março, quando expira o segundo pacote de ajuda financeira, o BCE poderá fechar a torneira de dinheiro para os bancos gregos. No momento, o BCE empresta dinheiro ao Banco Central em Atenas em troca do depósito de títulos públicos gregos, que não têm, em si, nenhum valor.

Isso poderá chegar ao fim, se não houver nenhuma prorrogação do programa de ajuda ou se não for fechado um acordo amigável com os países da zona do euro e o FMI. Por esse motivo, o ministro das Finanças Varoufakis faz bem, provavelmente, em ir à sede do BCE em Frankfurt, para explicar o seu conceito à diretoria do banco.
Igualmente importante deverá ser o encontro nesta quinta-feira entre Varoufakis e o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble. O ministro alemão já se referiu a Varoufakis como o principal ator na zona do euro. Até agora, o conservador Schäuble, para quem o princípio da "ajuda em troca de ação" é de grande importância, recusou todas as exigências da coalizão de esquerda-direita sob a liderança de Tsipras.

Novo nome para a troica?

Somente num ponto, Juncker demonstrou alguma vontade de negociar. A composição dos auditores da Comissão Europeia, BCE e Fundo Monetário Internacional, que vai a Grécia a cada três meses para verificar a gestão financeira, poderá ser mudada. A chamada troica, que apenas implementa – com o consentimento, aliás, da própria Grécia – as decisões dos Estados da zona do euro, tornou-se um bode expiatório na opinião pública grega.

Fontes próximas de Juncker informaram que o nome "troica" poderá desaparecer, mas o controle orçamentário deverá permanecer. Tsipras não pretende mais negociar com funcionários públicos e especialistas na troica, mas diretamente com representantes políticos do Grupo do Euro, do BCE e do FMI.

De acordo com o governo grego, o anúncio de expulsão da troica no último sábado, após uma conversa em Atenas com o presidente do Grupo do Euro, Jeroen Dijsselbloem, foi mal interpretado. "Pode ter havido um erro de tradução", disse Varoufakis.

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