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Brasil

Julgamento do mensalão vai influenciar eleitor, avaliam especialistas

Presença do escândalo na mídia prejudica candidatos do PT, afirmam especialistas ouvidos pela DW Brasil. Eles avaliam que Lula não tem mais o mesmo poder de transferir votos, sobretudo nos grandes centros urbanos.

Neste domingo (07/10), mais de 130 milhões de eleitores brasileiros vão eleger os prefeitos e vereadores dos mais de cinco mil municípios do país. Apesar das eleições serem locais, elas deverão a dar o tom da disputa no âmbito nacional, daqui a dois anos.

Um dos elementos mais fortes da campanha deste ano é o chamado esquema do mensalão, nome dado à compra do apoio político de deputados de partidos aliados ao PT, durante o primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Neste semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) concentrou-se em julgar o chamado núcleo dos acusados, que inclui o núcleo publicitário – formado por integrantes de agências de publicidade acusados de desviar verbas para o pagamento de políticos – e o núcleo político – este último composto por nomes importantes do governo do ex-presidente, além de membros do Partido Liberal (PL).

Entre os acusados petistas estão José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil, segundo nome do governo à época), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do PT José Genoíno.

A sessão desta quinta-feira – a última antes das eleições de domingo – encerrou a semana de julgamento com votos de quatro dos dez ministros. No momento, três deles votaram pela condenação do chamado núcleo político por corrupção ativa (crime contra a administração pública).

Fernando Haddad Bürgermeisterkandidat Sao Paulo und Dilma Rousseff

Dilma Rousseff subiu ao palanque para apoiar o petista Fernando Haddad em São Paulo

Candidatos de Lula em dificuldades

Na avaliação do professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), o resultado que começa a se desenhar no STF significa o "começo do fim de mais de uma década de hegemonia lulo-petista na política brasileira".

Há alguns anos, avalia Kramer, Lula poderia indicar um nome e a eleição deste era praticamente garantida, mas hoje o ex-presidente está tendo dificuldades para eleger seus candidatos, sobretudo nos grandes centros urbanos. "O eleitor está, sim, reagindo contra o mensalão do PT", declarou.

Os especialistas ouvidos pela DW Brasil concordam que não é possível quantificar com precisão a influência do mensalão nas eleições municipais, mas observam que o julgamento interferiu diretamente nas estratégias de campanha tanto dos partidos do governo quanto da oposição.

Para o cientista político Antônio Flávio Testa, também da UnB, a oposição busca associar o mensalão à imagem dos candidatos do PT. "Os adversários tentam se aproveitar do desgaste que o PT está sofrendo, principalmente porque a figura mais emblemática do partido depois de Lula, José Dirceu, está sendo condenado por corrupção ativa", observou.

Na última semana, algumas pesquisas tentaram mensurar essa suposta influência. Uma pesquisa CNI/Ibope mostrou que o julgamento do mensalão estava entre as notícias mais lembradas pelos eleitores. Outra pesquisa feita pelo Datafolha, em São Paulo, afirma que 42% dos eleitores reconheceram que o voto para prefeito neste ano sofrerá influência do julgamento do mensalão.

Como reação, o PT tem adotado nas principais capitais brasileiras algumas estratégias para tentar reverter a situação. A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, participou, esta semana, de um comício do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Além dela, ministros também manifestam publicamente apoio a outros candidatos do PT.

Antônio Flávio Testa associa a estratégia a um momento de desespero. "Isso faz parte de um jogo que eu considero antiético. É um absurdo que o Executivo se intrometa em eleições. Dilma fez isso provavelmente sob pressão de Lula, num momento de desespero", avaliou o pesquisador.

Os especialistas concordam, porém, que o julgamento do mensalão é um passo importante para o fortalecimento da democracia brasileira. "Tudo isso é muito auspicioso para a democracia brasileira", avalia Kramer.

O mensalão

Em 2009, o STF transformou em réus 38 acusados de participar do esquema que ganhou o nome de mensalão e que envolve a compra de apoio de deputados da base aliada do governo do ex-presidente Lula da Silva. O esquema foi denunciado em 2005 pelo então deputado federal do PTB Roberto Jefferson, já condenado pelo Supremo por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Segundo a acusação, o dinheiro que seria repassado aos parlamentares em troca de votos favoráveis a projetos do governo vinha de verbas de publicidade de empresas estatais. O empresário Marcos Valério de Souza seria o responsável pela distribuição do dinheiro. Entre os crimes incluídos no processo estão lavagem de dinheiro, corrupção, peculato, formação de quadrilha e evasão de divisas. 

Outros seis ministros ainda precisam votar para que seja julgada a participação do chamado núcleo político. A próxima sessão do STF acontece na próxima terça-feira (09/10).

Autora: Ericka de Sá, de Brasília
Revisão: Alexandre Schossler

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