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Brasil

Julgamento do mensalão não afetou desempenho do PT, dizem especialistas

Além de obter mais prefeituras do que nas eleições de 2008, legenda da presidente Dilma Rousseff conseguiu lugar no segundo turno das eleições em São Paulo.

Apesar de importantes nomes do Partido dos Trabalhadores (PT), como José Dirceu e José Genoíno, enfrentarem há alguns meses o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), a legenda saiu das eleições municipais deste domingo (07/10) praticamente incólume. O partido da presidente Dilma Rousseff conquistou já neste primeiro turno 12% mais prefeituras do que no pleito anterior, chegando agora a 624.

Além disso, o PT garantiu, na reta final, lugar no segundo turno na cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. O petista Fernando Haddad saltou na frente de Celso Russomano (PRB), conquistou 28,9% dos votos e encostou no tucano José Serra, que somou 30,75%.

A disputa no segundo turno da capital paulista é uma vitória significativa, inclusive em âmbito nacional. Para o sociólogo Thomas Fatheuer, assessor da Fundação Heinrich Böll em Berlim, o resultado foi uma surpresa, considerando não apenas o julgamento do mensalão, mas também a má avaliação popular da gestão da petista Marta Suplicy (2001-2005) na cidade e o fato de que, pouco mais de cinco meses atrás, Haddad tinha pouco mais de 3% das intenções de voto. 

José Serra disputará segundo turno em São Paulo contra Fernando Haddad

José Serra disputará segundo turno em São Paulo contra Haddad

Yesko Quiroga Stöllger, representante do Instituto Friedrich Ebert no Brasil, destaca que o crescimento expressivo do ex-ministro da Educação na preferência do eleitorado começou em agosto, com a propaganda na televisão. "E é lógico que ter o Lula falando, e a Dilma, logo no final, em favor dele foi algo fundamental, considerando que Haddad não era conhecido, assim como a Dilma também não era em 2009", afirma Stöllger.

Perdas consideráveis

Mas nem tudo deu certo nos planos petistas, e o partido também amargou relevantes derrotas. José Fortunati, do PDT, foi reeleito para a prefeitura de Porto Alegre com 65,2%, desbancando o candidato petista Adão Villaverde, apoiado pelo governador gaúcho, Tarso Genro.

Em Belo Horizonte, Marcio Lacerda, do PSB, também garantiu a reeleição com mais de 52,6% dos votos, enquanto o ex-ministro do Combate à Fome do governo Lula, Patrus Ananias chegou em segundo lugar, com 40,8%.

O PT ainda disputa a prefeitura de seis capitais. Uma delas é Salvador, onde o petista Nelson Pelegrino, segundo lugar na preferência do eleitorado, disputará com o ACM Neto, do DEM, o comando da capital baiana.

Apesar de ainda mostrar força no estado que já foi comandado três vezes por Antônio Carlos Magalhães, o antigo PFL foi considerado um dos principais perdedores dessas eleições. O número de prefeituras encolheu de 495 para 275 nos últimos quatro anos. Entre as capitais, o DEM só confirmou a prefeitura de Aracaju.

Um dos principais motivos para o enfraquecimento do DEM foi o surgimento do Partido Social Democrático (PSD). A legenda criada no ano passado pelo atual prefeito de São Paulo, o ex-Democratas Gilberto Kassab, confirmou sua força no cenário político, conquistando 491 prefeituras.

Novas forças

Fatheuer avalia ainda que a rivalidade PSDB e PT continua marcando o campo político no Brasil. No entanto, para o sociólogo, começa a surgir no país uma onda de "órfãos da política tradicional", eleitores que não se veem mais representados pelos dois grandes partidos. "Essa foi a base do bom resultado da Marina Silva nas últimas eleições presidenciais", afirma.

Exemplo disso no pleito municipal seriam os bons resultados do PSol em Belém e em Macapá, onde os dois candidatos do partido disputarão o segundo turno. Fatheuer ainda considera o segundo lugar de Marcelo Freixo no Rio de Janeiro uma prova de que o eleitorado busca alternativas "com abordagens mais éticas".

Eduardo Paes segura a bandeira olímpica na festa de encerramento em Londres

Prefeito reeleito no Rio Eduardo Paes segura a bandeira olímpica na festa de encerramento em Londres

Reflexo em 2014

Poucos observadores acreditam que as eleições municipais no Brasil poderão trazer contornos muito definidos para o pleito presidencial em 2014. Stöllger, por exemplo, afirma que as chances são muito pequenas. "Ainda faltam dois anos, e isso é tempo demais em termos políticos", acredita.

Apesar de concordar que as eleições municipais do Brasil não indicam uma direção clara com relação ao quadro nacional, Thomas Fatheuer ressalta que há fenômenos que surgem nesse cenário e que devem ser acompanhados. E um deles seria a reeleição de Eduardo Paes, do PMDB, para a prefeitura do Rio de Janeiro.

"O Rio tem histórico de governos que até começaram de maneira interessante, mas sempre se afogaram e tinham problemas de rejeição total", ressalta Fatheuer, classificando os 64,6% de Paes como "excepcionais". "Ele é jovem e tem um perfil de gerente político", afirma.

O peemedebista ainda tem um trunfo para galgar um lugar mais alto daqui a dois anos: estará à frente do governo da cidade que sediará tanto a Copa do Mundo de 2014 quanto as Olimpíadas de 2016. E terá, portanto, espaço garantido na mídia nos próximos meses.

Autora: Mariana Santos
Revisão: Francis França

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