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Alemanha

Jovens sem trabalho, à beira do suicídio

Um videoclipe do sindicado ver.di sugerindo o suicídio de jovens quer chamar atenção para a falta de perspectiva no mercado de trabalho.

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Cena do polêmico videoclipe

Um rapaz pisa no acelerador e aspira por um tubo os gases de escapamento; um outro coloca uma pistola na boca, pronto para apertar o gatilho. Uma moça corta o pulso com uma gilete. O videoclipe termina com o sangue escorrendo na pia e uma voz off dizendo friamente: "Segundo dados oficiais, faltam na Alemanha 150 mil vagas de formação profissional".

O videoclipe está sendo exibido exclusivamente no canal de tevê VIVA, voltado para o público jovem e concorrente alemão da MTV. O sindicado quer denunciar a falta de perspectiva profissional dos jovens, uma situação inadmissível num país rico como a Alemanha.

As imagens chocantes causaram o efeito desejado, provocando polêmica. As reações mais virulentas partiram do influente jornal Bild, que acusou o sindicato de instigar o suicídio. É mau exemplo para a juventude, pois os jovens vão querer imitar o que vêem na televisão, argumenta o jornal.

Este mesmo ponto de vista foi defendido por jovens deputados do União Democrata Cristã (CDU). Angela Merkel, presidenta do partido e líder da oposição engrossou o caldo das críticas.

"Levante-se e lute"

O vice-presidente do sindicato de prestação de serviços ver.di, Frank Werneke, rebateu as críticas afirmando que o vídeoclipe deixa bem claro que o suicídio não é nenhuma saída. O sindicato optou por imagens escandalosas para denunciar um escândalo: "centenas de milhares de adolescentes e jovens vêm sendo enganados há anos em relação às suas chances no futuro", afirma Werneke no site do ver.di.

O videoclipe Stand up and fight (Levante-se e lute), como aponta o seu próprio título é um apelo a reverter esta situação. Ele pretende estimular os jovens a tomar o seu destino nas próprias mãos, e a engajar-se de forma crítica e consciente pelo seu futuro.

Werneke qualificou de cínica a reação contra o videoclipe: ao invés de se preocupar com os temores e a falta de perspectiva dos jovens, a mídia aproveita para fazer uma campanha contra o sindicato.

O poder destrutivo das imagens

A história do vídeo está cheia de exemplos de imagens chocantes, destinadas a chamar atenção. No início da década de 90, a Benetton promoveu uma famosa campanha publicitária com fotos de aidéticos à beira da morte. A "marca" da empresa foi reforçada pelas imagens de apelo à consciência coletiva.

Da mesma forma, o vídeo pretende reforçar a "marca" do sindicato ver.di junto à juventude e à opinião pública. Mas, como escreveu Frank Olbert no jornal Kölner Stadt Anzeiger, "o vídeo é destrutivo, pois através do poder de suas imagens ele se mostra sem esperança e perspectiva, assim como é banal o discurso do sindicato com o slogan "a juventude precisa de um futuro".

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