Jovem encenador quer desafiar ″normalidades e rituais″ do Festival de Bayreuth | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 01.08.2011
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Cultura

Jovem encenador quer desafiar "normalidades e rituais" do Festival de Bayreuth

Montagem de Sebastian Baumgarten, nascido em Berlim Oriental, abriu 100ª edição do Festival de Bayreuth. Sua análise de "Tannhäuser" resultou na releitura da ópera como mito fundador, dentro de um cenário-instalação.

Tannhäuser-Regisseur Sebastian Baumgarten. Geboren im Januar 1969 im Osten Berlins, die Mutter war Sängerin, der Großvater, Hans Pischner, 20 Jahre lang Intendant der Staatsoper Unter den Linden. (Foto: dapd)

Diretor Sebastian Baumgarten, 42 anos

O diretor Sebastian Baumgarten, nascido em 1969 na Alemanha de regime comunista, traz do berço o amor pela música. Sua mãe é cantora, seu avô, Hans Pischner, dirigiu durante muitos anos a Ópera Nacional Unter den Linden. Baumgarten estudou direção teatral na Escola Superior de Música Hanns Eisler. Ele trabalhou como diretor de ópera no Teatro Nacional de Kassel, e como diretor artístico do Teatro de Meiningen e da Komische Oper de Berlin.

Sua montagem do Tannhäuser de Richard Wagner, regida pelo maestro Thomas Hengelbrock, abriu a 100ª edição do Festival de Bayreuth. Numa entrevista exclusiva à Deutsche Welle, o encenador de 42 anos analisa a abordagem dessa ópera que concebeu para o próprio templo do culto wagneriano.
Achtung Redaktionen: Sperrfrist 25.07.11, 16.00 Uhr! Verwendbar bis Ende September 2011, danach nur nach vorheriger Genehmigung durch die Bayreuther Festspiele! +++ Darsteller treten am Freitag (15.07.11) im Festspielhaus in Bayreuth waehrend einer Probe der Oper Tannhaeuser des Komponisten Richard Wagner (1813 - 1883) auf. Die Bayreuther Festspiele beginnen am 25. Juli 2011 mit der Oper Tannhaeuser in einer Inszenierung von Regisseur Sebastian Baumgarten. (zu dapd-Text) Foto: Timm Schamberger/dapd

Bayreuth / Festspiele / Tannhäuser / 2011

Deutsche Welle: Wagner escreveu a ópera Tannhäuser, revisou-a, e revisou-a novamente. A ópera existe em tantas versões: como é para o senhor se ocupar dessa obra que está concluída, mas talvez não?
Sebastian Baumgarten: Não foi à toa que Wagner disse: "Ainda estou devendo um Tannhäuser ao mundo". Ao que tudo indica, ele continuou aprendendo a partir da prática teatral, e simplesmente reagiu às reações às diferentes estreias em Dresden, Munique e Paris.
Como fantástico homem de teatro que era, ele simplesmente produziu uma versão idealmente adaptada a seus cantores e aos espectadores. A versão longa de Dresden lhe trouxe um grande fracasso, então ele a encurtou radicalmente. Isto, sem que estivesse pensando apenas no público, mas sobretudo também no seu tenor, que, por assim dizer, entrou em colapso na première.
Isso é compreensível e humano. Porém mais tarde em sua trajetória Wagner simplesmente impôs a própria vontade a todo o mundo. Então será que Tannhäuser não é totalmente Wagner?
É, sim. Só acho que Tannhäuser é uma obra de transição. Ainda há aquela ligação tradicional com a ópera francesa e italiana, e por outro lado, naturalmente, já dá para reconhecer que está ocorrendo um desenvolvimento, que já tem algo a ver com o Tristão, idealmente até mesmo com Parsifal. Lá Wagner realizou suas visões de um teatro-música revolucionado, reformado.
Ou será que ele se debatia com a temática por não estar em sintonia com essa personagem?
Eu acho que ele faz algo que confronta um diretor de cena com uma tarefa insolúvel. Pois ele descreve uma contradição entre ordem e excesso. O Venusberg tem certamente algo a ver com inebriação, com excesso. Só que: como mostrar isso em cena, e como traduzir isso musicalmente, enquanto compositor? Ora, música é, em si e antes de tudo, criar ordem – é apolínea, se assim se quer ver –, enquanto o caos é, justamente, dionisíaco, não ordenado. E aí nasce uma contradição fundamental com o material. Nunca se conseguirá uma ilustração direta: isto significaria, na verdade, que o intérprete ou o palco, em princípio, teriam que se dissolver em si mesmos.
Num certo ponto, Tannhäuser foi incluído na lista das dez obras apresentadas em Bayreuth, ao contrário das três primeiras óperas. O que há em Tannhäuser que torna essa obra de juventude digna do festival?
Difícil dizer. Tampouco sei se excluiria assim essas três outras óperas. Claro que, no total da obra wagneriana, é interessante ver de onde um compositor vem e para onde ele se desenvolve. Provavelmente está antecipada em Tannhäuser a problemática fundamental e também a evolução musical que o interessará nos anos subsequentes: o indivíduo dividido, por assim dizer, entre dois polos extremos. E por isso é, sem dúvida, interessante encenar a obra aqui em Bayreuth.
Agora, se isso exclui que As fadas – ou o que quer que seja – também possa ou deva ser apresentada aqui, não cabe a mim dizer. E, no entanto, a gente pensa: por que não, o que há de tão problemático? A tendência é mesmo que essas estruturas fixas cada vez mais se dissolvam, também no teatro-música. E este seria um processo bastante factível com Wagner.
E o senhor não teve pudores em se ocupar de Richard Wagner?
Bem, claro, dá para imaginar [que se tenha pudores]. Mas que não haja mal entendido: não é uma questão de humildade ou de respeito diante do autor a pessoa se ocupar dele de forma profunda, e aí chegar a derivações que revelam algo mais sobre a obra. [Wagner] sempre constrói polos hegelianos, sempre reciprocidades dialéticas, elas estão contidas em qualquer temática. Não é por acaso que – justamente no Tannhäuser ou também no Parsifal – haja personagens que são a mesma coisa, com polaridade inversa – positivo versus negativo, Klingsor versus Amfortas.
ACHTUNG SPERRFRIST 25.07.2011, 16.00 Uhr - Elisabeth (Camilla Nylund) performing during a rehearsal of the opera 'Tannhaeuser' in Bayreuth, Germany (pictured on 15 July 2011). The 100th Bayreuth Festival opens on 25 July 2011. The one-month festival is Germany's most prestigious culture event and devoted to operas by Richard Wagner. Photo: David Ebener dpa/lby (ATTENTION: BLOCKING PERIOD! Do not use earlier than 25 July 2011, 16:00 CET)

Camilla Nylund canta o papel de Elisabeth

A que soluções o senhor chegou para tornar verossímeis essas figuras?
Eu venho do teatro brechtiano, e as interrelações sistêmicas me interessam muito, assim como o agir das diferentes personagens dentro delas. Assim, pensamos que deveria haver um espaço – não necessariamente compartimentado em três quadros, como transcorre na sequência da peça. O que temos é, antes, uma instalação para 200 participantes. Estes, por assim dizer, existem e vegetam ali, num sistema fechado de ordem rigorosa, nutrição, inebriação, transporte e geração ecológica de energia.
E, nesse aspecto, o Tannhäuser é, de certo modo, uma espécie de mistério teatral medieval ou de mito fundador. Quer dizer: a cena não deve ser percebida com os sentidos realistas, ela é antes uma instalação artística, uma descrição do presente.
Nela é possível, justamente, ler-se o mundo de Vênus e o castelo de Wartburg como um grande sistema fechado. E há uma série de máquinas no palco: sua função é produzir álcool para que as pessoas fiquem felizes e não queiram revolução. As máquinas permitem a nutrição com purê de aipo, mas, ao mesmo tempo, o processamento dos excrementos também é responsável pela produção de energia para o todo. A coisa realmente poderia funcionar.
Houve imposições por parte da direção do festival, ou o senhor teve carta branca, mais ou menos?
A princípio, a casa tenta realizar tudo o que o diretor propôs. Portanto não há qualquer restrição quanto a orçamento ou algo assim. Em princípio, eles querem deixar que se realize, e acho bom que seja assim. Em algum ponto, claro, a pessoa leva as suas sugestões à direção e então eles dizem: "OK, isso funciona" – ou não.
Em seu Tannhäuser a ação já começa antes do início do primeiro ato. As pessoas que vão entrando assim, devagar, irão pensar: "Ai meu Deus, eu já perdi alguma coisa...!"
É, ao entrar, já se vê essa instalação em funcionamento. Há uma certa sequência funcional, que já é demonstrada com 20 pessoas. Aí a ópera começa e, quando o primeiro ato acaba, a luz se acende e vê-se que essas atividades têm seguimento no palco. Elas incluem comer, dormir, a prática religiosa.
Leigos cantam, em contraste com os profissionais que antes demonstraram suas capacidades: são, por assim dizer, contradições que me interessam. Espero que possamos assim desencadear um certo interesse, confrontar um pouco certas normalidades ou rituais que aqui existem.
Entrevista: Rick Fulker (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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