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Mundo

Jornalistas perdem a paciência com censura na China

O controle estatal é parte do cotidiano da imprensa na China. Mas o chefe da Propaganda na província de Cantão parece ter ido longe demais. Ele reescreveu artigos de um renomado semanário e desencadeou onda de protestos.

Lidar com a censura faz parte do trabalho diário dos editores chineses. Mas agora o chefe do Departamento de Propaganda na província de Cantão, no sul do país, parece ter ido longe demais até para os jornalistas chineses. Sem consultar os autores e editores, Tuo Zhen reescreveu partes essenciais da edição de Ano Novo do renomado semanário Nanfang Zhoumo (Semanário do Sul). Em parte, com distorções e erros.

Os editores não reconhecem mais seu próprio jornal. Desta vez, eles resolveram não baixar a cabeça e tornar pública nas redes sociais a manipulação de seu jornal. Seguiram-se diversas cartas abertas de jornalistas e intelectuais defendendo a liberdade de expressão e exigindo a demissão de Tuo, que assumiu o cargo no início de 2012.

Nesta segunda-feira (07/01), os chineses surpreenderam. Cerca de mil manifestantes se reuniram diante do prédio do semanário para apoiar os editores da publicação. Também nesta terça-feira os protestos continuaram em frente ao prédio da redação. Dezenas de policiais foram enviados à capital da província, Guangzhou, mas não interferiram.

Chamada de cima

Proteste gegen Staatszensur in China

Protestos contra a censura estatal em Guangzhou

Na China, o Semanário do Sul é pioneiro no jornalismo investigativo e tem a reputação de ser uma publicação relativamente independente. Todos os artigos da edição de 3 de janeiro de 2013 já haviam recebido o aval das autoridades, porém – como consta numa das cartas abertas – pouco antes da impressão do semanário, o editor-chefe Huang Can recebeu um telefonema da autoridade de Propaganda da província de Cantão. O teor da chamada telefônica: as vozes críticas da próxima edição teriam de ser atenuadas.

Os cortes atingiram principalmente o editorial. Ele continha um chamado para que fossem aplicados na prática os direitos civis prescritos na Constituição chinesa. De fato, o que saiu publicado foi um hino de louvor ao que já foi alcançado na China.

O jornalista Cheng Yizhong já foi editor-chefe do Jornal da Cidade do Sul, uma publicação-irmã do Semanário do Sul. Cheng disse à DW que o Departamento de Propaganda altera rotineiramente o conteúdo do Semanário do Sul, e que os jornalistas estariam acostumados com o fato. Mas parece que a paciência deles chegou ao fim. Segundo Cheng, os erros grosseiros de conteúdo lhes deram agora a oportunidade de desafiar o novo e arrogante chefe de Propaganda.

Qual deve ser a direção?

Os protestos ganharam destaque adicional pelo fato de o novo líder do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, ter dado sinais de novas reformas em suas primeiras semanas no cargo. Ele exigiu mais abertura e transparência. Um editorial no jornal do partido Renmin Ribao (Diário do Povo) havia pedido recentemente aos funcionários do Departamento de Propaganda das províncias que seguissem os passos do governo central.

O próprio Diário do Povo prometeu mostrar mais abertura. Em microblogs chineses discute-se agora a credibilidade dos anúncios da nova liderança partidária face ao procedimento dos censores em Cantão.

China Demonstration in Guangzhou für die Zeitung Southern Weekly

Manifestante depositam flores para simbolizar "funeral" da liberdade de expressão

Alguns jornalistas do Semanário do Sul entraram em greve, supostamente também toda a redação de economia. Fontes internas, que preferiram ficar anônimas, disseram à DW que a direção da editora deu ordem, contudo, para que a próxima edição seja publicada na quinta-feira.

Na internet, o caso é tema de intenso debate. Embora os conteúdos sejam sempre deletados em redes sociais como Weibo, podem-se ver constantemente novas informações. Para o antigo editor do Semanário do Sul, Chang Ping, as redes sociais exercem um papel fundamental. Segundo Chang, informações sobre a disputa entre a redação e o Departamento de Propaganda não podem mais ser mantidas em segredo.

Autor: Mu Cui (ca)
Revisão: Francis França

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