Jornalistas da América Latina falam sobre censura e medo na profissão | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 04.06.2009
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América Latina

Jornalistas da América Latina falam sobre censura e medo na profissão

A relação entre direitos humanos e meios de comunicação é um dos temas em debate no Global Media Forum, em Bonn. Jornalistas latino-americanos contam que autocensura e silêncio são essenciais para sobreviver.

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Global Media Forum debate imprensa internacional

"Os colombianos acham que o país vai bem. Não sabem o acontece realmente, porque nós, jornalistas, não podemos informar." O motivo desse silêncio está demonstrado em números: de 1993 a 2005, 118 jornalistas foram assassinados na Colômbia. Nos últimos 15 dias de maio, três ameaças de intimidação foram relatadas por jornalistas daquele país. Dos casos de morte, apenas 12 foram esclarecidos pelas autoridades. Em nenhum deles foi descoberto o mandante do crime.

Essa situação foi exposta por Gloria Ortega, representante colombiana no Global Media Forum. O encontro internacional sobre a situação da imprensa em todo o mundo é sediado em Bonn e vai até sexta-feira, 5 de junho. Um painel de discussão sobre direitos humanos e os dilemas de jornalistas no dia a dia de trabalho possibilitou a troca de experiências entre profissionais atuantes na Colômbia, no Peru e na Argentina.

Um documentário produzido em 2006 pela associação Meios para a Paz, da Colômbia, mostrou que as ameaças de morte a profissionais são frequentes no país. Eles relatam que, para preservar a vida, é preciso omitir críticas nos artigos publicados. "A intimidação dos jornalistas vem de lados distintos: do narcotráfico e do governo", conta Gloria Ortega, uma das fundadoras da organização.

"Praticamos a autocensura, quase sem perceber, como forma de evitar a repressão. Podemos até falar de violações dos direitos humanos na Colômbia, mas não podemos falar das mesmas violações contra os jornalistas do país", disse Ortega.

A associação Meios para a Paz, criada em 1997, reúne 88 profissionais da imprensa colombiana e 3 mil leigos interessados em praticar um jornalismo responsável num país que vive um conflito armado há 30 anos.

Kindersoldaten in Kolumbien

Na Colômbia, jornalistas não têm liberdade para relatar conflito entre governo e guerrilheiros das Forças Armadas

Imprensa cooperativa

A saída encontrada por jornalistas argentinos interessados em preservar a liberdade de expressão foi criar uma cooperativa. A experiência de La Vaca foi contada por Claudia Acuña, fundadora do grupo. Desde 2001, a agência divulga informações via internet.

"A nossa intenção é informar as pessoas sobre os fatos na Argentina. Queremos nos isentar de dar opiniões, ao contrário da mídia de massa no país", explicou Claudia.

Jornalismo acuado

Ângelo Páez, jornalista conhecido por suas matérias investigativas, falou sobre o trabalho da imprensa no Peru durante o governo de Alberto Fujimori.

Depois de dez anos no poder, de 1990 a 2000, Fujimori fugiu do Peru em meio a graves acusações de desvio de recursos públicos, de assassinato e de corrupção.

"Fujimori encontrou um meio mais moderno de manter os veículos de comunicação ao seu lado. Em vez de ameaçar os jornalistas, ele comprou todas as opiniões", disse Ângelo Páez.

Em Bonn, Ângelo exibiu documentos e fotos de matérias publicadas no Peru apontando as irregularidades do governo Fujimori. Acrescentou que poucos se atreveram a denunciar os abusos no Poder Executivo. "Quando trazíamos a informação para a redação, éramos descreditados pelos editores."

Das sete acusações que levaram Fujimori aos tribunais, cinco foram relevadas pela imprensa. Até o momento, um caso está em julgamento. "Essa história mostra que, mesmo em tempos de endurecimento, é possível fazer um trabalho responsável, que informe o público", concluiu Páez.

Autora: Nádia Pontes

Revisão: Simone Lopes

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